Capítulo quarenta e quatro

26.7K 1.8K 336
                                        

Estamos na segunda semana de agosto, e esse mês é o auge do verão em Londres.

Como acontecem férias escolares no Reino Unido e na Europa nesta época, a cidade fica muito cheia e enfrentamos filas enormes para as atrações.

E hoje, parece que todo mundo resolveu sair para um passeio, a cidade está lotada, o calor está insuportável.

Porém, o dia está lindo.

-Aonde vamos?_pergunto a John depois de entrarmos em seu carro e ele ligar o mesmo.

-Surpresa!_ele responde com um sorriso bobo.

-Uma dica?

-Não.

-Nada?

-Nadinha.

Ele solta uma risadinha, reviro meus olhos e deixo meus ombros caírem desanimados, estou muito curiosa e eu odeio suspense.

Na semana em que John me fez o convite, tivemos que adiar o mesmo, pois Hector precisou viajar a trabalho e automaticamente eu precisei ficar com as crianças.

Confesso que me senti aliviada por ter que adiar meu passeio com John, estava um pouco insegura quanto a sair com ele. Mas hoje, hoje eu não tive escapatória.

Sei que poderia inventar algo e lhe dá alguma desculpa esfarrapada, mas decidi não fazer isso, tudo o que eu preciso no momento é distrair-me e tirar Hector da minha cabeça por um momento, mesmo que por um curto período.

Eu não quero pensar nele.

Não quero pensar na promessa que ele me fez quando estávamos na praia do Havaí.

Ele prometeu não me machucar, mas na primeira oportunidade, foi justamente isso que ele fez. Hector não sabe dos meus sentimentos por ele, talvez eu não o diga nunca, mas independente disso, eu só queria que ele percebesse o quanto me feriu.

Céus...pode parecer besteira, mas a proximidade de Hillary, o jeito que ela se joga nele...aquilo me irritou!

E eu me pego pensando, será mesmo que ele não percebeu?

Ou talvez ele tenha percebido, mas só queria alimentar seu ego e fingiu não ter visto nada.

Olho pela janela do carro e encaro a cidade. Gosto de Londres, a cidade é realmente muito linda, tem diversos pontos turísticos, ela respira cultura, fora a diversidade gastronômica e a educação de qualidade.

John e eu estamos em completo silêncio. Por isso, eu ligo o rádio do carro e, por incrível que pareça, está passando uma noticia sobre Hector Thompson, meu chefe. Não espero a voz máscula do locutor dizer mais nenhuma palavra e imediatamente mudo a estação, que toca uma música animada, porém desconhecida para mim.

John me olha de canto de olho, mas não diz absolutamente nada e eu agradeço mentalmente por isso.

Demoramos cerca de trinta minutos até chegarmos no Tâmisa. Demoraríamos menos se fossemos de metrô, o trânsito em Londres tem se tornado cada vez mais difícil de se lidar. Apesar de ser uma cidade aparentemente aconchegante, na maioria da vezes ela só é rápida se você optar por usar o metrô.

-London Eye?_pergunto para John, apontando para a roda gigante no instante que ele estaciona seu carro.

John abre um sorriso e acena negativamente antes de sairmos de dentro do veículo.

-Não._ele aponta para o Tâmisa.-Barco no Tâmisa.

Abro um sorriso largo e sincero e noto que John acaba se tranquilizando pelo fato de eu ter gostado do lugar escolhido por ele.

Estupidamente ArroganteOnde histórias criam vida. Descubra agora