Chapter XXIX

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      Não acreditavam como sempre acabavam juntos, no mesmo lugar, se entreolhando. Parecia que, mesmo evitando, se deparar com o outro ia além daquilo. Uma história, antes, já escrita e agora sendo contada. Aqueles olhos transcrevendo tamanho sentimento e brilho, preocupações e frugalidades, todas as peças para o quebra-cabeça complexo. Porém, não sabiam que estavam montando-o corretamente, como uma criança perdida em confusão afrente de variadas peças de inúmeros formatos. Taehyung continuava pensativo e, como antes, o esperava que viesse para perto; não havia pensado mais afrente, porém. Estar por perto era o suficiente. Entretanto, queria bem poder expressar-se e, mais, que o compreende-se – não sendo isso possível, apenas justificava sua escolha. Deveria ir. Melhorar.

      Jungkook, por outro lado, surpreso, não concordava – precisava dele mais do que admitiria; mas cogitava sobre o que fora dito para si. Gostaria de abraçá-lo – naquele momento - e deixar aquilo ir afora deles, aproveitar enquanto tinha-se tempo para ser gasto, pois tudo o que mais tinham é tempo; o que falta, na verdade, é a aspiração – vontade -; contudo, disso, poucos tem conhecimento. Ia aproximando-se lentamente, olhando para os lados e observando as pessoas saindo do local, deixando-os sozinhos. Engoliu em seco e a afloração subia sobre suas costas. Sempre parecia como a primeira vez. Frente à frente, parou – E agora? – cogitou. Taehyung podia decifrá-lo, além das engrenagens e segredos que compunham seu olhar e então, dera um passo para frente. Esperaram. Jungkook fitava o chão porque suas bochechas coravam, podia sentir, e assim continuou seguindo, encostando, finalmente, ao peito dele, expressando carência; contornou-o com seus braços e pode sentir o tecido e o calor humano que tanto adorava. Taehyung sorrira. Ainda não compreendia o sentimento que tomava conta dos dois – Falta, talvez – pensou. O envolveu com seus braços, afundando seu rosto em seu pescoço, podendo sentir o cheiro que sua cama, agora, continha.

      Tomou coragem e levantou o rosto – parecia irreal a imagem à sua frente. O beijou simples e espirou no final. O barulho da porta sendo aberta, em alguns segundos, o fizera gelar – o peito estremeceu - e quis afastar-se, mas Taehyung não permitiu e o encarou como nunca antes – continha um pedido de "por favor". De fato, naquele momento, apenas estavam abraçados. Nada demais, certo? Engoliu em seco, outra vez, e ficou com os olhos fechados: era a favor da liberdade – como não poderia ser? –, mas até aonde a poderia ser levada? O garoto que adentrou, ficara estático observando a cena – o casal – a poucos passos da entrada - e Taehyung reparava a feição que formava-se; o sorriso imediatamente desfeito e o desapontamento nos olhos. Jungkook, pelo espelho, observava-o – ainda aflito – através do reflexo, seu olhar tornando-se claro pelas gotículas que tomavam conta até escorrer pela sua bochecha. E, neste momento, o garoto saiu correndo do banheiro batendo a porta; era a segunda vez que presenciava algo assim. Aquilo intrigou Jungkook.

      O tomou pela mão, e o outro surpreendeu-se. Sairiam daquele ambiente e, sentiam juntos, não ficariam na escola. Desviam das pessoas e viravam os corredores e, claro, elas os viam e tiravam conclusões, cochichavam, encaravam; Jungkook apenas precisava aperfeiçoar a ideia de que – lembrava da voz de Jin dizendo -: "...o mundo não é de todo ruim". E era isso, e a mão de Taehyung à sua, que o impedia de esconder-se novamente. Percorriam pelas portas, algumas câmeras, escadas e encontravam-se perto da saída. Não cogitavam sobre os materiais, não eram importantes. À ultima porta, desaceleraram quando se depararam com a figura de um professor – Jin – com seus materiais à mão para exercer sua função e um óculos arredondado branco no rosto. Impossível não os notar, e os encarou, principalmente, a Jungkook e sua feição assustada. Não paravam, como se não estivessem ali; continuava e torcia para serem invisíveis. O professor continuava e deixava-os preocupados; Taehyung notava sua mão ser apertada com a tensão que Jungkook sentia. Lado à lado, Jin disse com a voz baixa: Boa sorte – com o teor bom. Impressionou Jungkook, fazendo-o parar e fitando as costas dele sumindo, à curva, no fim do corredor; assim como lembrou-se dele dizendo aquelas coisas, Jin fizera o mesmo e por isso os deixaria ir, os deixaria livres para exercer a liberdade. Ser quem são.

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