Capítulo 28

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Os barulhos e gritos no andar de baixo congelavam meu sangue. Eu não sabia o que estava acontecendo, se Dante estava bem ou se Enrico tinha chegado. A angústia tomava conta do meu peito, assim como o medo que me paralisava.

Eu queria descer e ajudar Dante, tentar acalmar Romeo. Mas eu não sabia do que ele era capaz. A maneira como me encarou era desconcertante, era como se eu fosse a razão da sua ira.

Sentei na cama, encostei o corpo na cabeceira e abracei o travesseiro de Romeo. O aroma de seu perfume estava impregnado na fronha. Inspirei profundamente, inalando o seu cheiro. Repeti o movimento quase como um mantra, absorvendo o perfume que acalmava minhas ansiedades.

Um longo tempo se passou até que percebi o silêncio. A casa estava quieta. Não havia gritos e nem barulho de coisas quebrando.

Meu coração martelou dentro do peito, ecoando em meus ouvidos. Eu queria descer, precisava saber se todos estavam bem. Mas os avisos de Dante e Enrico se repetiam em minha cabeça.

"- Non abra a porta até que eu te chame.

- Fiquei ai e non abra a porta."

Cazzo! Eu precisava descer.

Levantei da cama e fui até a porta, colando meu ouvido na madeira fria. Nada. Nenhum som podia ser ouvido. Destranquei-a e coloquei a cabeça para fora. Escuridão e silêncio tomavam conta do corredor.

Na ponta dos pés sai do quarto e percorri o caminho até a escada. Do alto era possível ver um feixe de luz que vinha da sala. Desci degrau por degrau vagarosamente, me apoiando no corrimão. Segui o rastro de luz até o cômodo seguinte e parei no batente da porta.

Romeo está sentado no sofá, de frente para a porta. Seus cotovelos estavam apoiados nas pernas e com a mão direita segurava uma toalha, pressionando o nariz. Dante estava sentado em uma janela à esquerda de Romeo. Com uma mão ele levou um cigarro aos lábios, dando uma tragada, e com a outra segurava um saquinho térmico no rosto. Enrico encontrava-se de pé, encostado na parede e de frente para Dante.

O vazio tomava conta da sala e era possível escutar a respiração dos três homens, todas praticamente sincronizadas.

- Non faz sentido... - Dante murmurou entre um trago e outro de seu cigarro.

- É o que é. - Enrico falou com a voz tão baixa, que foi quase inaudível.

Romeo levantou o rosto e seu olhar parou em mim, encolhida na entrada da sala. Ele tirou a toalha do rosto e o nariz ensanguentado ficou à mostra. Seus olhos se fecharam e ele suspirou, balançando a cabeça. Os outros dois olharam para ele antes de perceberem a minha presença.

- Scusa Helena, esqueci de você. - Dante levantou e apagou o cigarro na janela.

- O que aconteceu? - Sibilei, com a voz um pouco mais aguda do que pretendia.

Os três se encaram até Romeo balançar a cabeça, dizendo para não mencionarem nada.

- Nos dêem licença, per favore. - Pediu e, Dante e Enrico saíram da sala.

Romeo estendeu a mão e eu me aproximei dele, um pouco receosa. Seus braços me apertaram em um abraço e senti sua respiração tremer antes de dizer:

- Enrico te levará de volta à Palermo amanhã. - Sua voz falhou ao prosseguir: - Arrume suas coisas e esteja pronta ao final do dia. O vôo parte às 19h.

Ele beijou minha testa e me apertou em seus braços mais uma vez. Enquanto meu cérebro processava suas palavras, Romeo me soltou e seguiu em direção à porta.

Despedaçados [COMPLETO] - (Série Vespri Siciliani - LIVRO UM)Onde histórias criam vida. Descubra agora