Conversa de homem

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P.O.V. Sebastian.

Estou numa taberna bebendo cerveja.

-Kaleb, que surpresa.

-Achei que tava precisando de ajuda.

-O que te faz pensar isso?

-Você tá bebendo cerveja num bar ás sete da manhã e além do mais, a Lizzie tá chorando á mais de uma semana.

-Elizabeth, sim.

-Não gosta dela?

-Gosto.

-Mas?

-Mas, o que sinto por Elizabeth é diferente do que sinto por Amara.

-Amara? A Amara?

-Sim.

-Sabe que ela é A Escuridão, certo?

-Certo. Estou bem ciente. Ela nunca me feriu, fisicamente. Quando estive com ela foi a melhor experiência da minha vida. Ela é a melhor amante. Até me sinto um tolo, por ter sido tão facilmente seduzido, mas depois que acabou... comecei a sentir dor, uma dor como eu nunca experimentei antes. Ainda posso sentir enquanto estou sentado aqui falando com você. E não estou falando apenas no meu coração, ainda posso sentir ela e o que quer que tenha feito no meu corpo, nas minhas veias. O que sinto por Elizabeth é diferente do que sinto por Amara. Amara é tóxica, ela é venenosa como uma droga.

De repente, Kaleb fez uma cara.

-Caramba! Você precisa de ajuda, agora.

-Porque?

Ele me mostrou meu rosto no espelho e eu podia ver aquelas veias negras brotando em mim como uma infecção.

-Precisamos voltar para a Escola. Agora.

Procuramos e não achamos nada, mas a resposta veio direto da fonte.

-Amara.

-Sinto muito. Não queria que isso acontecesse, mas sei como salvá-lo.

-Como?

-Você está impuro Sebastian. Biblicamente falando.

Minha visão estava embaçada, eu não sabia o que estava acontecendo.

-E como purificamos ele?

-Óleo santo.

P.O.V. Kaleb.

Amara colocou um jarro de barro antigo encima da mesa.

-Pegue um pedaço de gaze, molhe no óleo coloque fogo e aproxime dele. O fogo vai queimar a minha influência. E ele ficará saudável novamente.

E foi um processo foda. O Sebastian se negou a ser purificado, tivemos que segurar ele na marra e usar verbena para que ele não se debatesse muito. E quando queimou, ele berrou. Soava como se ele estivesse sendo queimado vivo. E o fogo queimou as veias negras.

-Melhor?

-O que diabos foi isso?

-Purificação pelo fogo.

-Porque resistiu?

-Porque a voz mandou.

-Que voz?

-A minha. Se não tivéssemos feito o processo de purificação, esta infecção teria continuado a consumi-lo até não sobrar nada. O teria consumido da alma até a casca.

-Isso vai acontecer de novo?

-Acho que não.

-Isso aconteceu porque você dormiu com ele?

-Eu não sei. Não aconteceu com nenhum dos meus outros parceiros, mas nenhum deles tinha tanta bagagem quanto Sebastian, toda essa dor que está sendo reprimida e adiada, a culpa, acho que se alimentou disso e teria continuado até ele deixar de existir.

-Quer dizer morrer.

-Não. Quero dizer deixar de existir. Não morrer, morrer é viajar. A morte é transferência de energia, uma passagem. O ceifeiro leva a alma embora, para outro lugar. Mas, ela ainda existe.

-O ceifeiro? Como o ceifador sinistro?

-Eles parecem com vocês. Eles não são uma caveira de manto negro, eles escolhem a forma na qual vão se apresentar, geralmente é uma forma humana e familiar á alma que vão recolher. É seu dever fazer a alma se sentir segura na hora de atravessar, mas eles não podem revelar o destino. 

-Então, o ceifador é humano?

-Não. Um humano é um humano, um ceifador é um ceifador. Eles são uma forma diferente de existência, outro nível de consciência. Olá Tessa.

-Com quem você está falando?

-Com a Tessa. Sim, é claro. Você não pode vê-la. Apenas os mortos e moribundos podem ver os ceifeiros. Isso significa que... Alguém na Salvatore está morto ou moribundo.

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