29 - DESISTIR

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A interação com a Vivian foi o começo para eu ver as coisas indo ladeira abaixo. Os ensaios para a peça tinham começado e Sadie provavelmente estava determinada em fazer cada um deles um inferno. Ela era exigente com todos, nos obrigava a recomeçar sempre que alguém fugia do que ela esperava que fizéssemos e foi Ellana quem precisou botar a garota em seu lugar, reforçando o óbvio: somos uma grande equipe, não há líderes, além dela que é a coordenadora.

Por outro lado, os primeiros trabalhos valendo nota tinham começado a serem exigidos e Adam e Clary estavam fazendo coisas incríveis, eu me sentia muito mais aliviada trabalhando com os dois, mas era só uma atividade individual acontecer para eu ficar tensa o bastante para errar algo importante ou afetar meu desempenho. Eu me sentia perdida e nem conversar com a minha mãe, Agatha, Marco ou Lily diminuía meu medo de ter feito a escolha errada. Eu não queria ser um peso, então acabava omitindo algumas coisas para não deixá-los tão preocupados.

E se isso já não fosse suficiente, eu tinha começado a procurar emprego. Tentei alguns lugares que a professora Feldmann, de teoria e prática musical, me indicou. Ela sempre me elogiava tanto, mas nenhuma das indicações quis aceitar uma estudante tão nova e sem experiência, mesmo com as indicações.

Tentei a biblioteca onde Lily trabalhava e lá as coisas foram muito bem encaminhadas, até surgir uma estudante de Letras e acabar levando a vaga. Lily até tentou mexer os pauzinhos, mas não adiantou muita coisa e eu acabei aceitando que não era pra mim. A busca, então, continuava, bem menos esperançosa, mas continuava.

A soma dessas coisas todas, estavam me deixando estressada. Os únicos momentos em que eu me sentia mais calma era quando eu cantava. Talvez, por esse motivo, a única aula que eu realmente conseguia me entregar era com a professora Feldmann. Então, cantar era minha calmaria. Às vezes sozinha, às vezes com Marco me acompanhando. Eu sentia falta daquela noite no karaokê, sentia falta do meu clube de canto na escola. E sentir falta de uma coisa ou outra, me deixava nostálgica ao ponto de sentir saudade de cada detalhe da minha vida em Los Angeles.

Eu sentia falta do meu quarto, da luminária que ficava ao lado da minha cama, de dormir ouvindo o suspiro profundo de Agatha. Em casa, eu sempre soube que eu não estava sozinha, mas agora, em Nova York, mesmo quando eu estava cercada de pessoas, me sentia deslocada. Talvez Marco fosse o ponto fora da curva, por ser a única coisa que me prendia a Los Angeles. E o contato com Viv, mas agora eu já não tinha mais isso. Isso fez com que eu decidisse omitir muitos dos meus sentimentos.

Talvez as pessoas notassem que meu brilho sumia aos poucos, que eu estava ficando mais introspectiva e calada. Adam e Clary marcavam programas demais desde então e, mesmo que eu não contasse minhas frustrações, achando que seria infantil demais, eles estavam ali, tentando me animar.

Eu estava jogada na cama, postergando mais um trabalho, quando ouvi Lily gritar da sala.

– Lucy, você tem visita – me levantei em um pulo, arrumei o cabelo que estava bagunçado e saí do quarto para descobrir quem estava ali.

– Olá, Jones. Vim te resgatar desse mar de lamentações – Marco falou, em meio a um sorriso encantador.

– Sempre o príncipe no cavalo branco, pronto para socorrer uma donzela. O que está fazendo aqui? – falei, me aproximando dele para dar-lhe um abraço.

– Achei que você fosse gostar de companhia e tenho uma proposta pra você – ele falou ansioso, esfregando uma mão na outra com sua empolgação.

– Ok. Eu preciso fazer um trabalho e você será meu escravo, venha – comecei a arrastá-lo para o quarto, quando Lily pigarreou. – Se você não ver problema, tia, claro!

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