Epílogo

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Nem acredito que chegamos ao final dessa história. Nem acredito que, enfim, terminei meu primeiro romance de época! A maioria de você sabe que não é o meu gênero favorito e que, por não gostar muito dos enredos que li, decidi escrever um que fugisse completamente do que estava acostumada. Sinceramente, eu não sei se consegui isso como 'O Mais Belo Vermelho', porém, eu fiz o meu melhor e dediquei todo o meu coração a essa história.

Estou feliz pelo resultado!

Quero agradecer a todos que me acompanharam até aqui. Foi um desafio escrever cada capítulo, fazer tantas pesquisas, ler e assistir tantos conteúdos de época... Foi uma saga kkkk

Sai totalmente da minha zona de conforto com essa história e, admito, gostei bastante de escrever um romance de época. Retratar assuntos que geralmente são esquecidos ou pouco abordados nesse tipo de gênero, e que são importantes para mostrar que não são "atuais". O ser humano já lida com eles há muito tempo, às vezes, marginalizados e entre as escondidas.

Enfim, acho que era isso o que eu gostaria de falar, mais uma vez obrigada por todo o apoio e carinho. Pelos votos, comentários, e tudo mais. Sei que não costumo responder com muita frequência, mas eu li todos, e levo cada palavra em meu coração. Essa história não seria nada sem vocês.

Tenham um excelente final de ano. Festejem muito, porém, continuem se cuidando. Não aglomerem e usem máscara! Vamos trabalhar duro para que em 2021 possamos comemorar com nossas famílias e amigos, possamos abraçá-los, e todos estejam seguros e com saúde.

E vamos como epílogo!


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Paris – 1816


A sala de concertos do Conservatoire National Supérieur de Musique et de Danse de Paris encontrava-se lotada. Tudo porque dois dos mais aclamados alunos fariam sua primeira apresentação àquela noite. Após a formatura com louvores e milhares de convites para ingressar em diversas orquestras e filarmônicas ao redor da Europa e até mesmo na América.

Sentados na primeira fileira, como não poderia deixar de ser, Julien e quem acreditavam ser a sua esposa aguardavam ansiosamente pelo início da apresentação. Foram praticamente três anos enganando toda a instituição, entre idas e vindas nas aulas de composição e instrumental, para que ambos pudessem estudar o que tanto desejava. E que, apesar dos riscos, funcionara.

Eram semelhantes em todos os sentidos. Nunca levantavam suspeitas.

Naquela noite, diante de todos, o violoncelo dela interpretaria uma composição dele.

A vida em Paris, para os quatro, não poderia ser melhor. Viviam em uma confortável casa num bairro nobre da cidade e fizeram bons amigos. Os negócios dos quais Julien fora incumbido pelo cunhado estavam prosperando cada dia mais. Havia também segurança para Eloïs e Christian, uma vez que sodomia não era considerada um crime na França, motivo pelo qual escolheram viajar com os irmãos assim que receberam a notícia de que partiriam da Inglaterra.

Christinie ajudava o marido com os negócios em casa e, de vez em quando, trabalhava como voluntária em um orfanato. Além de servir como tradutora do romance que Adelyn almejava publicar na França, aproveitando a fama que ganhar na terra natal, embora recebesse mais ajudando Daryl com os pacientes. Ainda assim era meio caminho andado para seu sonho.

A rotina que mantinham, embora incomum, tinha seus momentos de normalidade.

Durante a noite, reunidos em torno da lareira, eles liam as cartas enviadas pelos amigos e familiares: Lean e Suzanne esperavam o terceiro filho; Augustus pretendia se casar outra vez; Nathaniel e Gerard entraram na escola; Frederick e Mark pensavam em viajar o mundo; Beatrice mostrava-se uma condessa respeitada e admirável, melhorando o condado dos Dufour; Joseph e a esposa estavam em Viena com os dois filhos adotivos; Queeny seguia no convento.

A vida de todos mudara completamente.

Mesmo com seus altos e baixos, e caminhos diferentes, todos encontraram a felicidade.

As pesadas cortinas de veludo se abriram, revelando um belo piano de causa e um violoncelo Stradivarius, e os interpretes da noite entraram no palco ao som de uma salva de palmas. Seus olhares foram direto para a primeira fileira, encontrando ali as pessoas que tanto amavam. Eloïs tocou inconscientemente o anel que levava no pescoço e quem pensavam ser Christian tocou a aliança guardada cuidadosamente no bolso, por cima do tecido da calça; curvaram-se.

Naquela noite, o violoncelo de Christinie interpretou a composição do irmão, sendo acompanhada pelo grande amor da vida dele. Enquanto, da plateia, seu grande amor assistia.


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