Capítulo 1

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Azarada!

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Azarada!

Uma palavra que me define muito bem. Desde que eu nasci eu sou uma, deveria ter me conformado desde pequena, certo? Errado, porque eu ainda não me conformo.

A vida me odeia, fato.

Quando eu nasci minha mãe morreu no parto, meu pai devastado se entregou aos poucos ao álcool e as drogas, pouco tempo depois ele morreu por causa de uma overdose. Como eles não tinham nenhum parente vivo, já que eram filhos únicos e não conheciam seus parentes distantes, vim parar em um orfanato com 5 anos.

Eu cheguei lá uma criança fechada, tímida, que tinha medo das pessoas se aproximassem. Com o tempo eu me abri aproveitando o pouco da minha infância, até eu fui adotada por uma senhorinha chamada Sandra.

Com ela me senti verdadeiramente amada como nunca fui na vida, pude ser uma criança, éramos uma família de duas. Até o fatídico dia que ela morreu e eu fui levada de volta ao orfanato.

Eu não era mais a mesma, comecei a não ter relações pra não sofrer com a dor da perda, da partida.

Eu não tinha família...

Eu não tinha amigos...

Ninguém queria adotar uma criança problemática, então eu fiquei no sistema de adoção até completar 18 anos.

Saí do orfanato e comecei a minha vida, arrumei um emprego de garçonete, um lugar pra morar e comecei a fazer cursinhos pra arrumar um emprego melhor.

Dois anos depois eu estava ingressando em um dos escritórios mais bem situados do país, eu iria ser secretária do CEO, claro que antes que eu passei pelo período avaliador e testes.

3 anos depois cá estava eu, secretaria de um grande CEO, tendo minha própria casa em um lugar bom, carro... resumindo minha vida em 4 palavras: uma mulher solitária independente.

O dia pra mim começa cedo, levantar, tomar uma ducha rápida e ir trabalhar, e talvez comer alguma coisa no caminho, essa é minha rotina.

Chego na empresa com 10 minutos de antecedência, melhor do que chegar atrasada. Meu chefe é um canalha, babaca, adicione quaisquer adjetivos querer, em questão de horário.

Uma vez eu cheguei CINCO, cinco minutos atrasada por causa do elevador e ele só faltou me demitir. Eu poderia explicar o que aconteceu, mais eu apenas abaixei minha cabeça e disse que não iria mais se repetir, então desde aquele dia eu procuro chegar mais cedo no trabalho.

Eu só considerada aqui na empresa como a esquisita, graças ao meu dilema.

Sem aproximações, sem relações,
Sozinha e sem luto.

Eu sei que era uma má forma de viver, mais eu agradecia, não precisava ir em festas da companhia ou sair depois do expediente pra beber algo com os "colegas de trabalho", porque não aceitavam não como resposta.

Vivendo em MesesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora