Capítulo 57 - Plano encerrado. Planos que desmoronam

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A chuva forte castigava o ducado de Northumberland. O clima esmorecera.

Através da janela, Julien observava as gotas pesadas caírem no gramado encharcado dos dias anteriores, enquanto tragava um charuto. Ele não tinha o hábito de fumar, não era algo que realmente apreciava, mas necessitava extravasar o nervosismo e aquilo lhe acalmava. Ao menos, quando não tinha a opção de caminhar ao ar livre, como acontecia naquele momento.

Ele não se virou no que o ruído da porta sendo aberta soou pelo quarto e nem quando seu ombro foi tocado em um aperto familiar. Soprou a fumaça para o alto e esperou que o irmão falasse.

— Foi tão ruim assim?

— Pior do que imagina. — suspirou e tragou novamente.

Eloïs lamentou e põe-se a observar também. Um ao lado do outro.

Estava ciente da conversa, pois, seu irmão comentara em sigilo pouco antes de subirem para os quartos. Bem como sabia que o conteúdo desta não lhe agradaria em nada. E suas suposições se fizeram corretas à medida que Julien começou a narrar toda a discussão que tivera com o pai e o desfecho desagradável que tomou. Eloïs não escondeu sua indignação a cada palavra dita e Julien, mais irritado do que antes, soprou outra vez a fumaça espessa e falou:

— Acho que teremos de recorrer a última saída, El.

Cruzando os braços, o caçula soltou um longo suspiro, e murmurou:

— Fugirmos, você quer dizer?!

— Exatamente. — bateu as cinzas no borralho para dar outro trago em seguida — Eu não menti ao dizer que estava disposto a tudo. Queria resolver as coisas de uma maneira civilizada, mas é claro que nosso pai não aceitaria isso, e eu nem sei porque acreditei que poderia fazê-lo.

— Esse é você, Juli. Sempre buscou saídas que não ferissem a ninguém, ainda que você mesmo acabasse ferido no meio do caminho. E eu admiro seu altruísmo, embora, às vezes, tenha lhe considerado um tolo. — riu anasalado e espiou o irmão de soslaio — Eu nunca agradeci todo o cuidado que dedicou a mim, durante todos esses anos. Ainda que eu não seja mais aquele garoto tímido e mirrado de outrora, sou imensamente feliz por ser o teu irmãozinho.

— El...

Uma quietude incomum pairou sobre os dois. Como se prenunciasse que algo fosse acontecer.

Eloïs respirou fundo, ciente de que era a chance de devolver tudo o que seu irmão fizera, e virou-se para encará-lo. Fechou os olhos brevemente para reunir coragem e então proferiu:

— Aceite a proposta e deixei que eu tome o seu lugar.

Julien arregalou os olhos de tal forma, que, por um segundo, pensou que saltariam para fora. Seu coração bateu dolorosamente contra as costelas; Eloïs esboçou um sorriso compassivo, mesmo inseguro, e ambos se encararam no completo silêncio. Isso até o caçula dizer:

— Conheço nosso pai e ele fará de tudo para impedir que vocês fiquem juntos. Mesmo se fugirmos, não duvido que mandará procurar-nos pelo mundo, e sabemos que ele nos achará. Entre nós dois, eu sempre soube, que você tinha mais chances de conseguir a sua felicidade.

— Eu não vou permitir isso, Eloïs, Nunca!

— Seja sensato, irmão.

— Não! — bateu com o charuto para apagá-lo e segurou firmemente os ombros do irmão — Olha-me e preste atenção: eu nunca, nunca, vou permitir que se sacrifique por mim. Entendeu?

— Juli...

— Você disse que, se chegássemos a esse extremo, iriam conosco. Que não tinham lugar aqui, pois, ninguém iria aceitá-los. Mas ao meu lado e o de Christinie, vocês sempre terão esse lugar. — sacudiu-o involuntariamente — Nós fizemos uma promessa! De mindinho, lembra?

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