— Quem? — Dylan me olhava confuso.
— Bom dia, o que gostariam de pedir? — A voz do garçom nos alcança antes que eu pudesse responder. Mas ela vacila assim que nossos olhos se encontram. — Tae-Taehyung?! — ele gagueja, visivelmente abalado.
— Oi, Hoseok. Que surpresa encontrá-lo aqui. — Apoio o queixo sobre meu punho e franzo o cenho com fingida inocência. — Mas estou confuso… você não me disse que tinha uma academia de dança?
Vejo sua garganta trabalhar com dificuldade enquanto ele engole em seco, desviando o olhar, visivelmente constrangido.
— É... eu disse. — sua voz sai baixa, quase imperceptível, e respira insegurança.
— Então o que está fazendo aqui? — Minha voz sai doce demais. Hoseok evita ao máximo encontrar meu olhar — o que começa a me irritar. — Hobi, está com algum problema…? — Dou uma pausa dramática, forçando um olhar comovido. — Financeiro?
Os olhos dele se arregalam e, pela primeira vez em anos, vejo raiva refletida naquele castanho quente que um dia me acolheu.
— Desculpa se estou sendo grosseiro, mas a minha vida não te interessa, Taehyung.
— Ei, ele só está preocupado com você. — Dylan me surpreende ao intervir. — Você deveria tentar ser mais compreensivo.
— E o que você sabe? Aliás… quem é você? — Hoseok se exalta, e seu tom começa a chamar atenção dos clientes ao redor.
— Eu sei o que vejo. E sabe o que estou vendo agora? — Dylan ergue a sobrancelha grossa com firmeza. — Um amigo preocupado.
As palavras dele parecem acertar Hoseok como um soco no estômago. Ele se cala, tomado por alguma culpa contida.
— Deixa, eu entendo. — suspiro, pegando o copo d’água e bebendo em silêncio. — Desculpa, Hoseok. Se fui invasivo… você tem razão. Sua vida não diz mais respeito a mim. Mesmo que tenhamos sido amigos de infância, eu não tenho mais o direito de me intrometer.
Um silêncio pesado paira sobre nós. De canto de olho, vejo Dylan nos observando, curioso. Hoseok, em frente a mim, mantém a cabeça baixa, como se ponderasse tudo o que acabara de acontecer.
— Com licença, está tudo bem por aqui? — O gerente do restaurante se aproxima, o olhar aflito preso a Hoseok. — Nosso funcionário está incomodando vocês?
— Mas é claro que não. — sorrio educadamente, contendo a raiva pela interrupção. — Eu é que fui rude. — Me viro para Dylan e toco suavemente sua mão sobre a mesa. — Vamos?
— Mas não comemos nada. — ele resmunga. E um leve ronco em sua barriga nos faz rir.
— Tudo bem. Podemos comer alguma coisa na rua...
— Não. — Hoseok se pronuncia após longos minutos em silêncio. Sua voz falha, os olhos marejados. — Insisto que fiquem. A comida daqui é muito boa. — Ele engole em seco. — Desculpa se fui grosseiro. — E, como em câmera lenta, vejo seu corpo se curvar profundamente, quase encostando o rosto nos joelhos.
Se eu deveria sentir culpa por isso?
Se deveria retroceder nessa vingança que aos poucos me consome?
Se deveria, de alguma forma, voltar a ser o antigo Taehyung e perdoá-los pelo sofrimento que causaram?
A resposta chega como uma fisgada cruel em minha perna — uma lembrança ardente do que vivi. Do que suportei.
Não.
O mal que me fizeram é irreparável.
As sequelas que carrego não devem ser esquecidas.
E de forma alguma voltarei a ser aquele garoto patético.
Eu, Kim Taehyung, jamais os perdoarei.
— O que acham de esquecermos esse momento constrangedor e pedirmos um delicioso espaguete? — abro um sorriso largo, tão falso que rasga minha alma por dentro.
Mesmo que tudo dentro de mim esteja apodrecendo, eu os arrastarei comigo para o inferno.
Min Yoongi e Jung Hoseok já destruíram tudo o que eu era.
Mais algumas rachaduras não farão diferença.
Não se pode quebrar aquilo que já está quebrado.
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Forbiden Love {Taeyoonseok}
FanfictionTaehyung não conseguia se lembrar do exato momento em que se tornara amigo de Yoongi e Hoseok ou nem de quando começara a nutrir sentimentos por ambos. Mas de uma coisa ele tinha certeza, o sentimento que tomava conta de si a cada dia, o destruía o...
