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Soulmate

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Kim Taehyung

Ele não iria contradizê-los. Não ia dizer que o amor curava tudo, nem propor que ficassem juntos. Isso não iria acontecer.

A verdade era simples e amarga: eles funcionavam melhor separados.

E Taehyung estaria mentindo se dissesse que nunca imaginou uma reconciliação — os três juntos, felizes, um final digno de contos de fadas. Mas aquilo não era um romance açucarado. A vida real era muito mais crua. Dolorosa. Complicada.

— Quando você pretende ir embora? — a voz de Hoseok soa estranha, ausente de qualquer sentimento. Era quase como se não viesse dele.

— Estava planejando ir na próxima semana... mas vou esperar meu irmão acordar. — O clima entre os três era desconfortável, sufocante. Os dois mais velhos o olhavam como se ele estivesse prestes a morrer — e Taehyung odiava isso. — Sabe... ainda podemos conversar, mesmo depois que eu voltar pra Londres.

— Como assim? — Yoongi o encara com os olhos ainda vermelhos e inchados.

— Nós acabamos de nos reconciliar. Não vejo problema em voltarmos a ser amigos.

— Amigos? — murmura Hoseok, perdido em seus próprios pensamentos. — Eu não sei se conseguiria ser só seu amigo, Tae. Eu sinto... demais por você.

— Eu também. — Yoongi suspira profundamente, como se dizer aquilo o esvaziasse por dentro.

— Vocês estão falando sério? Qual é, gente! A gente pode tentar, sim! — Taehyung não conseguia explicar, mas havia algo dentro de si que implorava para que eles ficassem por perto. Ele sabia que não podiam ser amantes, mas... será que não podiam ser pelo menos algo?

Os três se encaram. O silêncio entre eles era pesado, denso como neblina. Nenhum queria colocar um ponto final naquela história que se arrastava há anos. Por mais amarga que fosse, havia sentimento demais ali. Um sentimento que sobreviveu ao tempo, à dor e ao silêncio.

— Ah, vão se foder vocês dois, então! — explode, levantando-se tão rápido que sua visão escurece por alguns segundos.

— Vai com calma, esquentadinho. — Yoongi o segura antes que ele perca o equilíbrio. — Vamos pensar sobre isso, tá bem?

— Deixa pra lá. Esquece o que eu disse. — Tae se afasta e abaixa o rosto, constrangido. Por que ele não conseguia simplesmente manter a maldita boca fechada?

— Ei, olha pra mim. — Yoongi segura seu queixo, forçando-o a encará-lo. — A gente vai morrer de saudade quando você for embora. Vai doer pra caralho te ver partir. Então tenta entender: o que você está pedindo... vai nos machucar também. Mas eu prometo tentar. Quem sabe... eu mande mensagem a cada seis meses. — Sorri, enxugando com carinho as lágrimas que escorriam pelo rosto de Taehyung, que nem tinha percebido que estava chorando.

Por que tudo tinha que ser tão difícil?

— Hobi, seu celular tá tocando. — Yoongi aponta para o aparelho esquecido na mesa de cabeceira.

E no visor, claro e luminoso, piscava o nome "Amor".

— Você ainda está namorando ele? — pergunta Taehyung, com a voz baixa.

— Óbvio que não. — Hoseok suspira e atende. — Fala, Chimmy. Agora não dá, tô ocupado. — Fecha os olhos, massageando a têmpora, claramente irritado. — Jimin, para de drama. Eu tô ouvindo a voz do Jungkook aí do seu lado. Não vem bancar a vítima.

— Nossa, fazia tempo que eu não via esse lado do Hoseok. — Taehyung observa o homem que, anos atrás, o tratava da mesma forma. — É um padrão de vocês tratarem mal quem gostam?

— Sei lá, Tae. Talvez sejamos ferrados demais da cabeça pra lidar com algo saudável. — Yoongi solta uma risada amarga.

— Que merda foi essa, Hoseok? — questiona Taehyung assim que ele desliga. — Posso não conhecer esse tal de Jimin, mas reconheço esse padrão.

— Nem começa, Taehyung. Como você mesmo disse, você não o conhece. Aposto que, minutos atrás, ele tava transando com o Jungkook.

— Assim como nós. Não seja hipócrita. — resmunga. — Dói pra caralho ser tratado assim. Eu sei. Vocês dois estão errando feio, e no fim... ainda podem ser almas gêmeas.

Hoseok engole em seco.

— E se... e se você e o Yoongi forem minha alma gêmea? — Sua voz sai baixa, frágil, cheia de dúvida e medo.

Taehyung respira fundo antes de responder.

— Eu posso dizer com certeza: não somos. — Ele recolhe o celular e as chaves do carro. — Seokjin me ligou. Disse que tem novidades sobre meu irmão. Vou lá.

Ele caminha até a porta. Mas antes de sair, vira-se uma última vez e sorri, melancólico:

— Antes de voltar pra Londres... eu vou me despedir de vocês.

E sai, batendo a porta atrás de si. O som ecoa pelo quarto, rompendo o silêncio — e talvez algo mais.

Forbiden Love {Taeyoonseok}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora