Um músico e uma bailarina que namoram há 7 anos começam a enfrentar problemas para conciliar a carreira e o relacionamento. Uma viagem à Salvador e a chegada de uma filha pode ser a solução para tudo ou o início do fim
Eu vinha passando mal com frequência, talvez fosse o excesso de trabalho e a insônia constante ou estresse me afligindo nos últimos dias. Malu me confidenciou que Tomás está determinado a ir a diante com o divórcio e aquilo deixou em Pânico.
Era mais um fim de tarde no On Beat, estava arrumando minha bolsa para ir embora, quando uma Michelle completamente pálida atravessou a sala. Corri para ampará-la. — Por Deus, você está parecendo uma vampira! E mais do que normalmente acontece. – Exclamei, ajudando a sentar na cadeira. — Não é hora pra gracinhas, Ferrer! – grunhiu e eu me assustei. — Qual seu problema comigo, Morgado? – Sentei na cadeira ao lado. — Meu problema é que eu tô grávida do SEU marido! – Revelou de uma vez e eu quase caí pra trás. — Como isso é possível? — Ah muito simples, lembra do dia que estávamos no barco? Fizemos uma tesoura logo depois que o idiota gozou dentro de você, o esperma deve ter escorrido para dentro de mim, segundo a minha ginecologista é a única explicação. E se prepara, porque se eu estou nesse estado, você também deve estar —Eu não posso.... Você não pode... Tem noção de que os papéis do divórcio estão prontos para serem assinados amanhã? – Levantei da cadeira e comecei a andar de um lado para o outro. — Calma, vamos dar um jeito, talvez nem precisemos contar pra ele, assim que você conseguir a guarda de Catarina, nos mudamos para Miami, podemos abrir outra sede do on beat lá,as crianças vão ser muito bem cuidadas e amadas só por nós, enfim ficaremos juntas, me parece perfeito. – pediu.
Eu estava a ponto de arrancar os cabelos e a Chelle planejando nossa nova vida bem diante dos meus olhos, uma vida que eu não queria pra mim e nem para os meus filhos. Claro que a amo, mas não o suficiente para formar uma família com ela.
Não o suficiente para desfazer a família que já tenho, para privar Tomás de conviver com Catarina e os outros bebês. Era o que eu precisava para fazê-lo mudar de ideia, sei que não terá coragem de me deixar, sabendo que estou esperando um filho dele, esse que ele tanto queria e eu o convenci a esperar mais pouco, sem saber que não teríamos tempo para esperar.
Fiz alguns exames no início da semana e estava para ver o resultado quando chegasse em casa. Caminhei até o outro lado da mesa, religuei o computador e acessei o site da clínica, nossos resultados exatamente iguais á 11 meses atrás, agora não é mais uma suposição, estou grávida de novo.
E de novo eu quis gritar, chorar e pôr o mundo abaixo, como pude bagunçar a minha vida assim? Naquele resultado estava minha chance de concertar as coisas.
Só necessito parecer fragilizada o bastante para não ter que explicar nada além do óbvio para o meu quase ex marido.
Respirei fundo, peguei a bolsa e sai da sala sem olhar para trás. O deslizar do tênis da colombiana no chão denunciava que ela estava me seguindo.
— Que porra você pensa que tá fazendo, Carla? Se envolveu comigo, jurou que correspondia aos meus sentimentos, mas não é capaz de abrir mão de nada por nós? Olha a circunstância até onde o seu egoísmo nos trouxe! – Puxou-me pelo braço fazendo ficar de frente para ela. — EU ARRUINEI MEU CASAMENTO POR SUA CAUSA, MICHELLE! TRAÍ A CONFIANÇA DE QUEM MAIS AMAVA PARA NÃO TE DECEPCIONAR E VOCÊ ME FEZ COM ESSA DE EGOÍSTA? — Você fez tudo isso porque QUIS! Foi atrás de mim porque ter apenas uma pessoa te amando e totalmente rendida, quer tudo e todos aos teus pés.
Recomeço meu caminho até a saída, ela me segurou e empurrou contra parede, senti uma dor nas costas.
— Tem certeza de que quer mentir para ele mais uma vez? Se você não contar! Não vai se safar das loucuras que aprontou, está me entendendo bem?! – Os olhos verdes hipnotizantes tornaram-se ameaçadores.
No que ela tinha se transformado? Num monstro?
— Me deixa Lauren Michelle, me deixa em paz, cuida da tua vida!!! – A empurrei a afastando de mim.
Cheguei ao estacionamento aos tropeços com a visão turva pelas lágrimas que se formataram em meus olhos. Meu celular tocou, era Maria Luiza. Querendo falar sobre a audiência de amanhã, não estava com cabeça para isso e o final dessa história era um só: — Sei que é difícil, mas cancela tudo para amanhã, o processo de divórcio, o da guarda da guarda de Catarina. Não vamos precisar disso, vai por mim. – Tentei soar o mais firme possível. — Farei o que for preciso, chefinha cheirosa! Que bom, você ter encontrado uma maneira melhor de resolver isso. — Nem imagina o que houve... – Desliguei antes que perguntasse.
Dirigi até em casa com o corpo trêmulo temendo causar um acidente, minha pressão começara a baixar e alguns sentidos não me obedeciam. Foi um verdadeiro milagre chegar viva ao estacionamento do prédio.
Aos tropeços, caminhei para fora do carro,fico escorada na porta enquanto o encaro e espero vir em minha direção. Isso é tudo que eu me lembro, pois logo depois todo ambiente escureceu a minha volta.
Não sei quanto tempo depois, eu despertei já em casa, no meu quarto, com ele passando a mão no meu cabelo e quando abri os olhos, fez menção de se levantar e sair, mas o impedi e contei a novidade.
Tomás reagiu da maneira que eu esperava e desejava. Por longos minutos, foi como se não estivéssemos brigados. — Acha que é menino ou menina? – Pergunto. Suas mão estão acariciando minha barriga. — Outra menina, minha segunda princesinha, tenho certeza de que Cat vai adorar ter uma irmãzinha pra brincar. — Ainda não desistiu de ter cinco filhas? – Gargalhei contra seu pescoço. — Claro que não! Ainda vamos ver essa casa toda bagunçada, repleta de nossas crianças. – Sorriu, não controlei a vontade de beijá-lo.
Mais tarde, Clara nos entregou Catarina e foi pra casa. Minha Moranguinho estava falante e carinhosa. Dizendo que queria sua festinha do Aladdin logo: — Cat vesti jasmine, mamã! — Sim, meu amor! Vai ficar linda de Jasmine, igualzinho mamãe. O que mais você quer? — papa cantá pla Cat. – Bateu palminhas. — Canto, meu amor! E mamãe não canta? — mamã sóh dança. — Só?
Aquela garotinha e o bebê que está por vir são a minha felicidade em forma de gente e sou capaz de qualquer coisa por eles.
Naquela noite, a Moranguinho dormiu conosco, eu não queria soltar a minha menininha e nem ela à mim, Tomás dizia que ficaria ali para nos proteger dos montrinhos em baixo da cama.
Pela primeira vez em meses, dormi tranquilamente.
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Nota da autora: Falta dois capítulos para acabar a fic, a autora tá doida tentando finalizar logo e focar na 2 temporada. Lembrando que dia 14 é aniversário da mocinha que vós escreve.