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Trust Me

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Jung Hoseok

O som apressado de roupas sendo vestidas e passos inquietos começa a me arrancar da exaustão que dominava meu corpo. Eu já tinha perdido a conta de quantas vezes gozei naquela noite. Taehyung tinha a disposição de um touro.

Sorrio ao lembrar da sensação da sua boca em mim.

Abro os olhos lentamente e demoro alguns segundos para focar na figura à frente, que circulava o quarto com pressa visível.

— Cadê essa porcaria, merda! — desperto de vez ao reconhecer a voz dele.

— O que está fazendo? — pergunto, mantendo a voz baixa para não acordar Yoongi, que ainda roncava ao meu lado.

Mas Taehyung sequer me olha. Ele está tão concentrado no que parece ser a busca pelas próprias roupas, que nos apaga completamente.

Um mau pressentimento se instala. Me levanto num pulo e o paro, segurando seus braços.

— Taehyung, estou falando com você! — o sacudo de leve. — Nem pense em fugir.

— Vo-vocês conseguiram o que queriam. Agora me deixem ir. — Ele tenta se soltar, mas eu aperto seus braços, impedindo a fuga. — Se não me largar agora, eu grito. — Sua voz é tão carregada de ódio e repulsa que meu coração vacila. Aquele olhar... eu não reconhecia mais o homem à minha frente.

— Tae, por favor, não vai. Não nos abandone.

— Eu não posso fazer isso. Desculpa te desapontar. — Ele finalmente se solta, encontra a blusa, a veste com pressa… e vai embora. Sem olhar para trás.

Engulo em seco, tentando conter as lágrimas que ardiam nos meus olhos.

— Preciso de ar. — murmuro, indo até a varanda. Acendo um cigarro que peguei da mesa de cabeceira do Yoongi.

[...]

Kim Taehyung

O entorpecimento... a ausência do ardor no peito... a sensação de queda constante... era o mais perto de paz que eu conseguia.

Como senti falta de não sentir nada.

Um som irritante me arranca desse silêncio. O celular ao meu lado vibra e toca sem parar, me impedindo de afundar naquele sono anestésico.

Arrasto meu corpo pelo colchão com dificuldade. A cada dois segundos preciso parar pra recuperar o fôlego. Por que aquele maldito celular estava tão longe?

Quando finalmente o alcanço, o nome na tela me faz engolir seco: Hoseok.

Fico tanto tempo encarando o visor, que a ligação cai. Mas o alívio não dura muito. O telefone volta a tocar, e meu coração vacila.

— Alô? — Atendo com esforço, a voz lenta, embolada. Torço para que Hoseok não perceba.

— Taehyung? Está tudo bem? Você saiu daquele jeito, todo nervoso... fiquei preocupado. — Hoseok fala rápido, aflito. Não havia se passado nem 2 horas desde que havia ido embora.

— Eu... eu... tô bem. Vou... desligar. — Cada palavra exige uma batalha contra o efeito da droga correndo em meu corpo.

— Tae, por que você está falando desse jeito? — Sua preocupação aumenta dez vezes.

— Não te... interessa. — desligo, e o celular escapa das minhas mãos. Meu corpo tomba no colchão, sem forças.

— Finalmente paz. — murmuro, me entregando à escuridão.

[...]

Jung Hoseok

— TAEHYUNG? — grito no telefone. Tudo que escuto é o silêncio do fim da linha.

— Por que tá gritando a essa hora, tá maluco? — Yoongi sai do quarto, com os olhos quase fechando e o rosto amassado.

— Aconteceu alguma coisa com o Taehyung! — respiro com dificuldade. Se eu soubesse que ele faria alguma besteira, nunca o teria deixado sair.

— O quê? Como assim?

— Você apagou, não viu. Mas depois do que rolou entre a gente, ele saiu transtornado. Liguei agora... e ele não parecia bem, Yoongi. Tô com medo dele...

— Calma. — Yoongi se aproxima ao ver meus olhos marejados, os lábios tremendo. Eu estava prestes a desabar. — Nós temos o endereço dele. Vamos ver se está tudo bem. — Ele passa a mão nas minhas costas.

— Ok. Vou me arrumar. — Corremos para vestir nossas roupas espalhadas pelo quarto.

Depois de uma eternidade, chegamos ao hotel onde ele estava hospedado. Yoongi quase pula no pescoço da recepcionista, até que ela finalmente cede e nos dá o andar e o número do quarto.

— Taehyung! Abre essa porta! — Yoongi esmurrava a madeira. — Não tô brincando!

— Assim ele nunca vai abrir. — O empurro para o lado. — Taehyung, sou eu. O seu Sol. Abre pra gente, por favor. — Apoio a testa na porta, e deixo as lágrimas escorrerem. — Você pode achar que o que aconteceu foi um erro... mas eu vejo como a prova de que ainda nos amamos. Por favor. Confia em mim. Só dessa vez.

Quando estávamos prontos para arrombar a porta, ela finalmente se abre.

Taehyung aparece com o rosto molhado, escorado na parede, como se não tivesse mais força pra ficar de pé.

— Por que... por que vocês acham que... — Ele cambaleia, caindo. Yoongi o segura antes que atinja o chão. — Por que eu devia confiar em vocês? — Sua voz sai embolada, tropeçando nas palavras. Ele mal conseguia falar.

— O QUE DIABOS VOCÊ FEZ?! — Yoongi o sacode, o coração em pânico.

— Como sempre... brigando comigo. — Ele ri, longo, dolorido.

— Vamos levar ele pro hospi—

— NÃO! — Ele agarra o braço de Hoseok. — Eu vou melhorar. Só preciso... dormir um pouco. Eu juro que vou melhorar. — O medo do julgamento o faz implorar.

— A gente não sabe o que você tomou, Taehyung. — Hoseok engole seco. — Precisamos ir pro hospital agora.

— Eu só exagerei um pouquinho no remédio pra dor. Só isso. — Seu corpo tremia. — Por favor... me ouve.

— Tae... não podemos arriscar. — Hoseok morde os lábios, sufocando o desespero. Não podia perdê-lo de novo. Não agora.

— Vocês pediram pra eu confiar em vocês... — As lágrimas quase o impedem de continuar. — Então... confiem em mim. Não me levem pra lá.

Yoongi e eu nos entreolhamos por longos segundos.

E mesmo com a razão gritando, escolhemos acreditar nele.

— Vamos levantá-lo. — Yoongi segura seu tronco, e juntos o colocamos debaixo dos edredons.

— Está se sentindo um pouco melhor? — pergunto, penteando os fios prateados com os dedos. Preciso acreditar que ele vai ficar bem.

— Sim... só com sono. — Um sorriso pequeno e frágil surge em seus lábios. — Já vai passar... ele nunca dura muito. — E então, cai num sono profundo. Sem hora pra despertar.

Forbiden Love {Taeyoonseok}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora