Capítulo 07 - Estranhezas

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Christinie cruzou o jardim irritada. Suas passadas longas e pesadas denotavam isso.

Como ele se atrevia? Depois de ignorá-la pelo o que aconteceu há dois dias atrás, ainda tinha o despeito de agir todo protetor?

Ah, faça o favor!

Claro que ela tinha percebido o afastamento do rapaz e, de certa forma, concordava que era o melhor a ser feito. Ele era o noivo de sua irmã mais velha e tinha consciência de que se comportou imprudentemente ao entrar no quarto do rapaz, e ainda mais insistido para que lhe desse o tal hanbok. Mas a verdade é que o senhor Dufour, misteriosamente, lhe inspirava essas atitudes.

Christinie cogitou em subir até o quarto de Suzanne para perguntar se estava tudo bem, afinal sentia-se culpada por sua irmã ter sido repreendida pelo noivo. Porém, ouvindo os murmúrios dos criados sobre o ocorrido e em como a mais velha parecia contrariada, preferiu poupar o esforço. Poderia pedir desculpas depois – embora soubesse que muito provavelmente seriam palavras em vão.

Afastando-se da propriedade, a jovem foi para o único lugar em que conseguiria ficar sossegada, ou ao menos tentar. Cruzou algumas árvores e, para sua surpresa, avistou o irmão sentado na relva abaixo do grande carvalho. Ele rabiscava algo no caderno de desenho, concentrado demais para notar sua aproximação.

Christinie sabia que o irmão só buscava o isolamento quando estava muito cansado e precisava de um tempo longe de tudo e de todos. Também sabia que não deveria importuná-lo, mas ele era o único com quem poderia desabafar, e carecia de fazê-lo naquele momento.

Christian que a perdoasse depois.

Ansiosa para contar o que aconteceu, sentou ao lado do irmão sem prévio aviso, assuntando-o e fazendo com que fechasse o caderno de imediato. Christinie bufou impaciente. Demorou alguns segundos até que eles se entreolhassem e a jovem viu a indagação no rosto do gêmeo. Ela estendeu a mão e Christian lhe entregou o caderno aberto em uma página em branco, a seguir o lápis que ainda segurava.

A garota põe-se a escrever o máximo que conseguia em uma folha e devolveu ao irmão para que lesse. Ele ergueu os olhos assim que terminou e a encarou.

Ficaram em silêncio.

Christian conhecia muito bem a irmã gêmea e seu temperamento um tanto indomável. Ela tinha respostas muito ácidas para uma dama e um coração tão selvagem quanto o de um potro arisco, mesmo sendo gentil e curiosa a maior parte do tempo. Surpreendia-o vê-la chateada daquele jeito, ainda mais por causa de um homem, o que nunca acontecera antes, apesar dos pesares. E não era um homem qualquer e sim o noivo de Suzanne.

Sim, era algo incomum. Mas ele não sabia se estava em condições de dizer o que era ou não era incomum devido as próprias circunstâncias.

Os dois continuaram conversando através do caderno.

Em dado ponto, enquanto o irmão lia, Christinie reparou em como o semblante dele parecia diferente. Ele era calmo a maior parte das vezes, mas a inquietação em seus olhos a intrigou.

A ligação que tinham indicava que algo estava errado.

— Você também está estranho hoje. Aconteceu alguma coisa? — indagou ela em voz alta.

Christian hesitou antes de balançar a cabeça e soltar um longo suspiro, recostando na árvore e deixando o olhar vagar pelo horizonte. Christinie o respeitou. Provavelmente o irmão somente estava cansado demais para querer manter uma conversa mais longa. Tinha que deixá-lo em paz por hora, especialmente porque ele lhe dera atenção mesmo em seu momento de pausa.

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