Não pude cumprir o que prometi a Giovanni. Não pude protegê-lo de quem quer que fosse. Não fui amiga o suficiente para perceber que algo estava errado. Quando ele se afastou, deixei meu orgulho falar mais alto e não o procurei. Deixei ele se afastar e se afundar no que quer que estivesse fazendo. Me afastei quando ele, provavelmente, mais estaria precisando de um amigo.
As últimas semanas não tem sido fácil. A dor de perder Giovanni não diminuiu à medida em que o tempo passou. Pelo contrário, só cresceu. O pior é saber que ele estava bem ali, na minha frente, e não pude ajudar. Não tive nem a chance de me despedir.
Romeo não quis tratar o irmão como um traidor, por isso não contou ninguém o que realmente aconteceu. Todos acham que ele me salvou. A mentira contada, para amenizar a dor da perda, foi que Giovanni morreu como um herói. Ele morreu tentando me salvar de um sequestro relâmpago. Não acusamos ninguém, afinal Giovanni não teve tempo de falar um nome e acusar Leonel Bertiolli seria estupidez neste momento.
Não conseguimos nomes e nem planos. Não descobrimos nada. Sua morte foi em vão.
No velório, não pude olhar para ele uma última vez. E, novamente, não consegui me despedir da maneira certa. Apesar de que, não existe maneira certa para nos despedirmos de quem amamos.
Sei que ele foi o errado da história, traindo o irmão e a família. Me traindo. Mas ele ainda faz parte de quem sou, ainda faz parte das minhas lembranças. E sempre me lembrarei daquele Giovanni divertido, engraçado, amigável e carinhoso. As partes ruins da sua pessoa, foram enterradas com seu corpo.
Quase dois meses já se passaram e ainda não consigo encarar Alessa e Dona Angela. Ver a dor estampada em seus olhos e saber que estou mentindo pra elas, mesmo que por uma boa causa, me corrói por dentro.
Decidimos continuar em Palermo, perto de mama, papa e Antonella. Mas também, eu não conseguiria voltar para nossa casa. Seriam muitas lembranças da infância, dos dias em que ele ficou cuidando de mim. Não era o que eu queria e Romeo entendeu perfeitamente.
Após o funeral, confrontei Romeo, Enrico e Dante, exigindo que eles não me escondessem mais as coisas. Quero saber o que está acontecendo, se estou em perigo, quem está em perigo, pois só assim serei capaz de me proteger quando eles não puderem me defender. Desde então eles têm me deixado a par das notícias.
Outra exigência, foi que colocassem Antonella a frente dos assuntos da máfia em Enna, região comandada pela família Salvatore. Se ela estava sendo treinada para assumir a posição do pai, ela assumiria sem a necessidade de um casamento, mesmo que já estivesse prometida à Enrico.
Eventualmente, Cory acabou voltando para o Canadá. Durante a briga com Giovanni, ele acabou levando um tiro de raspão no braço. Sua ajuda foi crucial para que Romeo me encontrasse e evitou que ele fosse em direção à alguma armadilha que Leonel Bertiolli tivesse preparado para eliminá-lo.
Ainda trocamos algumas mensagens, afinal Cory se revelou um ótimo conselheiro. Ele prometeu voltar à Sicília algum dia para me ver e, quem sabe, conhecer meu bambino.
E eu? Bem, ainda não consigo definir o que estou sentindo. Alguns dias são mais fáceis que os outros, consigo fazer minhas atividades e seguir a vida. Em outros, quero apenas me enterrar e me esconder do mundo lá fora. Posso culpar os hormônios da gravidez, mas sei que, no fundo, ainda é o luto e medo constante de que algo ruim possa acontecer com quem está ao meu redor.
No momento, vou levando a vida aos poucos, um dia de cada vez.
***
Obrigada a todos que acompanharam Helena e Romeo até o final. Em breve, a história continuará pelo ponto de vista de Antonella e Enrico. Aguardem para mais novidades.
Beijos, beijos ;)
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Despedaçados [COMPLETO] - (Série Vespri Siciliani - LIVRO UM)
ChickLitÉ fato que as pessoas mudam ao decorrer da vida. Mudam de aparência, de gostos, de estilos, de modos. Mudam por fora e por dentro. Mas nem sempre as mudanças são boas. Muitas vezes elas despertam o que há de pior dentro de alguém. Helena DiFontana s...