𝟺𝟻

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Meu corpo ficou pesado de repente, o ar em meus pulmões começou a ficar falho. Parecia que um peso enorme tinha sido jogado sobre mim, eu não conseguia me mexer direito. Estava completamente paralisada.

Ouvi um grito feminino, era um grito de dor.

Abri meus olhos, tentando me situar e ainda senti aquele enorme peso em cima de mim. Houve uma correria, e percebi que o peso era o corpo de Victoria, ela estava em cima de mim. Havia muito sangue em suas roupas e ela gritava de dor, agonizando cada vez mais.

Ela se jogou para o lado, para sair de cima de mim. Victoria respirava com dificuldade e estava chorando.

- Olha o que você fez, eu te odeio — Júlia gritou, de forma histérica. Ela apontou a arma pra mim novamente, seu rosto era um misto de expressões, que variavam de tristeza à ódio. — Eu vou acabar com você.

Carlos correu pra cima dela, para tentar conter sua irmã. Fui para o lado de Victoria, Júlia atirou mais uma vez e meu namorado gritou de dor.

Akira foi ajudá-lo e segurou forte no pulso de Júlia, tentando levar a arma para o oposto de seu corpo. Ele agarrou o braço de Júlia e o torceu para a direita de seu rosto, longe da posição inicial que ela estava. Depois de fazer esses movimentos, Akira virou Júlia e a jogou no chão, segurando o braço em que estava a arma e pegando-a.

Carlos segurava forte sua coxa, e vi muito sangue em suas mãos. Eu não sabia quem acudir, Victoria estava agonizando e meu namorado também. Júlia estava no chão e percebi que Nathan estava tentando se aproximar de Akira com algum objeto cortante.

Levantei depressa e segurei o corpo de Nathan, que desferiu uma facada em meu braço, acertando de raspão. Foi o tempo que Akira percebeu o ocorrido e fez a mesma manobra de desarmamento que fez com Júlia, o jogando no chão ao lado dela.

Meu braço doía demais, era uma sensação latejante. Akira me deu a arma.

- Segura, não deixa esses dois saírem daí — ele pediu, mantendo a arma apontada pra Júlia e Nathan, que estavam no chão.

Segurei firme a arma, e Júlia não parava de chorar. Eu estava ofegante e sentindo bastante dor no braço, Carlos foi para o carro tentar fazer algo pra estancar seu ferimento na coxa. Victoria continuava no chão, havia sangue saindo de seu pescoço.

- Akira, por favor, salva a minha irmã — Júlia gritou, suplicando, enquanto estava no chão.

Ele foi até Victoria e tirou a blusa, tentando estancar o sangramento em seu pescoço. Infelizmente, ela já havia perdido muito sangue.

- Chama a ambulância, Steph — Akira pediu ao ver que ela havia conseguido se soltar.

A ruiva foi até o carro, onde Logan estava com aquele bebê. Ela pegou um celular e começou a discar um número, que deduzi ser da ambulância.

Os dois ainda estavam sob minha mira, ali no chão.

- Deixa eu falar com ela, por favor — Júlia pediu, ela parecia desolada e ansiosa — Eu não quero fazer nada, eu só quero falar com ela. Deixa eu falar com minha irmã.

- Deixa — Victoria disse, de maneira rouca. Seus olhos estavam quase fechando, ela estava sem forças diante da poça de sangue que se formava ao redor de seu pescoço.

- Meu amor, não se esforce tanto — Akira pediu, ele estava controlando uma crise de ansiedade.

Me afastei um pouco, ainda deixando os dois sob a mira da arma e tentando ignorar a dor no braço. Júlia foi correndo até sua irmã, que estava jogada no chão feito uma boneca de pano, suja e cheia de terra.

Nathan ficou apenas ali, olhando para o cano da arma apontado para sua cabeça. Eu não hesitaria em atirar nele, e ele sabia.

