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Após o acontecido, acabei dormindo na casa de Freya junto com Carlos no quarto que costumava ser dele.

Era um quarto extremamente grande e bonito, mas não tiro a sua razão de ter ido morar sozinho, visto que era ótimo ter privacidade. Minha mãe conversou um longo tempo com Freya e depois foi pra casa.

Eu sei que deveria ter ficado com ela, mas ele também precisava de apoio emocional. Sua mãe e seu pai tinham passado a noite discutindo e vi que ele saiu com algumas malas após os convidados terem ido embora, o que era péssimo.

Só que eu também entendia o lado dela, ninguém gostaria de ser enganado.

Quando acordei no dia seguinte eu estava sozinha na cama e fiquei com medo de ter dormido demais, mas ainda eram 7 da manhã. Com certeza, Carlos tinha acordado mais cedo, ou nem dormido com tanta coisa na cabeça. Eu não o culpava, aquilo era realmente muito difícil.

Levantei e vi que tinham algumas roupas muito bonitas ao lado da cama, provavelmente pra que eu vestisse. Ainda bem, o vestido que eu estava era pra festa e já estava me deixando incomodada. Tomei um banho e vesti aquelas roupas, que ficaram simplesmente muito confortáveis em mim. Arrumei meus cabelos e desci pra comer algo.

Freya estava no andar de baixo, sentada na mesa. Seus cachos loiros estavam amarrados em um coque bagunçado e ela tinha leves olheiras. Quando me viu, deu um sorriso cansado, de quem não dormiu à noite inteira.

Dei um beijo em seu rosto e me sentei ao lado dela na enorme mesa.

- Que bom que gostou das roupas que deixei pra você vestir — ela sorriu.

- Ficaram ótimas, obrigada — sorri de volta — Onde tá o Carlos?

- Aprontando na cozinha, disse que você gostava de panquecas e eles mesmo foi fazer. Vocês dois são uma coisa linda juntos. Ah, ele me disse que hoje sai o resultado do seu teste final, espero que você tenha se saído bem.

- Eu também espero. Sobre o que aconteceu ontem...— respirei fundo — Espero que a senhora fique bem. Entendo a sensação de ser enganada e não é fácil, mas tenho certeza de que a senhora é forte.

- Obrigada, querida, estive há anos com Chad tentando manter um relacionamento bom e pensando nas vezes em que eu errei, mas me esconder uma filha não é algo que se faça. As vezes ele me julgava tanto por erros do passado e olha o que existia ali? Chega a ser cômico, se não fosse trágico.

Assenti e Carlos apareceu na mesa com dois pratos cheios de panqueca. Sim, meus olhos com certeza brilharam e logo eu fiquei louca de vontade, já que essas tinham calda de chocolate.

Ele deixou tudo na mesa e sentou com a gente, bem na cabeceira.

- As duas mulheres que mais amo em um só lugar, que cena linda — ele sorriu.

Fiquei vermelha imediatamente e Freya sorriu meio boba.

- Você é um anjo, meu filho. Espero que tudo dê certo pra vocês — ela disse pegando um pouco das panquecas de um dos pratos.

- Eu também espero, mãe — Carlos me olhou — Que horas os resultados vão estar disponíveis?

- Acho que já estão. Vou dar uma olhada — peguei meu celular.

Pus uma panqueca em meu prato enquanto a página carregava. Quando carregou, quase imediatamente baixou um arquivo em PDF, onde estava a lista com os resultados. Meu coração já começou a acelerar desde ali, já que aquele era o momento mais importante da minha vida.

Abri o arquivo e comecei a procurar meu nome, não entendi muito bem a ordem, mas provavelmente estava pela correção de provas.

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Cookeville, Condado de Putnam, TN
Cookeville High School
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Resultados dos Testes Finais

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Yuuki, Sayuri - 60% de acertos
Iscariotes, Talon - 80% de acertos
Woodstock, Claire - 90% de acertos
Waldorf, Louise - 67% de acertos
Wonstaen, Logan - 80% de acertos
Hoodsen, Steph - 95% de acertos
Berserk, Sarah - 30% de acertos
Bradford, Anna - 100% de acertos
Yoshi, Jenna - 78% de acertos
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Parei de ler e gritei ao ver meu nome e quantidade de acertos, eu nem acreditava. Eu simplesmente tinha gabaritado a prova. Fiquei tão frenética que comecei a chorar e percebi que Freya e Carlos estavam preocupados de eu não ter tido resultado satisfatório.

Mostrei pra eles, que comemoraram comigo, me abraçando. Liguei imediatamente pra minha mãe pra contar tudo e ela comemorou junto comigo por telefone, dizendo que eu precisava ir pra casa pra comemorarmos. Concordei e disse que mais tarde estaria em casa.

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Mais tarde, já em casa, eu e minha mãe planejamos algo que seria só nós duas, já que ultimamente eu mal parava em casa com tanta coisa acontecendo.

Combinamos uma noite das meninas só nossa, com sorvete e muita besteira — da maneira tradicional.

Coloquei um filme na televisão enorme do quarto dela e fomos para lá ver alguma coisa. Pegamos os nossos pijamas e sentamos na cama para assistir comédias românticas.

Já no meio do filme, senti vontade de perguntar sobre Freya e o que tinham conversado, mas eu tentei controlar a minha ansiedade, que não deu muito certo.

- Me conta sobre o que você e a mãe do Carlos conversaram — pedi, fazendo beiço.

- Anna Marie Bradford, sem chantagem emocional — ela riu.

- Por favooor — pedi.

- Nada demais, ela só falou sobre o Chad e em como estava chateada com tudo o que estava acontecendo. E também que sentia muita falta da filha e que você era uma pessoa especial e que parecia muito com a Júlia.

- As vezes ela fala isso mesmo, sinto até medo. Espero que ela não veja a imagem da Júlia em mim, eu já sofri demais com essa projeção — disse, rindo de nervosa.

- Imagino — minha mãe riu — Mas vocês não são tão parecidas. Ela é mais bonitinha — ela brincou.

- Mãe — repreendi, rindo também.

Rimos juntas e lembrei como era bom ter a minha mãe por perto. Passei tanto tempo correndo de tanta coisa e tinha esquecido de como momentos como esse eram bons. Minha mãe era simplesmente tudo pra mim.

- Amanhã é sua formatura filha, como se sente? — ela passou a mão no meu cabelo.

- Eu me sinto ansiosa, mas ao mesmo tempo é uma ansiedade boa. Amanhã também é o dia do meu discurso, e eu já tô começando a ficar nervosa só de pensar — ao terminar a frase, minha barriga já fez barulho de quando eu tô ansiosa pra algo.

- Que bom que aquela sensação de mau presságio já passou. Como diriam os jovens, daqui em diante é só progresso. Começando por Stanford — ela me abraçou.

- A almejada Stanford— me joguei de costas na cama — que sonho.

- Parabéns, filha. O traste do seu pai não atende minhas ligações desde mais cedo, provavelmente tá ocupado com seu cassino e covil de prostitutas. A melhor coisa que fiz foi me separar e vir pra Cookeville, ou eu teria gastado o meu réu primário.

Gargalhamos juntas e voltamos a ver nosso filme besteirol. Como era boa a sensação de que tudo isso ia acabar e eu finalmente seria feliz.

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