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Should I go back?

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Passo uma leve camada de gloss nos lábios, pressionando-os para espalhar melhor. Guardo o bastão na gaveta e encaro meu reflexo.

— Caramba... não sabia que seria você a desfilar. — Bo Gum comenta da porta do meu quarto, com um sorriso curioso.

— Kim Taehyung não pode passar despercebido. — Sorrio de lado, ajeitando o colarinho.

— Eu sei disso, mas... não precisa chamar toda a atenção.

— Mas aí perderia toda a graça. — Dou uma risada baixa, voltando a me concentrar no espelho. — Solto ou preso?

— Preso. Te dá um ar mais intelectual.

— Então preso será. — Cato um elástico na gaveta e começo a juntar os fios num coque baixo.

Bo Gum se aproxima e, com gestos delicados, me ajuda a prender os fios que insistem em escapar.

— E quando vai mudar a cor? — pergunta.

— Ainda não sei. Gosto dessa cor. — Analiso o cinza claro no espelho. Já fazia quase dois meses que o mantinha assim. — Mas... se fosse pra mudar, qual cor você sugeriria?

— Verde. — Responde sem hesitar.

— Verde? Assim tão radical? Não vai ficar meio... extravagante?

— Qualquer cor combina com você, Taehyung. — Ele sorri e, com um gesto suave, solta uma mecha fina que cai sobre meu rosto.

— Não sei o que seria de mim sem você pra amaciar meu ego a cada cinco minutos. — Brinco, satisfeito com o reflexo.

— De nada. É pra isso que servem os amigos. — Ele dá um leve aperto no meu ombro. — E... de que você vai hoje?

— Pensei em Prada.

— Já escolheu o conjunto?

— Está ali, na cama. — Aponto.

Bo Gum caminha até as peças e começa a analisá-las. Sorrio comigo mesmo — aquela era a parte favorita do dia para ele. Escolher roupas, montar visuais... um ritual silencioso entre nós.

— Gostei dessa calça. Quero uma igual. — Aponta para a slim fit azul escura. — E esse sobretudo aqui... sem bolso? Estiloso. Quanto foi?

— Não menos que vinte mil. — Respondo, lembrando do preço na etiqueta.

Vinte mil?! — Ele me olha incrédulo, segurando o sobretudo como se fosse feito de ouro.

— É bonito. — Dou de ombros. — Sou Kim Taehyung. Não posso usar nada barato. Você sabe... qualquer peça que eu vista, a imprensa vai comentar.

— Então nem quero saber quanto custou esse suéter. — Ele o ergue. — Isso é lã?

— Yep. — Pego das mãos dele e o visto. — Não posso fazer feio hoje.

— Acho que isso seria impossível. — Ele ri. — Agora vou estudar meu texto. Boa sorte.

— Ei, Bo Gum. — O chamo antes que ele desapareça no corredor. — Você mudou de ideia?

— Já te dei minha resposta, Taehyung. Não vou voltar pra Coreia.

[...]

A porta da limusine se abre, e os flashes me atingem como uma onda. Me forço a manter os olhos abertos. Um, dois passos.

— Está pronta? — Olho para dentro do carro e estendo a mão.

Annie a segura com delicadeza, os olhos firmes nos meus.

— Estou.

Ela sai com elegância e se posta ao meu lado, entrelaçando o braço ao meu. Caminhamos pelo tapete vermelho como se tudo fosse natural, automático — mas por dentro, sabíamos que não era.

— Hoje a noite vai ser longa. — murmura Annie, ouvindo as perguntas ácidas que ecoavam ao redor.

— Mantenha a calma e o foco. Quando menos esperarmos, já terá acabado.

— Assim espero. Meu pai precisa de mim.

Foram três horas de exibicionismo, bajulação forçada e sorrisos vazios.

Ao fim, joguei-me no sofá com roupa e tudo. O corpo implorava por descanso, mas minha mente...

...minha mente ainda vagava.

Massageio o pescoço, exausto, e meus olhos pousam sobre o convite na mesa de centro.

Me estico, pego o papel e releio pela décima vez.

Caro Kim Taehyung,
A escola Oogieart o convida para o encontro da turma de 2007.
Esperamos a sua presença.


A dúvida volta a me envolver como fumaça espessa.

— Será que Bo Gum tem razão...? — murmuro.

E se tudo der errado?

E se Yoongi e Hoseok estiverem juntos, felizes, completos... sem mim?

E se, ao invés de inveja, sentirem apenas indiferença?

E se, ao me verem, pensarem que me esqueceram com alívio?

O que vou fazer se descobrir que fui o único a carregar toda aquela dor, todos esses anos?

Por mais que tente esconder...

Por mais que enterre...

Eu ainda sinto falta deles.

De ambos.

Um amor assim... não desaparece.

— O que eu faço...? — fecho os olhos com força, como se isso fosse afastar a dúvida.

Mas a dúvida já era parte de mim.

Forbiden Love {Taeyoonseok}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora