Capítulo 23

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Era oficial, William tinha entrado pro bando

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Era oficial, William tinha entrado pro bando.

Nós ainda não sabíamos muito sobre ele, apenas que ele era um mulherengo de carteirinha.

No começo fiquei hesitante com ele. Ele era um desconhecido e já tinha um posto que com o tempo se é conquistado. Eu sei que é meio hipócrita da minha parte dizer isso pela forma como eu e Greta nos conhecemos, mas ele? Ele apenas teve que dar "em cima" de mim e ter aparência de um Deus viking.

Ok, talvez eu estivesse com ciúmes dele.

O que eu não sei, já que eu não sei o que é ciúmes. Então talvez é a forma de eu dizer que talvez estivesse sentindo aquele sentimento. Mas será que não era outra coisa?

Podia ser ciúmes? Talvez.

Podia ser precaução? Talvez.

Podia ser dúvida? Talvez também.

Eu me sinto confusa. Eu nunca tive amigos, sempre colegas. Agora eu tenho dois melhores amigos sem nunca eles terem sido meus amigos ou colegas antes.

Não passamos pelo processo que toda amizade passa, isso me dá medo, porque tenho medo que vejam as minhas imperfeições e fujam de mim. Eu sempre fui sozinha, agora que eu me acostumei com a presença deles não sei se sou capaz de voltar como era antes, ainda mais agora.

Sem aproximações, sem relações,
Sozinha e sem luto.

Meu dilema e minhas inseguras eram as melhores armas contra eles e principalmente contra mim. O tiro era invisível, sem dor física, mais com dor psicológica.

A voz da razão falando na minha cabeça que eu deveria me afastar, tomar cuidado, me impedia de ser 100% com eles. Mas a voz que vinha do meu coração pedia para parar de pensar em deixar aquilo que se chamava razão de lado para fazer tudo o que ela sempre me impediu de fazer por pensar nas possíveis consequências que poderia acontecer.

Era como se tivesse um anjinho de um lado do meu ombro e no outro um demoninho. Um era razão e o outro era como um trem desgovernado passando por cima de tudo, principalmente nas consequências.

"Jogue tudo pro ar! Você vai morrer em poucos meses, merece viver um pouco"

"Correr riscos e mais divertido"

"Viver imprudentemente nem sempre é o caminho. Você pode até viver, mais as consequências às vezes não valem a pena."

"Às vezes a razão é como um ato de defesa"

Mas aí eu me lembrei dos anos que vivi até descobri a minha doença. Às vezes a razão não nos leva a nada, mais de certa forma nos protege. Dessa vez eu não iria me proteger, iria correr o risco.


 Dessa vez eu não iria me proteger, iria correr o risco

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