Sentado na sala de estar com partituras nas mãos, Eloïs aguardava a chegada do rapaz que se oferecera para levá-lo ao conservatório e que o duque comentou ser filho de um conhecido. Ele e seu irmão haviam saído pela manhã para visitar um provável investidor.
Mesmo não querendo admitir, nem para si próprio e nem para os outros, sentia-se ansioso com a tal visita. Afinal de contas, era a oportunidade de iniciar sua carreira e ainda estudar em uma boa instituição, como tinha planejado quando aceitou viajar para a Inglaterra.
Por isso estava rabiscando algumas notas enquanto esperava, pois, era algo que sempre fazia para se concentrar ou acalmar os nervos. Dedilhava o ar em um piano imaginário, buscando a consonância perfeita, no momento em que uma senhora vestida com o uniforme da criadagem entrou no cômodo seguida por um jovem alto e de cabelos escuros.
De tão focado, só notou presença de ambos no que a empregada chamou:
— Senhor Dufour?
Eloïs ergueu a cabeça e olhou para a senhora, e em seguida para o rapaz distintamente aprumado que a acompanhava; colocou as folhas em cima da pasta de couro e levantou.
— Olá, eu sou Eloïs. — estendeu a mão para cumprimentá-lo.
— Muito prazer. Eu sou Frederick. — retribuiu. Houve uma longa troca de olhares até ele completar — O duque falou bastante sobre você. E, claro, sobre o seu talento como pianista.
O Dufour sorriu educadamente, agradecendo ao elogio, e então o convidou a sentar.
— Gostariam de um pouco de chá? Ou uma limonada? — indagou a criada.
— Eu gostaria de uma limonada. — respondeu Eloïs, que olhou para o visitante — E o senhor?
— Por favor, sem formalidades. — corrigiu — Eu também gostaria de uma limonada.
A senhora anuiu e se retirou, deixando os rapazes sozinhos.
— São composições suas? — questionou Frederick, vislumbrando o amontoado de papel que Eloïs apanhava para dar-lhe espaço no sofá.
— Sim. Mas a maioria está incompleta.
— Seria muita intromissão se eu pedir para ver uma delas?
— Oh, claro que não. Fique à vontade.
— Obrigado.
Frederick pegou uma das partituras, sentou e a analisou cuidadosamente a composição inacabada de Eloïs, não escondendo a admiração perante aquilo que se tornaria uma bela música.
— Estou impressionado. — comentou — E nem está terminada.
— Por favor. — contestou o Dufour — Tenho muito o que melhorar.
— Não seja modesto. O senhor Hugh estava certo em elogiá-lo tanto.
A empregada logo apareceu com os copos de limonada e serviu aos dois.
Eles prosseguiram com a conversa enquanto desfrutavam da bebida. Além de mais alto, Frederick era quatro anos mais velho e tocava violino. Se formou como um dos melhores alunos do conservatório em que estudara e passou a se apresentar em alguns dos bailes mais prestigiados de Londres, tornando-se uma atração bastante requisitada pelos aristocratas da cidade.
— Com o interesse crescente em música e artes, muitos estados querem financiar jovens talentos e escolas onde os novos músicos possam ser ensinados. — disse Frederick — Vir para Londres foi a decisão certa. As chances de ingressar em uma instituição são maiores na alta temporada.
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O Mais Belo Vermelho
RomanceJulien Dufour está enredado em um casamento arranjado com a filha mais velha do Duque de Northumberland, amigo de longa data e sócio de seu pai. Sabendo de seus deveres como primogênito e herdeiro, ele nunca se opôs a ideia de expandir os negócios a...
