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Beg I

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Kim Taehyung

As palavras de Yoongi pareciam gravadas a ferro na minha pele.

Já era surpreendente o bastante descobrir que eles gostavam de mim no passado — mas o fato de ainda sentirem algo, mesmo após doze anos, era algo impensável.

— Acho que vocês estão um pouco confusos. — Uma risada nervosa me escapou. Com o corpo trêmulo, comecei a andar em círculos, fechando e abrindo as mãos freneticamente. Minha cabeça era um caos.

— Por que estaríamos confusos, Tae? A gente não tem mais catorze anos. — Hoseok suspirou. Eu conseguia ver que ele se esforçava para manter a calma. Sempre fora a razão do grupo. Mesmo tão cruel quanto Yoongi às vezes, nunca partia para a agressão física. Sua arma era a língua afiada.

— Exatamente, Hoseok. Não somos mais crianças. E por isso mesmo está na hora de cair na real. O nosso momento já passou.

— O que quer dizer com isso? — Yoongi me encarava, chateado.

— Não temos mais volta. Nossa relação nunca foi saudável — e duvido muito que um dia venha a ser. — Baixei a cabeça, oprimido pelos olhares magoados que se voltaram a mim. — E além do mais... não sei se ainda sinto o mesmo por vocês.

— Eu sei que você não quis dizer isso, Tae. — A expressão machucada de Yoongi me atingiu com mais força do que imaginei. — A gente consegue ver nos seus olhos. Suas palavras não são verdadeiras.

— Vocês não me conhecem. Aquele Taehyung... não existe mais.

— Está enganado, Taetae. — Engasguei com o apelido que não ouvia há tantos anos. — Nós te conhecemos melhor do que imagina. Posso provar isso?

— Não... — Minha voz saiu baixa, quase inaudível.

— Eu sei que se eu te tocar aqui... — Hoseok levou a mão ao meu rosto e deslizou o dedo indicador pela minha bochecha. Um arrepio percorreu minha espinha, me deixando sem ar. — ...você vai sentir seu corpo reagir. — O dedo seguiu pelo meu maxilar, depois pelo pescoço. Quando pressionou de leve meu pomo de adão, um arfar pesado escapou da minha garganta. — Não adianta negar, querido. Você nos deseja tanto quanto nós desejamos você.

— E não é só o seu corpo que queremos, Tae. — Yoongi se aproximou com um sorriso pequeno. — Queremos seus sorrisos, seus abraços, seus beijos... até suas lágrimas. Queremos você por inteiro.

— E o que eu ganho com isso? — murmurei, perdido em meio àquelas sensações.

— A nós. Você nos ganha, Taehyung. Não era tudo o que você queria?

— Agora você tem a chance de nos ter... por inteiro.

— Eu... — Tentei responder, mas Hoseok encostou o indicador nos meus lábios.

— Eu quero você, Tae. Você não nos quer?

— Eu... eu não sei o que quero. — A sinceridade os pegou desprevenidos. — Vocês estão me deixando confuso. Não sei o que fazer.

— Então nos deixe te guiar. — Hoseok sussurrou, os lábios cada vez mais próximos dos meus.

E como se alguém tivesse puxado uma cortina da minha mente, as lembranças começaram a surgir: as palavras cruéis, os beliscões, os petelecos nas orelhas, os olhares frios, os momentos em que me ignoravam por completo. Tudo explodiu como um tsunami dentro de mim.

— ME SOLTA! — Empurrei Hoseok com força, ofegante. — Não toca em mim!

— Taehyung, o que aconteceu? — Hoseok me olhava espantado, confuso com a minha reação. Eu também não sabia como tinha chegado até ali.

— Essa merda não vai acontecer. — Virei-me para sair. Eu precisava ir embora. De uma vez por todas.

Mas antes que pudesse chegar à porta, meu corpo foi prensado contra a parede e, num instante, os lábios úmidos de Yoongi se colaram aos meus. Sua língua forçou passagem, e sem forças para resistir, deixei que me invadisse.

Meu corpo amoleceu nos braços dele. Envolvi seu pescoço com os braços, e o beijo se aprofundou, molhado, urgente, obsceno. Um gemido escapou da minha boca quando senti os lábios de Hoseok no meu pescoço. As mãos dele apertaram minha cintura com força, e cada toque parecia incendiar minha pele.

— Você só precisa dizer sim. — Hoseok sussurrou na minha orelha, antes de mordê-la de leve.

A palavra estava presa. Como se fosse impossível dizê-la. Como se algo ainda me segurasse. Algo dentro de mim gritava que ainda não era hora.

— Por favor, Tae... não nos faça implorar. — Yoongi abandonou meus lábios, pressionando-os agora com o polegar.

E como um estalo, a clareza me atingiu.

Afastei os dois com firmeza e os encarei, ofegante, como se finalmente visse tudo com nitidez.

— E se eu quiser que vocês implorem? Seriam capazes de fazer isso por mim?

— É sério isso? — Yoongi me olhou incrédulo.

— Se não quiserem, tudo bem. — Dei um passo em direção à porta. — Eu posso ir embora.

Mas, antes que eu tocasse a maçaneta, Hoseok segurou meu braço.

— Se for para te ter... sou capaz de qualquer coisa.

Engoli em seco diante da intensidade do seu olhar.

— Então fique de joelhos... e rasteje. Implore.

Forbiden Love {Taeyoonseok}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora