Capítulo 2

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Ele sorriu e me ofereceu o braço, que aceitei de bom grado. Seu perfume era magnífico, tão delicioso que tive que me controlar para não chegar mais perto e cheirar seu pescoço. Podia sentir os músculos por baixo do terno e novamente me tornei aquela garotinha que ele protegeu um dia.

- Andiamo tutti. - Papa disse. - Os convidados já chegaram e esperam os noivos.

Antonella sorriu pra mim e mandou um beijo, correndo na frente e tomando o braço de Enrico. Os dois viviam em pé de guerra, mas não se desgrudavam. Papai e mamãe foram na frente, guiando o caminho até o jardim. O sr. e a sra. Sartori estavam logo atrás, rindo de alguma coisa. O casamento e a cumplicidade deles era algo lindo de se ver, ao menos bons exemplos Romeo e eu tínhamos. Alessa e Giovanni estavam logo atrás dos pais.

- Calma, deixa eles irem um pouco na frente. - Romeo sussurrou em meu ouvido.

Um tremor percorreu meu corpo inteiro e tudo o que consegui fazer foi concordar com a cabeça.

Quando todos já estavam distantes, Romeo parou e virou-se de frente pra mim.

- Você está tão linda, Helena. - Disse correndo os dedos pela bochecha. - Senti falta da minha piccola formica.

Sim, eu era sua formiguinha. Ouvir esse velho apelido trouxe a tona emoções que jurei não sentir até conhecer o novo Romeo. Até conhecer o homem que ele se tornou.

- Você também non está nada mal. - Respondi sorrindo e encostei a cabeça em seu braço, quase em seu ombro.

- Eu non quero te machucar, Helena. Non sou mais o garoto que te protegia, eu mudei. - Ele disse sério, franzindo o cenho. - Então, per favore, non me subestime ou me provoque. Apenas me obedeça e você pode sair inteira deste casamento.

Meu corpo inteiro congelou e eu travei. Naquele momento sabia que me casaria com o Romeo mafioso, o futuro signore e chefe dos Sartori, e não com o meu companheiro de infância. Engoli em seco e apenas concordei, enquanto ele me fitava com o olhar sombrio. Eu realmente temi por minha segurança neste momento e anotei, mentalmente, para perguntar a Enrico quem Romeo realmente era.

- Agora sorria e seja a boa sposa que foi criada para ser. - Romeo disse, me levando para o jardim.

O choque de suas palavras não era algo que passaria tão rápido. "Eu preciso beber algo bem forte e encontrar Antonella", pensei.

Tentei forçar o sorriso ao máximo, cumprimentando todos e parecendo feliz. Mas, assim que minha amiga olhou em minha direção e fechou a cara. Ela percebeu que algo estava errado e veio ao nosso encontro.

- Romeo, querido! Ciao! Sou Antonella, melhor amiga da noiva. - Disse. - Será que pode me emprestá-la por um momento? Coisas de mulher. - E sorriu seu sorriso mais falso.

- Claro. - Ele respondeu, dando-me um beijo na bochecha. - Só non saiam do meu campo de visão, va bene?

Antonella apontou o dedão pra cima, confirmando e me puxou para longe. Finalmente consegui respirar de novo e senti as lágrimas queimando meus olhos.

- Ele non é o meu amigo de infância, Antonella! Ele é a porra de um mafioso e acabou de me ameaçar! - Eu queria gritar, mas falei baixo apenas pra ela ouvir. - Ele disse que se obedecê-lo, posso sair viva desse casamento.

- Primeiro, calma! Vai borrar a maquiagem e será pior. - Ela respondeu. - Segundo, bebibas e das fortes. Terceiro, ele está te assustando apenas para controlá-la mais fácil. Quarto, posso estar errada então vamos falar com seu irmão.

Despedaçados [COMPLETO] - (Série Vespri Siciliani - LIVRO UM)Onde histórias criam vida. Descubra agora