- Victoria — Júlia pegou na mão de sua irmã — Me perdoa por ter metido você nisso. Eu sei que você só queria ter um pouco de paz na sua família e eu estraguei tudo, mas você é minha melhor amiga e eu te amo. Não me abandona — a loira chorava muito, enquanto segurava o rosto de Victoria.

- Eu te amo, irmã. Sinto orgulho de você, apesar de tudo — ela sorriu. Júlia começou a chorar ainda mais e Akira apertou mais forte o pano no pescoço de Victoria.

- Cala a boca, Júlia. Para de fazer ela falar, você vai acabar terminando de matar a Victoria, será que todo o estrago que causou não é suficiente? — Akira gritou.

Steph saiu do carro e disse que a ambulância chegaria em alguns minutos, junto com a polícia. Meu braço continuava doendo e sangrando, mas eu já nem me importava.

Carlos voltou do carro e pediu que Steph segurasse a arma apontada para Nathan, enquanto ele cuidava do ferimento do meu braço.

Dei alguns passos para trás, não tirando ele da mira da arma, e cheguei até onde Carlos e Steph estavam. Ela ainda estava nervosa e tremendo demais para pegar no metal pesado que estava ali.

Durante a troca de mãos da arma, ele se levantou do chão e tentou ir para cima da garota, com uma força descomunal. Ele agarrou o corpo dela, tentando fazer com que ela soltasse o revólver.

Porém, a garota estava com o dedo no gatilho e disparou a arma. Provavelmente foi um golpe de sorte em um momento de susto. Os olhos dele se arregalaram, e ele simplesmente caiu no chão na mesma hora.

- Meu Deus, eu não queria — Steph largou a arma no chão.

- Foi em legítima defesa, não se preocupe — Carlos disse, me puxando para seu lado e tentando enfaixar o enorme e profundo corte em meu braço.

Ver o corpo de Nathan ali, jogado no chão, me deu uma sensação de alívio — que eu sei que era errada. Mas nossos problemas ainda não haviam acabado.

Ouvi ao longe o barulho de uma ambulância, e Victoria estava no chão, já desacordada. Júlia estava ao seu lado, em prantos. Akira ainda tentava estancar o ferimento em seu pescoço, que não parava de jorrar sangue. Comecei a ficar bastante tonta com toda aquela cena em minha frente, e Carlos segurou meu corpo para que eu não caísse no chão.

A ambulância chegou e os paramédicos imediatamente colocaram Victoria em uma maca. Ela havia perdido sangue demais, o chão ao seu redor estava quase encharcado. Akira subiu com ela na ambulância para irem ao hospital de forma urgente.

O corpo de Nathan também tinha sangue empossado ao seu redor, e seus olhos ainda estavam abertos. Era algo extremamente grotesco de se ver.

A polícia chegou, juntamente com outra ambulância para cuidar dos que estavam menos feridos, como eu e Carlos. Ele não queria mais que eu olhasse para o corpo de Nathan ali no chão, mas era impossível. A pessoa que tanto havia ajudado a fazer o inferno em minha vida estava ali, jogada no chão.

Os enfermeiros cuidaram dos nossos ferimentos e voltamos para o carro onde estavam Logan e o bebê. Era uma linda criança, parecia demais com ele.

Steph foi levada pela polícia, juntamente com Júlia e o corpo de Nathan.

- A gente tem que ajudar ela, todos estamos como testemunha de que foi por legítima defesa — Logan estava preocupado, mas tentava não transparecer tanto para não assustar o bebê.

- Eu e Akira vamos cuidar disso, mas você sabe que agora temos uma preocupação maior. — Carlos disse, enquanto ligava o carro.

- Espero que a Victoria fique bem — suspirei, tentando ignorar a dor em meu braço que ainda era insistente — ele não vai suportar se perder a Victoria.

- É por isso que vamos agora ao hospital — Carlos deu a partida e saiu cantando pneus, de onde estávamos.

A noite havia sido louca, e naquele momento eu só esperava que tudo desse certo.

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