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Ver ele novamente fez meus joelhos quase derreterem. Minha cabeça estava girando e eu estava tonta por conta de todo aquele álcool no sangue. Ele deu um sorriso malicioso e aproximou mais seu rosto do meu.

- Já faz tempo, né? — pude ver claramente as suas pupilas dilatadas por conta da escuridão.

- Você pode me soltar? — tentei desvencilhar do braço dele, mas ele apertou ainda mais — Tá me machucando.

- Ah, te machucando? Melhor ainda — Nathan apertou ainda mais.

- Eu vou gritar — disse alto.

- Grita, pode gritar. Nesse som alto e com tanta gente, espero que pelo menos as formigas de ouçam — ele debochou.

Tentei gritar mas imediatamente sua mão tapou a minha outra boca. A adrenalina começou a dar descargas nas minhas veias e meu coração começou a dar pontadas. Nathan começou a me puxar, com o corpo preso no meu, para um lugar mais longe.

Vi as luzes se afastando e comecei a ficar realmente desesperada. Mordi a mão dele, mas ele não me soltou. Comecei a me debater, mas ele continuou me segurando muito firme.

Chegamos num lugar mais alto e eu tentei me localizar, vi que existia uma queda. Lembrei de onde estávamos e meu coração acelerou.

- Esse aqui é um lugar que você já deve ter ouvido histórias — Nathan disse baixo no meu ouvido.

Era de onde Júlia tinha se jogado meses antes. Tentei novamente me soltar e ele me jogou no chão, machucando o meu braço, mas não tanto. Vi a água batendo lá em baixo e fiquei mais tonta ainda. Aquele álcool todo não tava ajudando em nada.

- Incrível como você chegou aqui já querendo sentar na janelinha, querendo ser a Júlia. Roubou namorado, irmão e até a melhor amiga dela. Infelizmente a Victoria tem mente fraca e se entregou, mas eu ainda tô aqui. E eu não vou até levar você junto — ele foi chegando mais perto.

Fui me afastando e tentando encontrar uma estratégia pra tentar circundar ele, ou tentar bater nele pra que ele caísse. Nada vinha na cabeça, só a tontura e o cansaço que eu sentia. Nathan me puxou pra me levantar e pensei em um plano.

- Você quer ser ela? Então vai morrer como ela — ele disse, rindo com deboche.

Quando Nathan foi me empurrar, eu puxei ele junto. Fiquei segurando seu braço até que os dois caímos na água gelada.

Senti a água bater no meu corpo e ouvi quando Nathan caiu também. A temperatura estava muito baixa, parecia que me perfurava a cada segundo que eu estava lá.

Porém, um fato que o Nathan não sabia é que eu fui medalhista de natação até os 16 anos. Prendi a respiração e mergulhei, pra pegar impulso e nadar até a borda. Minhas roupas pesavam muito, era difícil nadar com elas pesando meus braços e pernas. Tentei nadar o máximo que pude pra ganhar vantagem.

Senti algo puxar o meu pé e virei com a mão fechada. Bati com o punho fechado bem no meio do rosto dele, acertando o nariz e ouvi um grito de dor. Aproveitei pra me virar novamente e ir nadando, mesmo com as roupas pesadas.

Naquele momento parecia que o álcool tinha evaporado do meu corpo, eu não me sentia tonta — pelo contrário, sentia que a cada braçada na água eu me sentia mais forte e motivada a nadar.

Nadei com toda força que eu tinha até a borda, alcancei-a e me joguei no chão, para que pudesse recuperar o fôlego, ficando deitada alguns segundos. Era um caminho muito longo pra nadar, e o frio não ajudava nem um pouco.

Não vi sinal de Nathan na água e espero que o lago tenha levado ele pra algum buraco bem fundo. Ainda estava com a respiração ofegante quando levantei e comecei a correr desesperadamente.

Starboy Histórias para pegar e não largar. Descubra agora