Perguntava-se - O que aconteceu com a gente? – notando Taehyung interagindo com, presumia, alguns novos amigos. Fez-se alguns dias que descobriu que ele iria para longe e, infelizmente, podia sentir algo particular entre os dois esfriado. Mas até que ponto? Nada parecia o mesmo, e o habitual gritava em si; necessitava de viver o passado com ele. Estavam na escola, mais um dia normal – chato, na verdade – com os alunos sentados em pequenos grupos no pátio e professores com feições forçadas vagando por todo o local e corredores. Observava-o da janela, andar de cima, da sala - com ela fechada de preferência, pois o vento fazia-se intenso naquele dia -, a mão apoiando-se ao queixo e a respiração pesada observando-o novamente e novamente e, dele, não emitia nenhum sinal de procura por si; isso o arranhava por dentro. Como um arranhão, alguns dizem que não é nada demais.
A cadeira começava a parecer desconfortável e remexia para acostumar-se, fazendo a dor sumir, distraindo-se. Por um momento, uma borboleta, que se aproximava da janela com seu voo incerto, batia suas asas azuis até pousar no canto direito do vidro, e, um reflexo veio à mente encarando-a, uma preocupação sobre o futuro; o seu propriamente. Como queria ser livre. Como queria ter asas e não precisar depender dos outros. Porém, se todos as tivessem, elas seriam arrancadas porque é o mais belo que nos é tirado – matutava. Mas, também – a borboleta abria suas asas mostrando o mosaico perfeito desenhado em preto -, é algo que nos tornaria diferentes. Todos tinham asas, na verdade, era só uma questão de tempo de eles perceberem. Sorrira ladino – orgulhoso com o que acabara de concluir. O destino pode ser útil às vezes. Às vezes.
Escutou a madeira ranger ao fundo e o som ficava mais alto à medida que alguém se aproximava. Procurou além do vidro: Taehyung ainda estava no mesmo lugar, não poderia ser ele. Desanimou-se. Podia ir de procurá-lo, certamente, podia. Entretanto, através de sua vivência – diria, não muito agradável - cansou-se de procurar e não ser procurado; gostar e não ser gostado; ajudar e não ser ajudado. Esses pares que não fazem bem a ninguém, a ele, já havia o desconcertado.
- Jungkook – chamava atrás, à porta -, sabe que não pode ficar em sala quando estamos em intervalo – a borboleta se fora neste momento -. Vamos.
Apenas assentiu, sequer fitou-o, e continuou parado encarando além do vidro. Jin era quem o chamava, reconheceu a voz. Impossível não o fazer. Pode ouvi-lo bufar e não se importou se estivesse com raiva, ou tivesse uma notícia ruim; achava que nada poderia estragar sua vida ainda mais. Na verdade, existia, sempre iria de existir; para todos. Podia sentir sua presença mais perto, parando no seu lado.
- Eu não queria que começássemos com o pé esquerdo – bufou e disse. Estranhou -, estou apenas seguindo protocolos e –
- Sim, sim – cortou-o que sorrira sem graça – entendo. Que tipo de conversa era essa que estava se iniciando? – pensava. Não se mexeu.
O silêncio tomou conta do local, o vozerio aleatório ao longe, aqueles segundos que pareciam horas; Jungkook não se importou, sequer ligava para a outra presença. Jin parou de olhá-lo e, com as mãos nos bolsos, tentou seguir para onde sua visão estava focada além da sala, lá em baixo: várias pessoas, contudo, sabia que uma era especial e entendia disso: Taehyung, certo? – recordava-se o nome. Não queria interferir, mas – sempre um "mas" - novamente, encarava-o e via os olhos fundos e tensos lacrimejando. Observou em volta e alcançou a cadeira mais próxima e assentou-se. Jungkook não poderia achar mais estranho, ele não fez nada de errado – bom, exceto isto. Seus olhos o seguiam ladino, apreensivo.
- Ele sabe? – começou com uma pergunta direta. Jungkook finalmente o encarou com o cenho a mostra; o semblante parecia sério. Uma imagem turva tomou conta de sua mente e fingiria que não sabia de quem se referia. Pois era óbvio quem era "ele", assim como se dizer "ela" no Palácio de Buckingham referia-se à Rainha.
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I HEAR YOU
Fanfiction~ TAEKOOK FANFICTION ~ Completa. Taehyung gostaria de ouvir os batimentos do coração de Jungkook, mas como poderia? "Tudo se esvaiu e Taehyung se encontrara novamente na calçada daquele supermercado, Jimin ao seu lado balançando os braços...
