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Surreal

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O ar gelado queimava seus pulmões a cada inspiração. Todo seu canal respiratório parecia prestes a ser arrancado pela garganta, tamanha era a dor e o desconforto. Mas nada daquilo importava.

Taehyung só conseguia pensar no irmão.

Se Namjoon também se fosse, nada mais o manteria naquela vida miserável.

— Taehyung, se continuar dirigindo assim, vai acabar batendo! — Yoongi se encolhia cada vez mais no banco do passageiro, com os dedos cravados na lateral da porta. — Pra ver seu irmão, precisamos chegar vivos antes.

— Yoongi, se você não calar a maldita boca, juro por Deus que te jogo pra fora desse carro! — Taehyung nem se deu ao trabalho de encará-lo. Sua mente era um redemoinho caótico. E o que menos precisava era Yoongi resmungando.
— Ainda não sei por que, diabos, vocês estão aqui. Não pedi pra ficarem longe?!


— Você acha mesmo que deixaríamos você sair sozinho nesse estado? — Dessa vez foi Hoseok quem respondeu, do banco traseiro. — Se olha no espelho. Está transtornado.

Taehyung ignorou. Tudo o que queria era chegar no maldito hospital. E ele parecia nunca se aproximar.

Após quinze minutos em alta velocidade, o Kim estacionou sua BMW de qualquer jeito no primeiro espaço que viu e saiu correndo em direção à recepção, o peito arfando como se fosse explodir.

— Em qual quarto Kim Namjoon está?! — perguntou à recepcionista, os olhos arregalados de desespero.

— Qual seu parentesco com o paciente? — A mulher respondeu com um tédio irritante.

— Irmão. — Batia os dedos freneticamente no balcão. — Não sei se percebeu, mas estou com pressa. Dá pra acelerar?

Ela arqueou uma sobrancelha, parando de digitar.

— Como é?

— Além de lerda, também é surd—

Sua boca foi tapada por Hoseok, que sorriu largo e gentil para a mulher, ofuscando qualquer traço de impaciência com seu charme natural.

— Desculpa, ele está só muito preocupado. Dá pra entender, né? Poderia, por favor, nos informar o quarto dele?

— Claro! — Ela voltou a digitar com rapidez, e em menos de um minuto passou as informações.

— Agradeço sua gentileza. — Hoseok piscou para ela e puxou Taehyung pelo braço. — Você não vai conseguir nada na base da ignorância.

— Foda-se. — Ele se soltou do aperto e apertou repetidamente o botão do elevador. Quando o aparelho não apareceu no tempo que ele queria, simplesmente disparou pelas escadas de emergência.

— É claro que ele tinha que ir de escada... — Yoongi resmungou, subindo atrás. — Nunca o vi assim.

— Nunca tivemos a chance. — Hoseok acompanhava. — Os pais dele morreram quando ele era muito novo. Nunca vimos ele... assim.

— Você percebeu que acabou de assumir que o Namjoon morreu, né? — Yoongi ofegava, suando.

— Não fala merda, foi só um comentário.

— É estranho. — Yoongi murmurou. — Ver o Taehyung tão...

— Fragilizado? — completou Hoseok.

— É. Não sei nem como agir perto dele.

— O máximo que podemos fazer... é ficar ao lado dele.

Ambos assentiram. Depois de tudo que disseram, não havia mais o que esconder. A chama da adolescência nunca morreu. E agora queimava mais do que nunca.

Ao chegarem ao 15º andar, viram Taehyung um pouco adiante discutindo com um homem alto e bonito. Seus corpos esquentaram em resposta imediata. Quando perceberam, já estavam cada um de um lado do Kim mais novo, que os encarou com surpresa e nervosismo.

— Quem são eles? — Seokjin perguntou. Seus olhos vermelhos e inchados denunciavam o tanto que já havia chorado.

— Ninguém importante. — suspirou Taehyung. Voltou-se para o namorado do irmão. — Me explica de novo... como isso aconteceu?

— Você sabe como o Namjoon é. Ele não para quieto. A lâmpada do topo da escada do porão queimou, e ele teimou que iria trocar. Eu me opus — sei o quão desastrado ele é — mas ele insistiu. — Jin mordeu os lábios, tentando segurar o choro. — Saí para trabalhar achando que ele tinha esquecido do assunto... Mas quando voltei pra casa...

Um soluço sacudiu seu corpo.

— Ele estava caído no final da escada... e... oh, Deus... tinha tanto sangue saindo da cabeça dele...

Taehyung permaneceu em silêncio, absorvendo cada palavra. O irmão — sua única família — estava em coma por causa de uma maldita lâmpada.

Uma lâmpada.

Era surreal demais.

— Eu... eu preciso sair daqui. — Disparou sem pensar, deixando todos paralisados.

— Taehyung, espera! — Hoseok correu atrás.

— Se houver qualquer mudança, me liga. — Yoongi entregou seu cartão de visitas nas mãos trêmulas de Seokjin e correu em seguida.

Seokjin observou os três se afastarem com expressão amarga.

— Quem, caralhos, ele pensa que é pra me dar ordens? — resmungou baixo, entredentes.


Forbiden Love {Taeyoonseok}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora