— Eu simplesmente não consigo te entender. — Bo Gum comenta, sentado ao meu lado no sofá. — Em vez de seguir em frente e esquecer o passado, você escolhe reviver as memórias mais amargas... só por vingança.
— Não espero que me entenda, hyung. — Lanço um olhar breve em sua direção antes de voltar a atenção para a tela do notebook. — Mas preciso fazer isso. — Confirmo a compra da passagem com um clique firme.
— Claro que precisa. — Seu tom carregado de sarcasmo não me escapa. — Assim como eu preciso de mais horas de sono, mas nem sempre a gente tem o que precisa.
— O seu caso é diferente. Sua falta de sono é por causa do seu papel.
— Qual é, Tae... desiste dessa ideia. Isso só vai te machucar mais. Me escuta.
— Desculpa, hyung. — Seguro sua mão, apertando com carinho. — Mas já me decidi.
Bo Gum iria retrucar, mas a campainha interrompe.
— Por que o porteiro não avisou que alguém estava subindo? — Ele coça o queixo, confuso.
— Deve ser a Annie. Ele nunca avisa quando é ela. — Me levanto e vou até a porta.
— Vou me trocar. — Bo Gum corre para o quarto, como sempre faz quando a Annie está vindo. O pijama de ursinho não sobreviveria ao julgamento dela — não que ela fosse dizer algo, mas Bo Gum considerava até demais a opinião da Annie.
Chegava a se vestir como se fosse a um desfile… dentro da própria casa.
— Atrapalho? — Annie pergunta, encostada no batente da porta.
— Nunca. Entra. — Ela sorri e aceita o convite, passando por mim.
— Desculpa aparecer sem avisar, mas soube que vai viajar e… vim me despedir.
— Como soube? — Indico o sofá.
— Bo Gum. — Responde, tirando a echarpe e a dobrando sobre o colo. — Vai ficar fora por muito tempo?
— Não mais que uma semana. No máximo. — Me acomodo ao seu lado e a puxo de leve para deitar a cabeça no meu colo.
Ela ri e se ajeita, encolhendo as pernas no sofá. Com ela aninhada ali, começo a alisar seus cabelos cor de cobre presos num rabo de cavalo apertado. Annie Wessex sempre fora uma mulher espetacular — na aparência, claro, mas também na personalidade. Quando Chanyeol nos apresentou, não consegui evitar o encantamento. Os olhos azul-bebê sempre risonhos foram o que mais me prenderam, mas a pele pálida e os lábios em forma de coração... traziam memórias antigas. E doces. E doloridas.
Bo Gum vivia dizendo que eu só estava com ela porque ela se parecia demais com certas pessoas do passado. Que eu a usava como um supressor. Talvez estivesse certo. Mas eu me apeguei a Annie. Ela virou uma amiga verdadeira. E, mesmo que sua presença me lembrasse tudo o que tentei enterrar, nunca conseguiria simplesmente... deixá-la.
— Seu pai está melhor? — Tento focar em outras coisas, para não me perder em pensamentos inúteis.
— Está sim. A enfermeira que contratei é maravilhosa. — Vira o rosto, me encarando. — Mas não quero abandoná-lo de novo... só porque o Park Chanyeol exigiu.
— Desculpa. Prometo que não vai acontecer de novo. — Sorrio, sincero.
Ela assente e deixa o olhar correr pelo apartamento. Seus olhos pousam na tela do notebook — propositalmente ou não.
— Você vai voltar pra Coreia? — Ela se levanta, pega o notebook. — Vai visitar seu irmão? — pergunta curiosa.
— Exatamente.
— Sinto falta dele... principalmente das conversas reflexivas que tínhamos. — Ela solta uma risadinha com a lembrança.
— Digo que você mandou um beijo.
— Olá, Annie. Que prazer revê-la. — Bo Gum aparece, agora vestindo algumas peças do meu último desfile. Sério, ele nunca desaponta.
— O prazer é meu. — Ela sorri, aceitando o abraço dele.
Olho os dois e me pergunto, não pela primeira vez, se Park Bo Gum tinha uma queda por Annie.
— Vai com o Taehyung pra Coreia? — Ela o puxa para sentar ao seu lado.
— Não. Isso é um assunto particular dele. Seria inapropriado ir junto. — Ele abafa com um gesto de mão, como se fosse nada demais.
— Ótimo. Assim posso te acompanhar nas filmagens do seu novo filme. Sempre tive vontade de ver os bastidores. — Ela estica os lábios vermelhos em um sorriso brilhante que deixa Bo Gum um tanto aéreo.
Pronto. Agora eu tinha certeza. Meu melhor amigo, talvez, finalmente estivesse preenchendo o coração ferido com um novo amor.
[...]
Quarta respiração profunda.
Sinto o ar úmido e familiar de Daegu preencher meus pulmões.
— Senti saudades. — murmuro ao descer as escadas do avião.
Depois de passar pela área de desembarque e pegar minhas malas, me dirijo à saída.
Foi ali que o vi.
Uma silhueta alta, magra, inconfundível.
Um sorriso se abre no meu rosto, involuntariamente.
— HYUNG!
Namjoon me encara por um segundo — e então o sorriso de covinhas, aquele que me acompanhou a vida toda, ressurge.
— Demorou pra voltar, maninho.
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Forbiden Love {Taeyoonseok}
FanfictionTaehyung não conseguia se lembrar do exato momento em que se tornara amigo de Yoongi e Hoseok ou nem de quando começara a nutrir sentimentos por ambos. Mas de uma coisa ele tinha certeza, o sentimento que tomava conta de si a cada dia, o destruía o...
