Capítulo 26

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A quinta-feira amanheceu chuvosa, o que só intensificava ainda mais o seu mau humor. A agenda do dia estava apertada, com uma reunião atrás da outra. Mas, dois compromissos se destacavam, despertando emoções absolutamente distintas e ao mesmo tempo parecidas.

Logo após almoçar com sua pequena, eles iriam ver seu bebê pela primeira vez. Imaginar que um pequeno ser, metade seu e metade de Helena, crescia dentro dela era empolgante e amedrontador ao mesmo tempo. O misto de emoções que sentia desde que recebeu a notícia, deixava sua mente confusa. Seu instinto de proteção era enorme, mas no fundo ele sabia que faria todas as vontades de seu filho.

Em seguida, se encontraria com Gianni Vitalli e então teria certeza de suas suspeitas. Sua agonia finalmente teria fim e ele iria atrás de todos, independente de quem fosse.

- Fique calmo ou vai infartar antes do almoço. - Dante bradou enquanto polia sua arma.

- No dia que você estiver prestes a conhecer seu filho e ainda for descobrir a identidade de um traidor, conversamos. - Romeo cuspiu as palavras entre dentes.

- Há! É aí que você se engana, signore. - Dante colocou a arma em cima da mesa e seguiu até a janela. - Non terei filhos se non for com a mulher certa. E, infelizmente, ela non está disponível para mim.

- Se me contasse quem roubou seu coração, aquele que você jurou nunca entregar a alguém, eu poderia ajudá-lo.

Dante sustentou seu olhar pelo que pareceram horas e não disse uma palavra. Um sorriso triste tomou conta de seus lábios antes de dizer:

- Vai se atrasar para o seu almoço.

Romeo encarou o relógio. Eram 11h45.

- Vou buscá-la. - Disse se levantando e pegando o blazer. - Assim que estivermos indo pro consultório, te mando uma mensagem e você nos encontra lá. - Dante acenou com a cabeça, confirmando. - Você ainda vai me contar quem é essa mulher. - Encarou o amigo antes de abrir a porta do escritório.

- Você me mataria assim que soubesse. - A risada de Dante saiu baixa e forçada.

Romeo encarou o amigo, tentando imaginar quem seria a mulher. Dante não revelaria nada tão fácil assim. Mas ele ia fazer o possível para descobrir quem era e o impossível para que o amigo ficasse com ela. "Todos merecem a chance de ser feliz", pensou. Girou a maçaneta da porta e a fechou assim que saiu.

                                                                                      ***

- Per Dio, Romeo. Calmati. - Helena pediu, puxando-o pela blusa.

- Como calma? - Ele respondeu exaltado. - Como você pode estar tão calma?

Helena riu da agitação do marido e lhe estendeu a mão. Assim que encostou os dedos em sua palma, ela o puxou para perto e beijou seus lábios. Para Romeo, o ato foi como respirar de novo. Era como se ele estivesse prendendo o fôlego e ela devolvesse o ar à seus pulmões.

Ele admirou a esposa. "Como um ser tão pequeno pode me controlar tanto assim?", riu da ideia. Sua mulher estava sentada em mesa que mais parecia uma cadeira, com um avental rosado. Os cabelos negros caiam em cascatas pelos ombros, chegando até a metade das costas. Seus olhos escuros como a noite brilhavam como o sol, um contraste que o deixava hipnotizado.

O encanto que Helena mantinha sobre ele foi quebrado no momento em que uma porta bateu atrás deles. Uma mulher de cabelos claros, sorridente, vestida com um jaleco branco e calças rosas entrou na sala.

- Buon pomeriggio, papai e mamãe. - A médica cumprimentou-os animadamente. - Ansiosos para conhecer o bambino?

- Você nem imagina. - Helena respondeu, divertindo-se com a agonia que Romeo sentia.

Despedaçados [COMPLETO] - (Série Vespri Siciliani - LIVRO UM)Onde histórias criam vida. Descubra agora