Capítulo 15

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Ano de 2005

Natália
As coisas entre Diogo e eu estavam aparentemente tranquilas, mas na verdade é o contrário. Eu sei que o que sinto é completamente repulsivo, mas eu sinto inveja de Elizabeth, inveja do cara que ela tem ao lado dela. Eu não tenho uma quedinha pelo Felipe, sempre o vi apenas como um amigo. Mas as vezes me pego pensando em como seria ter ao meu lado um cara como ele, que me valorizasse, que me admirasse, que me amasse e principalmente que me respeitasse.

No começo do nosso namoro, Diogo era o cara que eu sempre quis, mas com o passar dos dias ele foi me mostrando a sua verdadeira face. Ele nunca perde a chance de me humilhar em frente os amigos dele, de fazer piadas sobre mim, de deixar claro os meus defeitos. Eu finjo não ouvir, abaixo a cabeça e guardo dentro de mim as mágoas que isso me traz. As vezes me canso, as vezes me olho no espelho e penso que eu mereço algo melhor e termino o namoro. Mas ele sempre volta pra mim, ele aparece em frente a minha porta com presentes surpresa, com um sorriso na cara e com promessas que ele nunca pretendeu cumprir.

E eu sempre escolhi confiar nele, por duas, três, quinze vezes; e em todas as vezes eu me decepcionei. Já abaixei a cabeça, já calei a boca, já engoli o choro por ele. Já escolhi acreditar que aquele cara que me apaixonei no começo do namoro, que me tratava como uma princesa era real; mas aquele cara nunca existiu, foi apenas uma projeção de um cavalheiro dos contos de fada no século XXI.

Eu curso Moda na Universidade daqui da cidade e hoje pela manhã aconteceu algo. Eu estava no banheiro da Universidade testando qual dos dois batons que eu tinha na minha bolsa combinariam mais com a minha roupa. Foi quando três garotas que eu sequer conhecia olharam para mim de cima a baixo, deram risadinhas e trocaram alguns sussurros. Olhei para o espelho pra poder checar se havia algo de errado comigo, mas estava tudo normal. Resolvi perguntar:

- O que há de tão engraçado?

As garotas se entreolharam e soltaram mais uma risada. A que estava na ponta esquerda falou:

- Veja com seus próprios olhos no seu armário.

Saí em direção ao meu armário enquanto eu ouvia as três 'hienas' gargalhando no banheiro.

Havia uma pequena aglomeração em volta do meu armário, e quando passei por essas pessoas, vi colado na porta do armário uma foto. Uma foto do Diogo... com outra garota. Eles estavam se beijando na foto, a mão do Diogo estava posicionada na bunda da garota que por sinal, eu nunca havia visto antes. Aparentemente eles estavam na biblioteca daqui. Em volta da foto haviam palavras como: "Muuuuu", "Corna", "Burra".

As pessoas em minha volta estavam apreensivas esperando qual seria a minha reação. Eu arranquei a foto do meu armário e saí andando calmamente em direção a saída da Universidade enquanto eu me segurava para não chorar. Quando cheguei em casa, me desmanchei em choro, chorei tudo que havia dentro de mim, chorei todas as lágrimas que eu havia engolido nos últimos anos.
Tomei um banho gelado, comi tudo que encontrei e chorei mais um pouco. Quando olhei meu celular haviam 7 chamadas perdidas e umas 15 mensagens de Alicia e Elizabeth. Li apenas uma mensagem que dizia: "Beth e eu estamos preocupadas, meu bem. Você não está sozinha e nem nunca estará, estamos juntas contigo sempre. Você não precisa dele, você já é suficiente pra si mesma. Retorna as nossas ligações, se não der sinal de vida teremos que ir até a sua casa."

Depois de uns minutos decidi responde-las com uma mensagem: "Não venham aqui, quero ficar sozinha. Obrigada pelo apoio, mas eu preciso de um tempo só comigo". Em menos de um minuto a Ali respondeu: "Tudo bem, não se esqueça que te amamos. Qualquer coisa é só nos ligar que vamos correndo".

Mandei mensagem para Diogo: "Venha aqui depois do trabalho". Agora era só esperar ele chegar.

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