Capítulo 17

176 10 0
                                    

Giovanni e eu estávamos na piscina, realizando nosso ritual diário, quando Rosa apareceu e avisou que eu tinha visita. Vesti um blusão por cima do biquíni e a segui até a sala de estar.

- Enrico! - Gritei, correndo para abraçar meu irmão, mas parei no meio do caminho. - Non! Seu idiota! - Comecei a bater em seus braços. - Como pôde?

- Ai! Helena, calmati! - Segurou minhas mãos, evitando que o acertasse mais.

- Você me ignorou completamente! - O fuzilei com os olhos. - Te liguei inúmeras vezes, mandei dezenas de mensagens!

- Scusa, sorellina. - Ele me soltou, caindo sentado no sofá. - As coisas com Antonella ficaram complicadas. Depois, teve o atentado contra Romeo, de novo. - Ele suspirou. - Eu non conseguiria lidar com você me xingando.

- O que aconteceu? - Perguntei sentando ao seu lado. - Antonella disse que você aceitou uma proposta de casamento.

- É mentira! Eu menti, na esperança de fazê-la entender o que sente por mim. - Enrico escondeu o rosto em suas mãos. - Porque eu sei que ela sente alguma coisa.

- Mio Dio! Vocês parecem duas crianças. - Passei o braço por suas costas, abraçando-o. - Pare de joguinhos. Chegue e fale pra ela. Dê um ultimato.

Enrico levantou a cabeça, sorrindo em minha direção. Os dois deviam ficar juntos, mas o orgulho estava atrapalhando. Eu sabia que meu irmão me ouviria e seguiria meus conselhos, mas fazer Antonella dar o braço a torcer seria mais difícil.

Meu irmão passou a tarde conosco e contou que as coisas não estavam nada bem. O carroselo culpava Romeo pela morte de Vitalli, e o cargo do falecido ainda estava desocupado pois ninguém sabia o paradeiro de seu herdeiro. Com um capo a menos do seu lado, as chances de Romeo conseguir unificar o norte eram baixas e isso atrapalhava os planos de importação e exportação da máfia. Por consequência, os outros membros acusavam Romeo de estar monopolizando os portos.

Meu irmão precisou vir para realizar sua função de consigliere, pois a distância estava atrapalhando e irritando Romeo. Toda essa confusão explicava porque, ao longo das semanas, eu não estava encontrando meu marido. Ele precisava intermediar tudo sozinho.

- Romeo anda muito estressado, sorellina. - Enrico me alertou. - Non abuse da boa sorte. Non quero ter que bater nele de novo.

- Pode deixar, estou aprendendo a lidar com ele. - Despedi de meu irmão, apertando-o em um abraço. - Tem certeza que non prefere ficar aqui?

- . Na cidade consigo resolver tudo mais rápido. - Deu-me um beijo na bochecha. - Mas venho passar o fim de semana com vocês.

Assim que Enrico foi embora, desabei no sofá assistindo Giovanni jogar uma partida. Minha cabeça começou a latejar com o barulho do jogo, deixando-me enjoada.

- Giovanni, - chamei-o. - Non estou me sentindo bem. Vou me deitar, va bene?

- Quer que fique com você? Precisa de algo? - Perguntou preocupado, pausando o jogo.

- Non, vou dormir um pouco. - Beijei o topo de sua cabeça e subi para o quarto.

                                                                          ***

Eram mais de 23h quando ouvi gritos no andar de baixo. Fui até a escada, na esperança de entender o que estava acontecendo. Do alto, pude ver Romeo gritando com Giovanni e Dante tentando separar a confusão. Desci a escada correndo, pedindo para que eles parassem, o que não adiantou nada.

Despedaçados [COMPLETO] - (Série Vespri Siciliani - LIVRO UM)Onde histórias criam vida. Descubra agora