Um músico e uma bailarina que namoram há 7 anos começam a enfrentar problemas para conciliar a carreira e o relacionamento. Uma viagem à Salvador e a chegada de uma filha pode ser a solução para tudo ou o início do fim
Quando volto a abrir os olhos uma luz branca me cega, estou em um quarto irreconhecível, sinto meus braços presos em algo e minhas veias latejarem.
Desmaiei? Onde eu tô? E como eu vim parar aqui? Minha cabeça também dói, parece que um caminhão passou por cima do meu corpo e a última coisa de que lembro é de ter ido deixar Tomás no aeroporto e voltado para casa.
Escuto uma voz conhecida chamar meu nome, minha visão está turva e só consigo ver um borrão se aproximar de mim. Pânico. Pânico. Pânico. Será que estou morrendo? E isso aqui é o limbo entre o céu e o inferno? Nossa, bem diferente do que retratam nos filmes! — Aí maninha, graças a Deus você acordou! — Becky? Você também morreu?– Meu Deus por que estou falando tanta besteira? — Você não morreu, bobinha! Só desmaiou e eu te trouxe pro hospital! — E o que eu tenho? — O Doutor Alberto fez uma bateria de exames e está esperando você acordar para dar os resultados. – Falava tão rápido que eu mal conseguia entender.
E saiu correndo feito um raio, provável que para chamar o médico, as enfermeiras me deixando ali sozinha e confusa. As vezes, só queria ter uma irmã mais velha normal, eu amo a Bernada, ela cuidou de mim quase a vida inteira, é meu único referencial materno, mas todos nós sabemos que não bate muito bem da cabeça!
Retornou com o doutor em seu encalço, eu temi estar doente ou um possível retrocesso com relação aos transtornos alimentares que tive durante boa parte da adolescência. — Vejo que a senhorita acordou! Como se sente? Siga luz com os olhos, Okay? – Orienta apontando uma pequena lanterna na direção dos meus olhos. Faço o que pede. — Qual seu nome completo? — Carla Ferrer Pires — Qual sua idade? — Vinte quatro anos. — Lembra-se onde mora? Afirmei, Que porcarias de perguntas eram aquelas? — Quantos dedos eu tenho aqui? – Mostrou dois dedos da mão — Dois. — Bom, tudo bem com a sua memória e raciocínio,reflexos. — E o que eu tenho afinal? Minha saúde está comprometida? Por que tenho me sentido tão mal? Por que eu desmaiei? — A Sua saúde nunca esteve tão boa, acredite, senhorita Ferrer! Você e seu bebê estão ótimos.
Bebê? Que bebê? Eu não estou... Então tudo parecia fazer sentido a menstruação atrasada, o quadril mais largo, a mudança de humor repentina e de apetite. Meu deus, eu fantasiava isso todas as noites, mas não estou preparada para ser mãe agora e talvez nunca esteja. E como será a reação de Tomás? É uma grande responsabilidade, embora dissesse o tempo inteiro que a queria, eu tinha certeza de que era só para me agradar. Vou acabar solteira e com um filho para criar ao mesmo tempo que tento administrar uma empresa! Parabéns, otária!
Sem perceber estou me desmanchando em lágrimas de desespero, medo, nervosismo e tristeza. Como eu pude deixar isso acontecer? O que faço agora? Há quanto tempo eu estou grávida sem fazer a mínima ideia disso? — Pelos meus cálculos, acaba de completar 4 semanas – Quase que lendo meus pensamentos, o médico respondeu. — Amei, Amei, Amei,meu bebê vai ser mamãe! – Becky comemorou. Tive vontade de gritar que não havia nada de feliz nisso. — Peço que a senhorita se acalme, deve evitar qualquer tipo de estresse daqui em diante, está bem? – Disse o Doutor Alberto se atentando ao meu choro. Assinto com a cabeça, sentindo uma dificuldade enorme para falar. Ele se retirou informando que logo uma enfermeira viria aferir minha pressão e trazer uma refeição pra mim, já que faz mais de 24 horas que não me alimento.
Obedeço as orientações médicas e esforço para comer, a minha pressão se elevou, então ainda terei que passar mais um dia/noite em observação, só por precaução.
Definitivamente odeio me sentir inválida e era essa a sensação que os hospitais me passam. Para me distrair dos meus novos problemas, ligo a tv do quarto e fico zapeando os canais. maninha me entregou o celular, mas não tive coragem de retornar nenhuma das 110 ligações e as 400 mensagens de Tomás.
Não sabia como contar sobre a gravidez e também será melhor faze-lo pessoalmente. Foi então que me toquei, por que ele não estava aqui? Ele mentiu de novo, a carreira é prioridade em sua vida não eu.
O que me leva a pensar que não posso dar a infelicidade de um pai ausente para o meu filho, vivi sem a minha mãe por um longo tempo e questões como essa sempre me rodearam.
É uma decisão egoísta e um tanto precipitada,mas para essa criança Tomás estará morto.
— Posso ficar na sua casa por uns dias? – pergunto em um sussurro. — Até o Tomás chegar? Claro! – A animação em sua voz me assusta e sou obrigada a mentir. — É! Não quero ficar sozinha, estou precisando de um colo.
No dia seguinte, assim que recebi alta, voltei para o apartamento e arrumei todas as minhas malas com roupas e objetos que mais usava. Não podia permanecer morando ali, aquela casa contava a história do amor que eu queria esquecer que sinto ou que um dia existiu.
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Nota da autora: no Gif é a Michelle da minha imaginação hahaha, vocês querem faça um capítulo mostrando as redes sociais dos personagens tipo em Au? Se TD fosse um livro físico, vcs comprariam? O que acharam do capítulo de hj? Vou passar pano pra Carlinha, os hormônios ficam doidos durante gestão... Perdoem as loucuras da bichinha.