Capítulo 43

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DAY

Nossa primeira manhã juntas depois de tanto tempo foi uma correria. Acordei atrasada para a reunião na gravadora.

Termino de abotoar minha blusa enquanto Carol enfia um pedaço de torrada na minha boca.

- Baby, tô muito atrasada. - Falo de boca cheia.

- Amor, você não vai sair sem comer não. - ela enfia mais um pedaço na minha boca e em seguida aproxima um copo de suco que eu tomo às pressas.

- Hmmm. Chega baby. Já comi. Me dá um beijo - falo já puxando a boca de Carol para um selinho.

- Tchau, se cuida. E não esquece que vamos ao mercado hoje.

- Tá bom, amor. Tô indo.

Entro no uber que já estava me aguardando.

- Oi, bom dia… - olho para aplicativo para ler o nome do motorista - Marcos.

- Bom dia, senhorita Dayane. 

- Day… É só Day mesmo.

Ele me olha pelo retrovisor.

- Certo. Bom dia, Day.

Meu telefone toca.

- Oi Isa, bom dia.

- Day, tá todo mundo aqui já!

- Eu sei, eu sei. Chego em 10 minutos.

Marcos me olha novamente pelo retrovisor, sabendo que em 10 minutos eu não estaria nem na metade do trajeto.

- É rápido, Isa. Tá, eu sei. Segura as pontas aí.

Enfio o celular na mochila e começa a tocar de novo.

- Isa, eu não vou demo…

- ISA? É CAROLINE, DAYANE!

O áudio sai em alto e bom som, sem que eu precisasse colocar no viva voz.

- Puta que pariu! Minha namorada vai me matar pelo celular, moço. - digo cobrindo o microfone do celular e ele ri do meu desespero.

- Ah o-oi, amor… Desculpa, é que me ligaram agora da gravadora… É, mas eu trabalho com ela… Ela ligou essa hora porque é assunto de trabalho e eu tô atrasada, amor. 

Respiro fundo e só ouço pelos próximos 2 minutos.
De vez em quando o motorista olhava para o retrovisor para se certificar de que eu ainda não tinha infartado no banco de trás.

- Não, eu não troquei seu nome, amor. Como é que vou trocar, sendo que eu penso em você 24h por dia? - falo no tom mais calmo que consigo - Tá bom. Assim que terminar lá eu te aviso pra gente fazer as compras. Quer me esperar na gravadora? A gente aproveita e vai de lá. Ok. Eu te amo, ruivinha.

Ufa! - falo ao desligar o celular.

- Dia cheio? - Ele pergunta.

- Ô, nem fala!

- Vou te dar um conselho, jovem. Nunca atenda o celular falando nome de mulher, principalmente se não for da sua. Experiência própria em trinta e cinco anos de casado.

- Certo. Acabei de aprender isso na prática. - falo e ele solta uma boa gargalhada enquanto seguimos o trajeto.

Entro na gravadora praticamente correndo. Hoje tínhamos marcado uma reunião com um novo sócio da gravadora e ele quis pessoalmente conhecer os cantores que assinaram contrato recentemente.

- Ei, ei, ei, diminui o ritmo, gata! Ainda não começamos porque o novo sócio se atrasou também. - Isa fala colocando a mão no meu ombro.

- Ótimo! Por um segundo eu achei que daria ruim. Não quero causar uma má impressão logo de cara.

- Vem, vamos tomar um cafézinho. - ela sai me puxando pelo braço.

Deu tudo certo no final das contas. Sento na recepção esperando Carol chegar.

- Ei, Day. Dá uma olhada nessas opções que a agência mandou para a capa do EP - Isa senta ao meu lado com um iPad.

Estamos concentradas olhando as opções, quando Carol chega com tudo.

- Oi, amor - puxa meu rosto e me beija de língua - demorei?

- Não. Chegou rápido até. - tento responder como se não estivesse nervosa de ter as duas ali no mesmo ambiente.

- Isa, tudo bem… flor? Quanto tempo, hein! - Carol fala num tom sarcástico.

- Oi Carol,  tudo bem. Pois é, você está de volta né? Que bom! - Isa responde naturalmente e sem dar muita atenção.

- Eu vou te mandar isso aqui e aí você vê com calma, tá?

- Tá bom, Isa. Vou indo então. - levanto rápido e puxando a Carol pela mão para evitar mais atrito.

Isa sai da recepção e eu me viro para Carol.

- Vamos? 

- Vamos… Essa Isa tá sempre por perto né.

Aproveito que ela falou baixo e finjo não ter ouvido. Aperto ela pela cintura, dando vários beijos no pescoço enquanto caminhamos.

- Gostosa, senti tua falta. - falo em seu ouvido e ela se derrete num sorriso meigo. - Como foi seu dia hoje?

- Eu diria que foi produtivo. Dei uma geral no apartamento e depois fui visitar os pais do Nando, agradecer o pai dele por me colocar em contato com a gravadora né.

- E o Nando? - resolvo perguntar fingindo não sentir irritação.

- Ah ele tava lá, mas não demorou muito precisou sair. Daí fiquei conversando mais um pouco com os pais dele e depois vim pra cá. 

- Entendi, gatinha. Fico feliz por você. Não vejo a hora de você assinar o contrato logo também. Dizem que essa gravadora é ótima.

- Ahan, exatamente. Andei pesquisando sobre isso. Agora as coisas vão finalmente dar certo, amor.

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