Giovanni andava de um lado para o outro pelo quarto do hospital, impacientemente. Seus movimentos me deixavam tonta e irritada.
- Per Dio, sente-se! - Esbravejei. - Você vai acabar fazendo um buraco no chão.
- Non consigo! - Ele parou, fitando-me sério. - Alguma coisa aconteceu ontem e você non quer me contar. E agora, olha só - apontou em minha direção, o olhar triste. - Está em um hospital e eu non sei o que fazer.
Ele sentou-se no sofá, apoiando a cabeça sobre as mãos. Eu conseguia sentir sua aflição, mas não estava preparada para conversar sobre a noite anterior. Enfrentei um Romeo que eu não conhecia, e as coisas saíram do controle. Enfrentei porque queria defender Giovanni e se eu contasse o que aconteceu, ele ficaria arrasado.
A porta do quarto abriu e o médico entrou, segurando alguns papéis. Giovanni levantou em um pulo, aproximando-se da cama.
- Bem, senhorita... - Ele consultou os papéis - Senhora Sartori. - Olhou-me surpreso. - Creio que você seja o senhor Sartori?! - Questionou a Giovanni.
- Sì. Bem, non. - Respondeu, confundindo o médico. - Sou um Sartori, mas sou apenas o cunhado.
- Certo. - O médico virou-se em minha direção. - Non há nada com o que se preocupar. Sangramentos são completamente normais nas primeiras semanas, você deve apenas ficar atenta se voltar a acontecer. A tomografia mostrou que está tudo bem e...
- Scusa, doutor. - Interrompi-o. - O que quer dizer com sangramentos são normais nas primeiras semanas?
- Oh, bem. Você está grávida, com mais ou menos cinco semanas. É preciso um ultrassom para analisarmos certinho. - O médico me encarou e olhou para Giovanni. - Vou prescrever algumas indicações e assinar sua alta. Alguma dúvida?
Neguei com a cabeça. O homem saiu do quarto, deixando-me completamente desnorteada. Giovanni e eu nos entreolhamos, perplexos. Uma mistura de alegria, medo, excitação e angústia passaram por mim. Uma confusão de sentimentos que me deixou atônita.
O celular de Giovanni tocou, me trazendo de volta ao mundo.
- Romeo? - Perguntei e ele confirmou. - Non diga nada ainda, per favore. - Giovanni concordou antes de atender.
- Pronto. - Falou. - Sì, ela está bem. Ainda estamos no hospital, mas o médico já deu alta. - Ele olhou em minha direção, analisando minha expressão. - Non Dante, ela precisa descansar e non se estressar mais. - Giovanni encarou o chão, prestando atenção em Dante. - Va bene, ciao.
- E então? - A ansiedade me consumia. Será que Romeo queria notícias?
- Bem, enquanto você fazia os exames eu liguei pra Dante avisando. - Ele me encarou, com medo da minha reação. O incentivei a continuar. - Ele disse que Romeo surtou, quebrou metade do quarto do hotel e desapareceu há algumas horas. Enrico assumiu a reunião, alegando que ele estava indisposto.
- Certo... - Encarei minhas mãos.
Eu não sabia o que sentir. A noite anterior foi uma confusão e eu não me lembrava de tudo. Estava com medo de Romeo, medo do que ele fez e do que poderia ter feito. Eu o amava e queria entender o que aconteceu, conversar e tentar resolver tudo. Mas eu estava grávida, tinha alguém que dependia completamente de mim agora. E eu não colocaria meu bebê em risco.
- Helena, você sabe que precisamos contar pra ele. Non sabe? - Giovanni chamou minha atenção, despertando-me do meu devaneio.
- Eu sei. Mas non agora. - Pedi, olhando fundo em seus olhos. - Eu preciso de um tempo, va bene? Pra pôr as coisas no lugar e contar a todos.
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Despedaçados [COMPLETO] - (Série Vespri Siciliani - LIVRO UM)
ChickLitÉ fato que as pessoas mudam ao decorrer da vida. Mudam de aparência, de gostos, de estilos, de modos. Mudam por fora e por dentro. Mas nem sempre as mudanças são boas. Muitas vezes elas despertam o que há de pior dentro de alguém. Helena DiFontana s...