- Eu nunca iria imaginar que isso poderia ter acontecido. — disse, após ouvir o relato dele.
Naquele momento olhei Logan com outros olhos. Ele parecia ser uma pessoa ótima, bem diferente das outras. Talvez a morte da Júlia tenha feito a mente dele mais madura da pior maneira possível.
Eu só queria abraçar ele sinceramente e tentar dizer que eu entendia, mas eu não entendia.
- Ela era simplesmente a única pessoa que eu tinha, e eu era a única pessoa em quem ela confiava. Minha mãe mora no Canadá e meu pai não fala comigo há anos. Os pais dela moram aqui, mas ela sempre foi muito fechada e com dificuldade de falar com as pessoas. Eu fui a única pessoa que ela confiou de verdade, e deixei ela ir - ele suspirou.
- Queria dizer que te entendo, mas eu não entendo... Nem tenho como saber como é esse sentimento, porque nunca me aconteceu. Na verdade, espero que nunca aconteça. Eu sinto muito.
Ele virou o rosto pra mim e sorriu. Seu olhar era cansado e era um sorriso verdadeiro, não pude deixar de sorrir de volta.
Chegamos no Hidden Hollow Park e deixamos o carro no estacionamento. Logan saiu e fiquei sentada, encarando as árvores de pinheiro na minha frente.
- Ei, vamos logo. Você não quer que a gente passe o resto do dia e a noite inteira aqui, né? - ele disse batendo no vidro.
Neguei com a cabeça e saí do carro. Logan abriu o porta malas e tinha umas latas de tinta e umas ferramentas, como pregos, um martelo, entre outros.
- Faz quanto tempo que ninguém arruma a casa? - perguntei rindo e pegando duas latas de tinta, uma em cada mão.
- Como eu disse, eu encontrei ela com a Júlia, já faz uns 2 anos. Desde então a gente sempre vinha pra cá quando queria dar um tempo do mundo.
Era bizarro e ao mesmo tempo legal ele me levar naquele lugar. É praticamente o lugar que ele trazia a namorada dele - que morreu - e agora eu tô aqui com ele. Espero que nenhum espírito venha me atormentar, enquanto eu estou dormindo.
- E a Júlia, de qualquer lugar que ela esteja, não se sentiria ameaçada de você trazer outra garota aqui? - perguntei, em tom de brincadeira.
- Você não é a primeira que trago, nunca ouvi ninguém relatando que teve o pé puxado durante a noite - ele riu.
Meu sorriso sumiu na hora, e baixei a cabeça.
- Bom, então é aqui que funciona seu abatedouro de garotas novatas da escola? O do Nathan era pelo menos na cidade.
- É aqui mesmo - ele gargalhou alto.
Chegamos na cabana, agora eu também olhava ela com outros olhos. Um lugar de histórias, marcante pro Logan. E pra mim também.
- Você pode ir pintando aqui fora enquanto eu vou arrumando algumas madeiras que estão soltas lá dentro, pode ser?
Assenti e abri a lata de tinta, pegando um pincel. A tinta era branca, da mesma cor da pintura, então presumi que só iríamos pintar novamente a cabana.
Fui para a parte traseira e abaixei a lata de tinta pra ela ficar no chão. Comecei a passar o pincel na parede e vi marcas na parede, percebi que eram letras, que juntas formavam a palavra "assassino".
Me arrepiei inteira e joguei o pincel no chão.
- Logan, vem aqui, por favor - disse quase chorando. Sou fraca pra essas coisas.
- Que foi, Anna? Viu um urso? - ele brincou.
Apontei pra o que estava escrito na parede e ele revirou os olhos.
- Isso provavelmente foi alguém que me odeia. O que não é muito difícil. Relaxa, não é nada. Como eu fui a última pessoa que esteve com ela, acham que fui eu quem a matou. - ele suspirou - não que não seja verdade...
- Ei, para com isso. Ela se matou, não você. E como você disse, ela tinha problemas. Você tentou evitar, não foi sua culpa. Eu sei que é difícil, mas você precisa entender que nem tudo é evitável, sabe? Tem umas coisas que a gente não pode mudar ou evitar que aconteçam... Você deu seu melhor. - sorri.
Logan sorriu também e me abraçou.
