É fato que as pessoas mudam ao decorrer da vida. Mudam de aparência, de gostos, de estilos, de modos. Mudam por fora e por dentro. Mas nem sempre as mudanças são boas. Muitas vezes elas despertam o que há de pior dentro de alguém.
Helena DiFontana s...
Romeo não queria voltar para casa. Não se sua pequena não estivesse lá, o esperando para o jantar ou dormindo tranquilamente na cama deles. Ficar naquela casa não fazia sentido sem ela.
Mandar Helena embora foi a coisa mais difícil que ele já fez. Ao mandá-la embora, ela partia junto com sua humanidade. O que estava ficando era apenas a casca de um homem. Um homem que não teria pena de quem estivesse em seu caminho. Um homem que destruiria a todos, se isso trouxesse sua pequena de volta.
O celular de Dante apitou e Romeo encarou o amigo.
- Eles acabaram de sair de casa. - Avisou.
Algo em seu peito se apertou, incomodando a ponto de revirar seu estômago. Romeo afrouxou a gravata e se encostou na cadeira.
- Como ela estava? - As palavras saíram arranhando sua garganta.
- Non se martirize mais, Romeo. - Dante o encarou. - Você fez o que era necessário para proteger sua mulher e seu filho.
Um suspiro escapou-lhe da boca e Romeo pressionou as têmporas, tentando aliviar a dor que começava a tomar conta de sua cabeça. Com um aceno, dispensou Dante e ficou sozinho no escritório.
Ele tentou se concentrar nos problemas que precisava resolver e nas providências que precisava tomar. Mas os gritos de Helena na noite anterior ainda ocupavam sua mente. Romeo pôde sentir a dor e o desespero nos gritos de sua mulher. Dessa vez ele a tinha magoado de uma forma desproporcional, ele tinha consciência disso.
- Scusa, piccola. Mas non posso te deixar no meio dessa guerra. - Balbuciou para a foto em cima da sua mesa.
Depois de algumas horas, convenceu-se de que precisava voltar para casa. Alguns documentos precisavam ir para o cofre no banco, como medida de segurança e ele precisava pegar algumas roupas e itens importantes antes de seguir viagem para Catania.
Assim que chegou em casa, foi direto ao escritório separar os documentos. A senhora Mancini tinha feito realmente um ótimo trabalho limpando a bagunça da noite anterior, ele precisava agradecê-la por isso. Romeo encheu um copo com whisky e foi até o armário pegar os documentos com as assinaturas do seu pai, Maurizio DiFontana e dos capos de Enna e Caltanisseta.
Depois de revirar as gavetas duas vezes e olhar em outros locais onde poderia ter guardado, começou a se preocupar.
- Cazzo! Onde foi que enfiei esses papéis?
Enviou uma mensagem para Dante e Enrico, talvez um dos dois estivessem com os documentos. Enquanto aguardava a resposta, subiu até o quarto para tomar uma ducha.
O perfume doce de Helena ainda preenchia o ambiente e tomou conta de seus sentidos assim que abriu a porta. Uma vontade de sair socando tudo a sua volta passou por seus nervos. Romeo travou os punhos, encravando as unhas nas palmas das mãos. A dor foi uma boa distração e ele conseguiu superar a vontade de quebrar o quarto.
A ducha fria deixou seu corpo em um estado de alerta, despertando cada célula que insistia em ficar cansada. Ele não queria dormir, precisava achar os documentos que concediam a ele das províncias do controle do norte siciliano.
No closet, procurou a pela blusa de pijama, mas não achou. Então, acabou vestindo apenas a calça. Voltou ao banheiro e pegou o celular que havia deixado em cima da bancada. Helena havia ligado vinte vezes e mandado dezenas de mensagens, mas lhe faltou coragem para abri-las. Digitou uma mensagens para Dante e Enrico, perguntando sobre os documentos e voltou para o quarto.
Em cima da cama, uma folha dobrada chamou sua atenção. Seu nome estava escrito com uma letra delicada e arredondada.
- Droga, Helena. - Balbuciou abrindo o papel.
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"Amore mio,
Um dia, alguém vai aparecer na sua vida e tirar tudo do lugar. Mudar os seus hábitos e opiniões, sua cor preferida e os passeios de sexta. Vai mudar também o primeiro pensamento ao acordar e os sonhos de todas as noites. Vai fazer você se superar a cada dia e aprender a essência verdadeira do amor. Essa mesma pessoa vai fazer seus pesadelos de infância mudarem e o que era o bicho papão do armário, agora é o medo de vê-la partir algum dia.
Às vezes temos de tomar decisões difíceis e percorrer a estrada a que estamos destinados. Seguir este caminho nem sempre é fácil, mas a nossa hora chegou. É preciso partir e dizer adeus, mas é difícil porque doí se despedir da nossa vida juntos e do nosso amor.
Você virou meu mundo do avesso. Me fez pensar em um futuro e me deu a chance de construir uma família. E é por você e pelo nosso filho que vou encontrar forças para seguir esse caminho. Até porque, eu sei que no final dele vou te reencontrar.