7 - UM COMEÇO DIFERENTE

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Depois da noite inesquecível no karaokê, Marco me deixou em casa e eu notei que era difícil parar de sorrir. Ele se despediu com um demorado beijo na bochecha. Assim que foi embora, ouvi meu celular vibrar e era uma mensagem dele, dizendo: você não para de me surpreender. E ali eu soube que talvez eu estivesse apaixonada. Ok, pode parecer bem óbvio, mas quando saímos de um relacionamento conturbado, é difícil permitir se apaixonar novamente, ainda mais sabendo que talvez um novo relacionamento teria dias contados, caso eu fosse para o outro lado do país. Uma voz sensata na minha consciência dizia para eu não me empolgar, por outro lado, uma bem mais emocionada me questionava o porquê de não dar um passo nessa relação.

No dia seguinte, fomos fazer nossa tradicional aventura em patins. Foi muito divertido, como sempre era. Marco quase não se aguentava de tanto rir com os meus tombos. Mesmo com o tempo de prática, parecia que eu não avançava muito. Era frustrante, mas extremamente divertido. Quando estávamos cansados o suficiente, fomos atrás de uma garrafa d'água. Depois que tiramos os patins, paramos no quiosque para beber água e seguimos para a praia. Nos sentamos na areia e ficamos em silêncio durante um tempinho, admirando o mar calmo. Era praticamente o começo do verão, mas eu sentia como se muitas coisas já tivessem acontecido. Eu o encarei por um momento e voltei a olhar para o mar.

– É, Jones, falta pouco para sermos a dupla de salva-vidas oficial de Los Angeles.

– Que dupla, hein? Eles não perdem por esperar. Ansioso?

– Ah, é só mais um trabalho de verão. Vamos nos divertir!

– Com toda certeza. Será um prazer ter um parceiro tão legal e encantador como você. – fiz uma pequena reverência, o máximo que meu corpo permitiu sentada, exagerando no movimento dos braços, ele riu. – E te ajudar também, sabe? – Ele me encarou curioso, mas comum pequeno sorriso no canto dos lábios, como se esperasse meu comentário ácido – Eu vou te ajudar a despistar as várias garotas que irão ao parque só para ver o salva-vidas bonitão e sarado.

– Não será necessário, eu estarei de regata. – ele falou convencido, como se fosse algo óbvio demais ou como se a regata fosse o suficiente para esconder seu corpo musculoso.

– Uau, que modesto. Meus serviços estão dispensados então. – ergui as mãos, rendida

– Claro que não, será uma ótima forma de te manter por perto. – ele me abraçou de lado e eu deitei a cabeça em seu ombro.

– Será uma ótima forma de me distrair também. Pensar no meu futuro tem me deixado ansiosa. – voltei a levantar meu rosto para olhá-lo enquanto falava e reparei, ao fundo, uma movimentação. Era Joshua com a namorada, eles se aproximavam de nós, acenando. – Ah, ótimo!

– Relaxa, não vão nos incomodar – ele apertou minha cintura para mostrar algum sinal de apoio, enquanto a dupla indesejável se aproximava.

– Lucy, Marco, como vão? – Josh disse com um sorriso convencido, enquanto segurava a namorada Alicia pela cintura, quase como se exibisse um troféu.

– Oi, Josh. Alicia! – dei um pequeno sorriso para os dois e voltei a encarar o mar, igual uma criança quando tenta fugir da visita.

– Estão juntos? – Josh perguntou e olhei para Marco, que me olhou de volta. Antes que pudéssemos responder, Josh continuou – Fico feliz por vocês, principalmente por você, Lucy, apesar de qualquer coisa, você merece ser feliz. Sem mágoas.

– Que? – eu disse incrédula, enquanto Marco apoiava a mão em meu braço, quase como se soubesse que eu poderia facilmente me levantar e enfiar a mão na cara daquele idiota.

– Sabe, eu e Alicia já conversamos muito sobre você. E independentemente de qualquer coisa, eu te perdoo. Eu sei que você não teve intenção de me machucar quando terminamos e hoje eu vejo o quanto evoluímos depois disso. Foi como se o destino dissesse que eu deveria aprender com você, para então encontrar o amor da minha vida. – ele falava convencido, e eu não sabia se estava brincando ou se era só sem noção. Pela cara de Alicia, a segunda opção era mais plausível. Ela quase parecia emocionada com o depoimento "incrível" que ele fazia, enquanto ele acariciava seus cabelos.

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