— Mais uma dose, por favor. — Taehyung ergue o copo, buscando com os olhos o barman.
Enquanto esperava ser servido, varria a pequena boate com um olhar entediado. Estava cheia — provavelmente por ser fim de semana — e, mesmo assim, nada lhe chamava a atenção. Estar brigado com Namjoon o forçara a frequentar aquele tipo de lugar nos últimos dois dias. O irmão mal olhava em sua cara, e Seokjin não parava de tentar puxar assunto. Taehyung estava esgotado. Não era para isso que havia voltado à Coreia.
Definitivamente, não.
— Está sozinho? — perguntou uma voz suave ao seu lado.
Olhos castanho-claros brilhavam com interesse, lábios finos e cor de cereja exibiam um sorriso de canto.
Os cabelos pretos e grossos completavam o conjunto charmoso do homem que se sentara ao seu lado. Taehyung o observou por um instante. Era bonito. Interessante até. Mas não o suficiente para distraí-lo da bagunça que se tornara sua mente.
— Estou. E pretendo continuar. — respondeu, curto.
Mesmo interessado, não queria sair com ninguém naquela noite. Sexo, por mais que fosse algo frequente em sua rotina, parecia vazio agora.
— Bom saber. — O desconhecido riu da recusa precoce. — Pelo menos posso me sentar ao seu lado?
— Fique à vontade. — gesticulou para a cadeira ao lado.
— Dylan Wang. — ofereceu a mão, pálida, com veias salientes ao longo do antebraço.
— Kim Taehyung. — aceitou o cumprimento, mas o soltou rápido ao sentir uma leve descarga elétrica passar entre suas peles. Arqueou as sobrancelhas, surpreso.
— Foi só eu que senti isso? — Dylan perguntou, encarando-o com curiosidade.
— Sentir o quê? — Taehyung se fez de desentendido. Claro que sentira. Mas não queria se envolver com desconhecidos — não aquela noite.
— Tudo bem. Entendi. — Dylan lambeu os lábios e os mordeu. — Você está inacessível.
— Que bom que entendeu. — Um pequeno sorriso surgiu quando finalmente foi servido.
— Teve o coração quebrado muitas vezes? — Dylan levantou a mão para o barman. — Gim tônica com gelo, por favor.
Taehyung o observou de soslaio, ainda tentando entender o que aquele homem queria.
— Por que eu diria algo tão pessoal para alguém que acabei de conhecer?
— Já sabemos o nome um do outro. Isso já é um começo, não acha?
Taehyung o analisou mais atentamente. Ele era insistente. E provavelmente o reconhecera de alguma revista.
— Você sabe quem eu sou, não sabe?
— Claro que sei. — Dylan deu uma risada. — Você é Kim Taehyung. Acabou de me dizer seu nome, cara. Já se esqueceu?
— Não se faça de engraçadinho. Você já sabia antes mesmo de eu falar.
Dylan perdeu o humor.
— Não sei se você sabe, mas não carrego uma bola de cristal no bolso. — O tom estava mais firme. — Se você tá tendo um dia de merda, tudo bem, eu sinto muito. Mas não precisa descontar em cima dos outros. Vim de boa puxar assunto porque te achei interessante. Mas, sinceramente? Foi um erro. — Pegou o copo recém-servido — que Taehyung nem notara chegar — e se levantou. — Tenha uma boa noite.
Ergueu o copo em despedida e foi embora, deixando Taehyung de boca aberta e corroído pela culpa.
— Merda. — murmurou, puxando os fios da própria franja em nervosismo.
Talvez fosse melhor encerrar a noite. Reservaria um quarto em algum hotel por perto. Afinal, ser indesejado na própria casa era uma sensação insuportável.
[...]
Acordou com a boca seca, o estômago embrulhado e o rosto inchado. Com dificuldade, arrastou-se até o banheiro. Lavou o rosto e tentou tirar do corpo o cheiro entranhado de álcool. Conseguira um quarto mediano e, após esvaziar todas as garrafinhas de vodca do frigobar, simplesmente desmaiara.
— O que estou fazendo da minha vida? — murmurou ao encarar o próprio reflexo destruído.
De repente, algo mudou. Uma onda de fraqueza percorreu seu corpo. Suas pernas bambearam, sem força. O coração acelerou em desespero.
— Bo Gum... — sussurrou, como um pedido. — Gummy, me ajuda...
Caiu no chão com um baque seco. Uma dor aguda e lancinante na perna direita o fez gritar baixo. Cravou as unhas na coxa, tentando conter a dor que irradiava como fogo.
— Porcaria... — lágrimas escorriam pelo rosto vermelho e suado. — Bo Gum...
O nome de seu melhor amigo era a única âncora que lhe restava.
— Hoseok... — O nome que jurou nunca mais pronunciar escapou entre seus lábios como um sopro final, antes que a inconsciência o engolisse por completo.
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Forbiden Love {Taeyoonseok}
FanfictionTaehyung não conseguia se lembrar do exato momento em que se tornara amigo de Yoongi e Hoseok ou nem de quando começara a nutrir sentimentos por ambos. Mas de uma coisa ele tinha certeza, o sentimento que tomava conta de si a cada dia, o destruía o...
