Capítulo 17

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Ano de 2005

Felipe
Já se passava das 20:00 horas quando Elizabeth e eu estávamos deitados no sofá da sala de estar assistindo um filme de terror enquanto comíamos pipoca. As vezes eu cobria o rosto com medo do susto repentino que o filme poderia me dar, Elizabeth ria da minha expressão assustada e falava enquanto gargalhava:

- Que bobinho hein! Deixa que eu te protejo.

Tomei um susto quando ouvi batidas na porta, eu e Liz nos entreolhamos e ela deu uma risada e disse:

- Fica calmo, 'bebezão', é só um filme. Deixa que eu atendo.

Elizabeth foi atender a porta e eu preferi nem abrir os olhos, já imaginava o meu fim. Espero que tenham misericórdia de mim e que seja rápido e indolor. Rezava baixinho pra ser o vizinho que mora em frente a nossa casa pedindo sal, óleo ou cebola. Toda semana ele batia em nossa porta pedindo algo 'emprestado', mas nunca nos pagava de volta.

- Natália! O que aconteceu? - Liz gritou assim que abriu a porta, podia-se notar o espanto e a preocupação na voz dela.

Quando levantei-me para ver o que havia acontecido com Natália, as duas se abraçavam. Mas pude ver o rosto da Nat que estava claramente machucado, o nariz sangrava e o olho esquerdo estava roxo e inchado.

- Meu deus, Natália. O que fizeram com você? - falei.

Nat e Liz se soltaram do abraço e as duas estavam chorando.

- Foi o Diogo, não é? - Liz perguntou em meio ao choro.

Natália assentiu com a cabeça. Elizabeth começou a chorar ainda mais.

- Amiga, você está toda roxa. - Liz começou a analisar o corpo de Nat.

Não poderia imaginar que Diogo seria capaz disso, sempre soube que ele é um imbecil, mas bater na namorada? Não consigo acreditar! Só consigo sentir dó da pobrezinha da Natália, ela sempre foi um amor comigo e todos que a conheciam sabiiam que ela merecia bem mais do que qualquer coisa que o Diogo poderia lhe oferecer.

- Eu levo vocês ao hospital. - eu ofereci.

Dessa vez foi Liz que assentiu, Natália ainda não havia olhado em nossos olhos.

Levei as duas ao hospital, pois não estavam em condição alguma de dirigir.

Enquanto Natália e Elizabeth entraram em uma sala para fazer os curativos, eu fiquei na sala de espera. A Doutora Janaína estava na recepção conversando algo com a recepcionista quando me viu e veio falar algo comigo.

- Boa noite, Felipe. Aconteceu algo com você pra estar aqui agora?

Levantei-me e apertei a mão dela quando disse:

- Comigo está tudo bem sim, só vim trazer uma amiga da Elizabeth aqui, Doutora.

- Ah, fico feliz por estar bem. Mas já que não é meu paciente agora, não precisa continuar com as formalidades. Pode me chamar só de Janaína. - ela abriu um sorriso.

- Tudo bem então, Janaína. - dei ênfase no "Janaína".

Nos despedimos porque ela me disse que o plantão dela ainda não tinha acabado.

Depois de mais alguns minutos, Elizabeth e Natália voltaram. Elas disseram que receberam do médico que as atendeu toda a confirmação necessária de que Natália sofreu uma agressão, assim poderiam ir na delegacia abrir um Boletim de Ocorrência. Após irmos à delegacia, voltamos para casa e a Nat nos pediu se poderia ficar alguns dias morando conosco porque estava com medo de ficar sozinha em casa de novo. Eu e Elizabeth nem hesitamos em dizer: "É claro que pode!".

Na tarde do dia seguinte, a polícia disse que havia provas o suficiente para prender Diogo, e assim fez. Porém ele logo pagou a fiança e saiu da cadeia.

A mãe de Diogo ligou para Natália, pediu inúmeras desculpas pelas atitudes do filho e disse que Natália poderia dormir tranquila pois Diogo já havia saído da cidade por receio da 'má fama' que ele havia conquistado aqui.

Depois de uma semana, Nat respirou fundo e voltou para o apartamento dela. Faz pouco tempo que ela saiu da casa dos pais, então ela mora sozinha no apartamento que aluga.

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