- Obrigado. - ele suspirou.
Abracei de volta, pois senti que era algo totalmente sincero. Ouvi um barulho de passos junto com galhos quebrando e logo me assustei, gritando muito alto. Como eu disse, sou fraca pra essas coisas. Logan me soltou e olhou pra mesma direção que eu.
Nisso, vi um garoto negro e meio alto saindo praticamente do meio das árvores. Ele usava um casaco preto e calça moletom cinza.
- Oi, Gabe - Logan disse.
- E aí, Logan. Já conseguiu superar o luto ao ponto de trazer outra aqui? - Gabe perguntou de modo sarcástico, ao mesmo tempo divertido.
- Essa é a Anna, é só uma amiga que tá me ajudando a reformar aqui.
Achei meio rude o modo como ele falou com o Logan, totalmente sem noção.
- Tudo bem. Hoje fazem 7 meses que ela se foi. Vim dar uma volta aqui pra... lembrar dela. Vocês querem ajuda? - ele deu de ombros.
- Sim, claro. Você pode ir até o meu carro pegar as ferramentas que faltam. - Logan jogou as chaves pra ele, que as pegou.
Gabe foi andando para a direção do estacionamento e virei pra Logan, que começou a explicar:
- Ele era amigo da Júlia, mas a relação deles não era tão boa. Gabe também tentou acalmar ela diante das ameaças, mas ela não queria mais ouvir ninguém. Também somos amigos, mas ele saiu da escola depois que ela morreu, então não andamos mais tão juntos.
- Esse é exatamente o tipo de coisa que é demais pra minha cabeça - ri.
Gabe voltou com as ferramentas e decidi que aquela hora era hora de trabalhar. Voltei com a pintura da casa e me senti melhor quando pintei a palavra "assassino" que estava ali. Era como se eu tivesse chegado naquela cidade pra mudar algo. Sorri com esse pensamento.
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Eram mais de 6 da tarde quando acabamos a pintura. Estava praticamente tudo escuro, já que as árvores eram altas.
Logan deixou primeiramente Gabe em casa e depois pegamos o caminho da minha casa. Ele me deixou lá na frente e entrei. Estava tudo quieto, minha mãe com certeza ainda estava no trabalho.
Deixei as chaves na mesa e subi as escadas, indo pro meu quarto. Quando abri a porta, a visão que tive me fez gritar de susto.
- Ei, se acalma. Eu não sou nenhum bicho - Nathan disse.
- Como foi que você entrou aqui? - perguntei ainda aterrorizada.
- Sua mãe saiu e eu disse que ia te esperar. Que cama confortável, deita aqui vai.
- Sai da minha casa, agora. - disse tentando manter a calma.
Nathan levantou da cama e foi em minha direção. Comecei a me sentir em pânico e ele segurou meu rosto, olhando bem nos meus olhos.
- O que você fez não foi legal, gatinha. Primeiro eu, depois o Logan... Vou te dizer só uma coisa, isso é um aviso. Cuidado com quem você se mete aqui nessa cidade. Isso aqui é coisa de louco, e andar com as pessoas erradas pode te fazer perder a cabeça - ele disse a última frase sussurrando em meu ouvido.
Sua mão forte apertava cada vez mais meu rosto e eu comecei a lagrimar. Segurei o seu braço e tirei sua mão do meu rosto, olhei em seus olhos e eles estavam brilhando com a mais profunda raiva.
- Obrigada, não preciso dos seus conselhos. Sai da minha casa antes que eu chame a polícia, agora - gritei a última parte em tom de ordem.
- Não precisa pedir duas vezes - Nathan sorriu de canto e saiu do meu quarto.
Fui atrás dele, pra ter certeza de que ele iria sair mesmo e tranquei a porta assim que ele passou por ela.
Subi as escadas e fiquei ofegante, minha respiração estava faltando e eu tremia. O que será que ele quis me dizer com essa ameaça?
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Starboy
FanfictionA vida de Anna Bradford era totalmente normal antes de se mudar para Cookeville, onde ela logo acaba se envolvendo com Logan Wonstaen, que parece ser apenas um garoto como qualquer outro. Logo ela se vê em uma trama cheia de reviravoltas e segredos...
