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Devils

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Kim Taehyung

É sério, Tae? Tinha que chamar logo esse idiota? — A raiva oscilava no tom e na expressão de Bo Gum, que não escondia o descontentamento com a presença do meu ex.

Desculpa, Gumie. Mas essa é uma emergência. Ele é policial, tem recursos que a gente não tem acesso.

Você me chamou pra me insultar? — A voz de Tae Oh viaja até nós através do pequeno monitor, exibindo com qualidade absurda o rosto perfeito demais do meu ex. Por que diabos ele ainda tinha aquele sorriso malditamente sedutor? E claro que eu tinha que ligar justo quando uma loira exuberante deixava marcas evidentes no pescoço bronzeado dele.

Não seja desagradável. Será que não dá pra gente ter uma conversa civilizada?

O sorriso de canto que ele exibe deixa claro que não vai facilitar pra mim.

Dependendo do conteúdo dessa futura conversa, posso até deixar o meu lado doce comandar. — Ele empurra a mulher pra longe. — Vamos deixar pra outra hora, vaza. — Abana a mão como se estivesse dispensando um inseto. A mulher apenas concorda e desaparece do nosso campo de visão.

Qual é, Kang?! — Bo Gum se exaspera. — Precisa ser babaca o tempo todo?

Nos anos que passei com o Tae, você não facilitou em nada. Por que caralhos eu facilitaria agora? — Tae Oh se aproxima da câmera, sobrancelhas arqueadas.

Crianças! — Aumento o tom, assustando os dois. — Eu realmente não tenho paciência pra essas briguinhas. Bo Gum, pode sair por alguns minutos?

Como é?! — Seus olhos se arregalam. Sinto a pontada da culpa. — Mas é ele que tá sendo um babaca!

Eu sei. Mas com vocês dois brigando assim, a gente não vai chegar a lugar nenhum. — Afago seu ombro tenso. — Lembra que temos que voltar pra Londres?

Ele assente, cabisbaixo.

Não dá pra ir assim. Vai ser rápido. Prometo.

Tudo bem. — Ele se levanta, mas antes de sair, aponta para a câmera com um sorriso assustador. — Não ache que vai ter uma nova chance com o Taehyung. Ele nunca vai voltar com um pedaço de lixo como você.

A tela fica em silêncio por alguns segundos.

Não senti saudades dele. — Tae Oh murmura. — Diz logo o que quer.

Ele abre dois botões da camisa de linho que abraçava seu corpo forte de um jeito ridiculamente irritante.

Preciso da sua ajuda.

Isso eu percebi. Você sempre me procura quando precisa de alguma coisa.

Não seja idiota. — Mexo-me desconfortável na cama. — Tem um cara que suspeito ser stalker meu.

Por quê? O mundo não gira em torno de você. Vai ver ele só tem uma queda.

Ele me olha estranho. E tem um interesse... anormal na minha vida. E ele não pode ter uma queda por mim. — Engulo em seco. — Você pode me ajudar com isso?

O que eu ganho? — Ele repousa o notebook no sofá e desaparece da câmera por um instante.

O que você quer dessa vez, Tae Oh?

Ele volta com um copo d’água e um sorriso grande demais.

Você me daria qualquer coisa?

Fala logo o que tem em mente.

Quero um último encontro. — Ele lambe os lábios, lascivo.

Só pode estar brincando comigo.

É isso ou nada feito.

Reviver tudo o que passamos não seria fácil. Mas se queremos respostas... temos que fazer sacrifícios.

Posso pensar? — Me odeio ao dizer isso. Mas o nome Kim Seokjin martelava dentro da minha cabeça.

Claro que pode, Taetae. Enquanto isso, me manda o nome do cara.

Ok. — Murmuro, a mente a mil.

Não vejo a hora de tocar sua pele dourada de novo. — Diz antes de encerrar a ligação.

[...]

Jung Hoseok

A cada dia que passava, ficava mais insuportável estar naquele cubículo que chamavam de cozinha. O cheiro de óleo velho impregnava minhas roupas e cabelo, que parecia ensebado, por mais que eu lavasse. Minhas mãos, cobertas de cortes, já haviam deixado sangue demais naquele chão grudento.

Tudo naquele lugar me dava ânsia.

Odeio o rumo que minha vida tomou. E odeio ainda mais o fato de não estar fazendo nada para mudar isso.

Terra chamando Hoseok. — Pisquei, vendo Jinyong estalar os dedos na minha cara.

Desculpa, tava falando comigo?

Há uns cinco minutos. Tá tudo bem?

Tô só viajando mesmo. Mas o que você tava dizendo? — Volto à pilha infinita de louças.

Um tal de Taehyung tá aqui pra ver você.

O som do copo estilhaçando no chão ecoa. Nem o barulho estridente me tira do estado de choque.

Taehyung? Aqui? Ele nunca me procuraria... a não ser que algo muito grave tivesse acontecido.

Sem pensar, largo tudo e corro. Meus olhos vasculham o salão freneticamente até achá-lo — sentado perto da janela, tomando café.

O que aconteceu?! Você tá bem? Tá machucado?! — Corro até ele, cuspindo as palavras sem respirar.

Surpreso, Taehyung derruba café na camisa fina.

Tá maluco?! — Me encara, irritado. — Precisava me assustar desse jeito?!

Você... você tá ferido? — Engasgo.

O quê? Por que estaria ferido?

Então o quê? O que tá acontecendo? — Passo os dedos nos cabelos úmidos de suor. — O que tá fazendo aqui?

Eu vim conversar com você. — Pela primeira vez em muito tempo... ele realmente me olha. — O que aconteceu com você?

Você. Você me aconteceu. — Me deixo cair na cadeira ao lado. — Do nada me dizem que você tá aqui e... eu pensei que algo tinha acontecido. — Sinto os olhos queimarem. — Mas isso não importa. — Congelo olhar na janela. — Do que você precisa?

Precisamos conversar. Eu, você e o Yoongi.

Por quê?

Porque eu preciso seguir em frente, Hoseok. E pra isso... preciso encarar meus demônios. — Ele me analisa com olhos que reviram todas as feridas.

Tudo bem. — Suspiro, tentando controlar as batidas frenéticas do coração. — Agora só falta convencer o Yoongi.

Não se preocupa. — Um pequeno sorriso escorre por seus lábios vermelhos. — Eu sei exatamente o que fazer.

Forbiden Love {Taeyoonseok}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora