— Mas, Taehyung, eu não posso ir a um evento agora... Você sabe que meu pai está doente. — Annie passava a mão pelos cabelos vermelhos, os dedos trêmulos. Seu nervosismo era evidente.
— Eu sei. Mas é necessário. Você sabe que sua carreira depende disso. — Dizer aquilo me corroía por dentro. Era cruel colocá-la nessa posição. Cuidar do pai ou comparecer a um desfile que poderia mudar tudo?
— Essa não é uma escolha justa, não acha? — Seus olhos azuis, como piscina em dia nublado, me encararam cheios de decepção.
— Me desculpa por te forçar, Annie. Mas você sabia, desde o começo, que o sucesso exige sacrifícios. — Afaguei seus fios com cuidado, como se meu toque pudesse suavizar a dor da escolha.
Ela suspirou profundamente. Longo, alto e resignado.
— Tudo bem. Você tem razão. Vou contratar uma enfermeira. Eu vou com você.
— Obrigado, Annie. Você sabe o quão importante esse desfile é...
— Eu sei. — Ela assentiu, mas sua expressão endureceu. — E tenho um conselho pra você, Taehyung.
— Pode falar.
— Você precisa começar a tomar as rédeas da sua vida.
— Como assim?
— Não deixe o Chanyeol continuar te manipulando. Quando você perceber, todas as decisões já terão sido tomadas por ele, e tudo o que vai restar... é aceitar.
Ela deu um leve tapinha no meu ombro e sorriu — mas não era um sorriso feliz. Era o sorriso de alguém que conhecia muito bem o gosto amargo da realidade.
Saí da casa dela com as palavras martelando na cabeça.
Desde que Chanyeol se tornou meu assessor, minhas escolhas deixaram de ser minhas.
Ele dizia onde eu devia ir, o que devia vestir, o que devia dizer. E eu... apenas obedecia.
Por medo.
Medo de fracassar sem ele.
Annie estava certa.
Mas, por agora, ainda não posso me rebelar. Não enquanto eu ainda precisar dele.
Só mais um pouco. Só até eu não precisar mais de ninguém.
[...]
— Finalmente apareceu. Achei que teria que te procurar pela cidade.
— Não enche, Bo Gum. Nem demorei tanto assim.
Ele arqueou uma das sobrancelhas e olhou o relógio no pulso com aquele ar de "tenho provas".
— Se você diz... — murmurou, sem muita vontade de discutir. — Mas não é sobre isso que quero falar.
— Então fala. — Tirei o grosso casaco de pele e pendurei no cabideiro.
— Chegou uma carta pra você... da sua antiga escola.
— O quê?! — Meus olhos se arregalaram. — Onde está?
— Em cima da mesinha de centro. — Apontou.
Corri até a sala, rasgando o envelope com mais urgência que cuidado.
Caro Kim Taehyung,
A escola Ooigieart o convida para o encontro da turma de 2007.
Esperamos a sua presença.
Dei uma risada incrédula.
— Não acredito... — gargalhei. — Compra as passagens.
— Você tá falando sério? — Bo Gum me encarou, cenho franzido.
— Mas é claro que sim. Você acha mesmo que eu perderia isso? Esperei por esse momento a minha vida inteira.
— Taehyung... — Bo Gum segurou minha mão. — Não vale a pena. Eles te machucaram demais. Só... esquece.
— Esquecer? — Afastei sua mão. — Você sabe que isso não é possível. Não depois de tudo. Eu não vou deixá-los impunes.
— Então o quê? Vai esfregar sua fama na cara deles? — Ele cruzou os braços, claramente decepcionado.
— Bingo. — Ri alto. — Quero ver o choque nos olhos deles. Quero que sintam o que eu senti. Quero que saibam que sou melhor, mais rico, mais... tudo.
— O Taehyung que eu conheci morreu. — Bo Gum disse baixo, o olhar perdido.
— E eu percebi, tarde demais, que trazer você comigo foi um erro.
— Não fala isso! — Corri até ele, o abracei com força. — Eu mudei, sim, mas eu preciso fazer isso, Bo Gum.
Você precisa entender.
Ele respirou fundo e se afastou, lentamente.
— Eu entendo. Só não concordo.
Se for pra ver você se destruindo... não conte comigo.
— Hyung... não posso fazer isso sozinho. Preciso de você comigo. Como sempre precisei.
Bo Gum parou na porta do quarto e me olhou com a expressão mais triste que já vi nele.
— Taehyungnie, entenda uma coisa:
Eu sempre estarei ao seu lado. Mas se for pra te ver se perder... prefiro não ver.
E então ele fechou a porta, me deixando com o silêncio mais ensurdecedor de todos:
O silêncio de quem ama, mas não aguenta mais assistir.
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Forbiden Love {Taeyoonseok}
FanfictionTaehyung não conseguia se lembrar do exato momento em que se tornara amigo de Yoongi e Hoseok ou nem de quando começara a nutrir sentimentos por ambos. Mas de uma coisa ele tinha certeza, o sentimento que tomava conta de si a cada dia, o destruía o...
