Ano de 2005
Lúcia
Dia 28 de novembro, finalzinho do ano e aniversário do meu filho. Posso ter sido a pior mãe possível, mas em todos os aniversários dele sempre fiz de tudo para ser uma mãe de verdade, queria que pelo menos por um dia no ano ele pudesse saber como é ser como todos os outros que tem uma família. Queria poder ter sido mãe por 365 dias e não apenas 1, porque na minha cabeça ele já estava grandinho o suficiente pra se virar sozinho, infelizmente entendi tarde demais que nunca foi sobre se virar sozinho, mas sim sobre se sentir amado, não amado por qualquer um, mas sim por aquela que deveria ser a pessoa mais importante da vida dele: eu.Faz poucas semanas que saí da clínica, pois eu já estava bem. Já estava pronta para lidar com o vício pela bebida do lado de fora dessa clínica. E nos primeiros dias deu certo, eu estava bem, Felipe estava orgulhoso de mim e eu também estava. Mas eu tive uma recaída. Voltei para a clínica, voltei para a estaca zero, mas o pior de tudo é sentir que decepcionei Felipe. Ele estava tão esperançoso...
Mas mesmo presa aqui dentro, eu não poderia passar o dia do aniversário dele longe do meu próprio filho. Pedimos a autorização do diretor da clínica para me liberar daqui só por algumas horas, mas não importava o quanto eu implorava, a resposta dele era sempre a mesma: Não!
Por isso, após insistirmos bastante, o diretor acabou deixando que Felipe, eu e mais três pessoas comemorássemos o aniversário dele em uma sala vazia aqui da clínica. Mas com a promessa que ele traria de casa tudo que fosse usar, que depois arrumaríamos tudo e que as 22 horas eu estivesse dormindo.
Passei algum tempo arrumando as coisas, limpei a sala e pedi a ajuda de dois enfermeiros para trazer uma mesa grande para dentro da sala. As sete horas eles já estavam aqui, consegui identificar Felipe e Elizabeth, mas havia outras duas moças que eu não me lembrava muito bem.
Eles haviam trazido lasanha, macarrão ao molho branco, bife à milanesa e refrigerante. Eu sabia que queriam ter trazido vinho ou alguma outra bebida alcóolica, mas não podiam por minha causa.
Felipe veio em minha direção e me abraçou.
- Feliz aniversário, meu filho. – falei enquanto tirava um papel amassado do meu bolso. – É uma carta, queria poder te dar algo melhor, mas...
- Eu amei, mãe. Obrigado. – ele pegou o papel da minha mão e sorriu.
Vi que ele estava com um relógio no pulso, ele sempre gostou muito de relógios mas nunca teve um porque não queria gastar dinheiro com coisas supérfluas, nunca teve muito dinheiro e por isso só o gastava com coisas necessárias.
- Que lindo esse relógio, você que comprou? – perguntei.
- Não, Elizabeth que me deu de aniversário. – ele olhou pra ela e os dois sorriram.
Estava tão entretida com Felipe que foi só nesse momento que notei que Elizabeth também estava ali.
- Ah, Elizabeth! Que falta de educação da minha parte, nem te cumprimentei. Venha cá! – ela veio e me abraçou, passei as mãos pelo cabelo escuro dela. – Está tão linda...
Notei que as bochechas dela coraram, Felipe me disse uma vez que ela tinha muito medo de eu não gostar dela.
- Obrigada. – ela respondeu com um sorriso.
- Felipe, não vai me apresentar as suas outras duas amigas? – perguntei me referindo as duas moças que eu não conhecia.
- Ah, essa é a Natália. – ele disse apontando para a mais alta. – E essa é a Alicia. – ele disse apontando para a loira.
Fui em direção a elas e abracei as duas.
- Não vamos comer nunca? Estou com fome. – Felipe falou.
E todos se sentaram nas cadeiras em torno da mesa, Elizabeth estendeu uma toalha de mesa que havia trazido e as outras duas foram colocando pratos e talheres em frente a cada cadeira. Cada um se serviu.
- Está uma delícia. Tenho quase certeza que foi Felipe quem cozinhou, só ele mesmo pra querer cozinhar em seu próprio aniversario.
Todos riram e Felipe falou que foi ele mesmo quem cozinhou.
Ficamos conversando por um tempo.
- Só estou achando uma coisa estranha, cadê o Diogo? Vocês sempre foram tão grudados e hoje ele nem comparece ao seu aniversário. – comentei.
Todos calaram-se, as três garotas abaixaram a cabeça e concentraram-se na comida que estava no prato delas e Felipe me olhou como se tivesse me repreendendo. Foi quando percebi que eu havia falado algo que não devia. Tratei de mudar de assunto o mais rápido que pude:
- E então, ganhou mais alguma coisa de presente?
- Hum, sim! Nat me deu um tênis e Ali me deu uma camisa.
- Que gentil da parte de vocês! Vejo que Felipe tem um bom gosto para amigas e para namorada.
Elas abriram um sorriso.
Conversamos mais um pouco e como as 22 horas eu viraria abóbora, quando deu 21:30, eles começaram a arrumar a mesa e partiram.
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360 HORAS
RomanceElizabeth e Felipe tinham tudo para dar certo, até que uma doença fatal e minuciosa os ataca quando eles menos esperam. Os dois terão que sobreviver a isso juntos... ou não!