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Freedom ( parte 1)

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Capítulo – Kim Taehyung

Minhas mãos tremiam tanto que mal conseguiam segurar o copo de água. Era como se estivessem feitas de borracha, e meus dedos escorregavam, derramando o líquido no chão frio da delegacia. Eu o observava se espalhar, gotejando entre as rachaduras do azulejo, como se fosse o sangue do meu próprio corpo. Meus lábios estavam em carne viva de tanto que os mordia, e minha pele... meu Deus, minha pele pinicava com tanta intensidade que eu teria arrancado cada pedaço só pra ver se o tormento cessava.

O mundo ao meu redor estava embaçado, irreal, como se estivesse preso dentro de um filme antigo, desbotado. Eu só conseguia ouvir meus próprios pensamentos repetindo: foi ele... foi ele quem fez isso com o Namjoon... como um mantra que me dilacerava por dentro.

– Taehyung.

Meu corpo deu um pulo. A voz de Bo Gum me trouxe de volta como um raio, e quando o vi correndo até mim, algo dentro de mim cedeu. Todo aquele peso, aquela dor... tudo desabou.

– Hyung... – sussurrei, e a dor explodiu na garganta em forma de soluços violentos. Me joguei em seus braços, agarrado como se ele fosse meu único porto seguro. – Hyung, me acorda desse pesadelo, por favor. Por favor...

Eu estava me despedaçando. Diante dele, eu era só um menino quebrado, tentando entender em que momento minha vida tinha virado um campo minado.

– Me diz o que aconteceu. Por que está todo ensanguentado? Por que está em uma delegacia? – Bo Gum tentava manter a calma, mas eu via em seus olhos o mesmo pânico que me consumia.

– Foi ele. – engasguei, me agarrando mais forte ao tecido da sua camisa. – Foi ele quem fez aquilo com meu irmão.

Bo Gum tentou me acalmar, pediu que respirasse, e mesmo sentindo meu peito arder, eu tentei. Quarenta minutos depois, eu finalmente consegui contar tudo. Cada segundo. Desde o momento em que Jin confessou o que fez até eu perder o controle e ser arrastado por seguranças, minha fúria me cegando, minha mente implorando por justiça. E então, a polícia. E a confissão dele. A maldita confissão.

Seokjin manipulou a escada que Namjoon usou. Ele queria apenas incapacitá-lo, para que eu ficasse mais tempo na Coreia. Como se meu irmão fosse um obstáculo a ser removido.

A polícia descobriu ainda mais. Stalking. Invasão. Um histórico de ex-namorados traumatizados. Ele era um doente. E por mais que eu tentasse entender... não conseguia. Era nojento. Era imperdoável.

– Bem que você falou que ele era estranho. – Bo Gum comentou quando saímos da delegacia. Minhas pernas ainda bambas, meu estômago revirado.

– Acho que minha sina é essa: viver rodeado de gente estranha. – murmurei, tentando rir, mas soando mais como um desabafo triste.

[...]

Dois meses se arrastaram como anos.

Namjoon finalmente acordou. E mesmo que com sequelas, ele voltou. Falava devagar, pensava mais devagar ainda, mas estava ali. Vivo. E isso era tudo o que importava.

Depois que ele soube de tudo... de Jin... ele se fechou. Sumiu dentro de si. E eu assistia impotente. Nada do que eu dissesse parecia curar a dor que sangrava nos olhos dele. Ele se culpava por não ter percebido antes. Por confiar. Por amar um homem que só via a mim.

E eu? Eu já nem sabia o que sentia.

Chanyeol me ligou, exigindo meu retorno a Londres. Disse que, se não voltasse, estaria fora da coleção de inverno. E no fundo... eu sabia que precisava ir. Precisava fugir antes que tudo me afundasse de vez.

– Você acha que está pronto? – Sua  voz saiu como um sussurro. Olhava para as malas prontas, como se elas fossem bombas prestes a explodir.

– Não sei, hyung. – confessei. – Não me sinto seguro deixando o Namjoon desse jeito.

Forbiden Love {Taeyoonseok}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora