Capítulo 34 - Todas as imperfeitas coisas

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Julien sentia-se angustiado. Desde o passeio no Hyde Park, seu ruivinha andava estranha. Cabisbaixa e quieta, o contrário do que costumava ser normalmente, e isso era devera preocupantes. Principalmente porque faziam três dias que ela se encontrava desse jeito.

Ver seu raio de Sol perder o brilho e não saber por qual motivo estava o matando.

O que estaria acontecendo, afinal?

Ele queria conversar, tentar ajudá-la se fosse o caso, mas Christinie havia criado um muro invisível entre os dois. Tanto que não fora procurá-lo nesses dias e o fato de ter voltado as atividades com o duque não colaborava em bulhufas, o que somente aumentava a distância.

Chegou a pensar que talvez tivesse feito algo pudesse tê-la magoado, mas não lembrava de nada. Logo, acreditou que não fosse o problema em si, embora se achasse em parte dele.

Um dos tantos detalhes de estar apaixonado e que Julien aprendia aos poucos era que, se sua amada não estivesse bem, consequentemente ele também não estaria. Pois, era angustiante vê-la entristecida, e, mesmo desconhecendo a razão, ele conseguia sentir profundamente a dor dela. De maneira tão pungente que, às vezes, tinha a impressão de que era como se fosse sua.

Havia uma ligação muito forte entre eles. Seus corações estavam interligados pelo amor.

Ele queria compartilhar tudo com ela, porém, julgou que seria melhor dar o espaço que a ruivinha claramente precisava ao impor tal afastamento. E assim aqueles dias se seguiram.

No entanto, na manhã do quarto dia, quando tentou sutilmente tocar a mão dela e foi rejeitado, mais do que a dor em seu peito, soube que era o momento de tomar uma atitude. Além da rejeição, o olhar que Christinie lhe dera fez seu coração palpitar e não de um jeito bom.

Por isso, Julien decidiu que seria ousado: visitaria o quarto dela a noite.

Uma vez que o pai e os Dufour saíram, Christinie subiu para o quarto e se fechou ali com seus pensamentos e inseguranças. Ela odiava sentir-se daquela maneira, mas as palavras de Eloïs continuavam reverberando em sua cabeça e contagiando-a com aquela sensação ruim. De insuficiência, de humilhação. Especialmente porque se dera conta do motivo de seu pai deixá-la sair com os rapazes sem a presença de uma dama de companhia. Era porque ele simplesmente acreditava que ela não poderia despertar o interesse de ninguém por conta de sua condição. Afinal, quem desejaria desposar uma moça que não conseguia gerar herdeiros?

A maior parte das famílias que frequentavam Londres na alta temporada sabiam da história.

"Nunca permitam que o mundo magoe vocês, m'ainglean, não importa o quão difícil ele se mostre ou o quanto ele tente. Sigam sempre em frente". Ela tentou se apegar as palavras da mãe, que sempre rememorava quando sentia que estava prestes a ser esmagada. Mas porque era tão difícil naquele momento? Oh, sim, talvez pelo fato de nunca ter se apaixonado antes.

Era muito mais fácil erguer a cabeça quando era somente ela. Quando se contentava em viver sem ansiar por ninguém, à sombra de suas vontades e com o coração fechado para o amor.

Ser diferente, embora tenha influenciado sua vida de diversas formas, ganhara outro peso. Um que esmagava seu coração e seus sonhos tão fúteis. O peso de uma realidade que só traria infelicidade para o homem que amava, mesmo com ele dizendo que não dava importância.

Sim, talvez ele não desse naquele momento, mas Christinie pensava no futuro e em como suas descendências estariam fadadas a desaparecer. Depois que morressem, não haveria mais ninguém, apenas o vazio daquela complicada história de amor. Ou ele poderia simplesmente cansar e procurar por uma mulher que dar-lhe-ia os herdeiros que ela jamais seria capaz.

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