Capítulo 8

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Pago o moço do taxista e vou em direção ao shopping

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Pago o moço do taxista e vou em direção ao shopping. Andava vislumbrada por tudo, pelas lojas, pelas pessoas passando, por tudo.

Eu já tinha ido uma vez no shopping, mais aquela vez não valia de nada.

Eu não sabia como comprar as minhas futuras roupas. Bom, levem em conta que eu nunca sai as "compras", minhas roupas sempre foram de doações ou bazares. As únicas roupas que eu comprava, novas e sem serem talvez de um possível cadáver eram as do meu trabalho, e ainda por cima baratinhas.

Estava entrando numa daquelas lojas de departamento, quanto escuto chamarem meu nome ao longo, mas não deve ser eu, deve ser contra Amélia.

Paraliso quando sinto tocaram meu ombro, quem quer que seja ainda estava atrás de mim. Me vagarosamente tendo diante de mim infelizmente Agatha e Hillary.

—Além de feia é surda por acaso? — Hillary diz assim que me viro — Não ouviu te chamarmos.

— Boa tarde pra vocês também meninas — falo com ironia — e sobre minhas capacidades auditivas, elas estão mais ótimas que nunca, sendo que tem a capacidade de ignorar coisas insignificantes — pego meu celular na bolsa e finjo ver o horário — felizmente tenho que ir, bye bye vadias.

Saio antes que falem alguma coisa como elas, inúteis

A Amélia que elas conheciam morreu, essa que elas tiveram o prazer no meu caso e o desprazer no caso delas, não vai ficar calada enquanto é pisada por quem quer que seja.

Eu vou respeitar quem me respeita e principalmente aqueles que não me respeitam, porque eu não sou como eles, eu tenho classe pra mandar eles irem a merda com palavras elegantes e estampar um sorriso no rosto que realmente fala o que  eu quero falar, palavrão. Claro que algumas vezes eu vou perder a linha e falar como um verdadeiro caminhoneiro,  mas não vou descer do salto.

Manter a calma nessas situações sempre é uma vantagem.

Ter encontrado aquelas duas me fez perceber uma coisa, as pessoas não vão me levar a sério se eu não tiver a altura delas.

Entro nas lojas mais famosas entre os ricos e no salão de beleza mais aclamado e apenas falo quatro palavras.

Me deixe outra pessoa.

Eu não conseguia a mulher que refletia no espelho na minha frente, ela... ela era tudo que eu sempre desejei, que eu sempre quis.

— Você está uma D-E-U-S-A mana. Se eu não gostasse da mesma fruta que você, eu te pegava — Pablo diz me fazendo rir.

—Pablo, você não existe — falo me encarando através do espelho.

— Existo sim, sou de carne, osso e com muita, mais muita purpurina - diz fazendo carão balançando os ombros.

Rio.

— Eu nunca me senti assim — falo me encarando através do espelho.

Ele entende o que eu quero dizer, temos dores similares, somos julgados pela sociedade. Ele por ser quem é, e eu por ter uma aparência que não se adequa aos padrões da sociedade.

A sociedade atual não tem mente aberta, eles não veem que vestir um shorts, um vestido ou gostar de uma pessoa que tenha a mesma anatomia que você, não significa que ela é abominável, que  merece ser julgada... Oras elas são aliens para serem vistas por outros olhos.

Essas pessoas que pensam assim são dinossauros,  tão vivendo no passado, não passam de antiguidades que logo serão extintas por seus pensamentos antiquados.

— Esse é seu momento, brilhe querida — ele sussurra no pé do meu ouvido.

— Eu vou — sussurro.

— Agora vai, se não você vai se atrasar pro baile — continuo — quem sabe você não tenha uma fada madrinha?

— Elas me abandonaram — rio — a muito tempo, se elas fossem mesmo a minha fada madrinha, eu não teria passado por tudo que passei e o que vou passar — falo pensando na doença.

— Tem razão, mais milagres acontecem. Quem sabe você não tenha um?

— Quem sabe não é.

— Agora vai, um baile de máscaras te espera garota — ele fala empolgado - Usa aquele vestido maravilhoso que você compro, ele foi feito especialmente pra você — ele suspira — Queria ser uma mosquinha pra ver a deusa que você vai ficar nele, além de gostosa — ele ri malicioso.

— Eu acho que eles não pensam assim.

— Então eles são cegos, porque só cego não vê como você vai ficar mais gostosa ainda com aquele vestido — ele suspira de novo — Por que eu não gosto de xoxota Deus? Lembrei — ele ri malicioso — Eu amo um picolé grande e grosso —  sua boca se curvou num sorriso malicioso, então as minhas bochechas ficaram rosadas.

Pra ser virgem nesses tempos, você precisa tá bem atualizada das, como podemos dizer, das "gírias sensuais".

— Que fofa, você cora — fala me fazendo ficar mais vermelha ainda.

Sai do salão e vim correndo pra casa pra me arrumar pro baile. Foi uma missão difícil, estava levando comigo milhares de sacolas comigo, o meu novo guarda-roupa assim dizer.

Aproveitei que já estava no salão e fiz minhas unhas e maquiagem lá, então eu só tive que tomar um banho "delicado" para não estragar o cabelo e a maquiagem. Foi difícil, porque como se depila fazendo malabarismo, modo de falar. Mais eu consegui.

Pensei numa coisa, como eu nunca fiz sexo, eu tenho tenho teias de aranha lá embaixo. Agora eu tirei os pelinhos e fiquei lisinha, então eu aparei pro pau vim e tirar por completo? Tem pelo lá dentro pro pau tirar?

Que merda de pensamento, mais quem criou esse modo de falar com certeza tava olhando pra parede e pensando em trepar, sofrendo de tesão acumulado.

Eu vestia um vestido suspensório longo na cor vinho de cetim. Na frente tinha um decote com V Profundo que realçava os meus seios e o meu colo, mais abaixo tinha uma fenda. Na parte de trás mostrava as minhas costas nuas, que enrugavam quando chegava na parte inferior das minhas costas.

Nos meus pés escolhi um salto alto nude, de tira. Ele era simples, porém elegante.

Escolhi uma máscara preta de renda, que tinha embaixo de cada olho três pingentes caindo.

Eu estava pronta, hora de partir pro baile.





Eu estava pronta, hora de partir pro baile

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Vivendo em MesesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora