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Cansei dessa merda. — resmungo, cortando a conversa com Hoseok. — Chega dessas desculpas esfarrapadas.

— Você não está ouvindo, Taehyung, eu...

O toque insistente do celular dele interrompe sua tentativa de resposta — de novo.

Eu já disse que ligo mais tarde. — ele desliga, nem sequer esperando resposta.

— Que tal darmos isso por encerrado? — cruzo os braços, sentindo o vento frio da tarde roçar meu rosto.

Não. Você não vai embora até eu terminar o que tenho pra falar.

O encaro, confuso, sem saber como prosseguir. Hoseok... ele me confundia cada vez mais. Ele não negava o que aconteceu, mas também não assumia. E isso estava me tirando do sério. E para piorar, seu celular tocou mais de quatro vezes — em todas, ele ignorou.

Por que você não cala essa maldita boca e me deixa ir?! — explodo, perdendo toda a paciência que me restava.

Ele estava prestes a responder — mais uma série de explicações sem sentido — quando, de repente, sua cabeça vai para frente com o tapa que recebe na nuca.

Você tá me ignorando, seu filho da puta?! — um garoto baixo, de cabelos cor-de-rosa e olhar assassino, encara Hoseok como se fosse socá-lo. — Tá querendo morrer?

O garoto não parecia ter mais que vinte anos. Os olhos castanhos, pequenos, estavam espremidos de raiva. Os lábios carnudos e rosados formavam um bico de puro descontentamento.

O que você tá fazendo aqui, Jimin? — Hoseok suspira, claramente nada feliz em vê-lo.

Vim atrás de você, é óbvio! Por que ignorou todas as minhas ligações? — cruza os braços curtos, impaciente.

— Jimin, por favor... — Hoseok joga a franja para trás. — Eu não tenho tempo pra falar agora. Me espera em casa, tudo bem?

Jimin bufa, e só então me nota. Seus olhos me examinam de cima a baixo, e ele franze o cenho.

Você tá me fazendo esperar... por causa dele?! — aponta para mim, com a expressão azeda.

Por favor, amor. Me deixa terminar aqui.

"Amor."

Vacilo ao ouvir Hoseok chamá-lo assim. A palavra sai fácil demais. Jimin cora, e meu estômago dá um giro.

Não precisa fazê-lo esperar por minha causa. — engulo em seco, forçando minha voz a se manter firme. — Já acabamos mesmo.

Jimin sorri satisfeito, segura a mão do Hoseok e começa a puxá-lo para longe. Antes que desapareçam, vejo Hoseok virar discretamente os lábios para mim.

“Conversamos depois.”

[...]

Min Yoongi

Jogo duas garrafas de uísque na lixeira e corro até a pia para lavar a louça que praticamente dominava o espaço.

Quando foi que deixei isso chegar a esse ponto? — murmuro, irritado comigo mesmo. A bagunça da casa era reflexo perfeito do meu caos interno.

A campainha ecoa pelo apartamento.

Merda. — seco as mãos nas calças, apressado. Abro a porta com um sorriso automático.

Oi, crianças!

Três pequenos seres me encaram com olhos atentos.

Tem sabão no seu nariz. — Hyun Seok ri, apontando com o dedinho.

Rindo junto, abro caminho para que entrem.

— Cadê a mãe de vocês?

Ela disse que não queria ver a sua cara. — Tae Hoon responde, já se jogando no sofá e ligando a TV.

Ah. — murmuro, engolindo a tristeza. A mulher com quem fui casado por dez anos... agora mal consegue me olhar.

Sinto um leve cutucar na perna.

Oi, meu amor. — me abaixo para ficar na altura da minha pequena.

"O papai tá triste porque a mamãe não quer vê-lo?" — seus pequenos dedos sinalizam com agilidade.

Não tô triste, só surpreso. — respondo em voz alta, acompanhando com os dedos. — E você, mocinha, tem que tentar falar também. Estamos combinadas?

Ela sorri e assente, corajosa.

Pa-para... onde vamos... hoje? — ela movimenta os dedos e fala, a voz doce saindo rouca e tímida.

Eu não sei... — olho para os gêmeos, ainda no sofá. — Meninos, alguma sugestão?

A Sa Rang disse que queria ir ao parquinho. — Hyun Seok responde prontamente.

— É verdade, querida?

"É, papai."

— Usa as palavras, meu amor.

Eu quero... ir.

— Então vamos ao parquinho!

[...]

Por que o senhor não me deixou no seu apartamento? — Tae Hoon resmunga, mal-humorado. — Não tem nada pra fazer aqui.

Pode brincar nos brinquedos. — aponto o óbvio.

Ele me olha como se eu fosse o mais idiota dos pais e revira os olhos.

Quantos anos acha que eu tenho? — vai até um banco, senta e saca o celular.

Credo. — olho para ele por um segundo, me perguntando a quem ele puxou.

Pai, a Sa Rang tá com sede. — Hyun Seok avisa.

Compra alguma coisa pra ela. — entrego algumas notas. — Valeu, campeão.

Apesar de gêmeos, Hyun Seok e Tae Hoon são completamente diferentes. Aparência, temperamento, tudo. Hyun é doce, animado, sempre sorrindo. Tae é ácido, direto e eternamente entediado. E Sa Rang... é minha cópia perfeita quando pequeno. Meu pequeno reflexo.

A única coisa da qual realmente me orgulho são eles.

Mesmo com todas as minhas falhas, sei que tenho o amor deles.

Olha só se não é Min Yoongi. — ouço uma voz atrás de mim. Reconheço de imediato.

Viro lentamente e encontro Kim Taehyung, me encarando com desdém e um sorrisinho debochado nos lábios.

Taehyung... o que tá fazendo aqui?


Forbiden Love {Taeyoonseok}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora