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Kim Taehyung

Chegar ao hospital onde Namjoon estava internado demorou mais do que eu esperava. Dirigir com a cabeça presa na conversa de minutos atrás quase me fez atropelar quatro crianças, duas idosas e bater em todos os postes pelo caminho.

Tudo ainda parecia surreal demais. Eu finalmente havia colocado um ponto final na história que me machucou por tanto tempo. Agora, só faltava meu irmão acordar — e então, eu poderia voltar para Londres e retomar minha vida.

Estacionei em qualquer vaga e subi apressadamente até o andar onde Namjoon estava. Encontrei Seokjin conversando com uma enfermeira na porta do quarto.

— Aconteceu alguma coisa? — perguntei, sem fôlego.

— Taehyung, você chegou mais cedo do que imaginei. — Ele sorriu com uma alegria que não combinava nem um pouco com a situação.

— O que esperava depois de me ligar dizendo que tinha novidades sobre o hyung? — Meus olhos buscaram o corpo inerte de Namjoon. — Então? Qual era a novidade?

— Aqui não. Lá embaixo teremos mais privacidade. — Ele já empurrava minha lombar, guiando-me em direção aos elevadores.

— Ainda não vi meu irmão direito.

— Não precisa ter pressa. Você vai ter todo o tempo do mundo pra vê-lo.

Aquelas palavras gelaram minha espinha. Havia algo de... errado.

Descemos em silêncio até o refeitório, quase vazio àquela hora. Conferi meu relógio: faltavam poucos minutos para a meia-noite. Ao nos sentarmos, fiquei observando Seokjin. Ultimamente, ele parecia radiante demais para alguém que tem o namorado em coma.

— Vou mesmo ter que ficar te implorando pra dizer o que queria? — Eu nunca fui conhecido por minha paciência, e esse homem à minha frente tinha o dom de me tirar do sério com facilidade.

— Calma, eu vou contar. — Sorriu mais uma vez. — Sabe, Tae, nunca contei isso pra ninguém antes. Então... me desculpe se eu ficar nervoso. — Ele mexeu nos ombros, como quem espanta tensão. — Nem sempre fui assim. Minha aparência... era fora dos padrões. E você sabe como, aqui na Coreia, isso pesa mais que talento ou inteligência.

Revirei os olhos, já desconfortável. Algo me dizia que aquela conversa tomaria um rumo péssimo.

— E posso saber por que está me contando isso?

— Tô chegando lá. — Tirou uma mecha de cabelo dos olhos. — Alguém me ajudou a atravessar essa fase horrível. Me inspirou a mudar. A acreditar que, se eu me esforçasse, conquistaria a admiração que tanto almejava. E, bom... depois de muito dinheiro e esforço, eu cheguei lá. Olha pra mim. Por onde passo, todos me olham — admirados, invejosos... — O sorriso nos lábios dele me revirou o estômago. — E tudo isso... eu devo unicamente a você, Kim Taehyung. A você.

— O quê? — Meu coração batia como uma britadeira.

— Você lembra a primeira vez que desfilou pra uma grande marca? Eu estava lá. E quando vi você naquela passarela... com só 17 anos, o queixo erguido, os olhos ardendo... soube que você mudaria minha vida. Você é a minha inspiração. A pessoa mais importante da minha vida.

Antes que eu percebesse, Seokjin segurava minhas mãos com força, como se nunca mais fosse soltá-las. Levei apenas um segundo para me levantar bruscamente e me desvencilhar do seu toque.

— Acho que você passou tempo demais acordado. Vamos fingir que isso nunca aconteceu e voltar pro quarto do meu irmão.

— Eu te amo. — Congelo no lugar. Uma tontura súbita me atinge. — Eu te amo, Taehyung. Daria tudo o que tenho pra estar com você.

— Seu merda do caralho! — Avancei, agarrando seu colarinho e o puxando com violência. — O homem que está deitado naquela cama vive dizendo que você é o amor da vida dele! E agora você me aparece com essa?! Perdeu a porra da cabeça?

— Não se manda no coração, Tae. Você sabe disso melhor do que ninguém.

— Então por que ficou com ele, se nunca o amou?

— Por você! — grita. — Eu faria qualquer coisa pra respirar o mesmo ar que você.

Soltei-o e me afastei. Me sentia doente. Isso não podia estar acontecendo. Era um pesadelo — só podia ser. Talvez eu tenha batido o carro no caminho e estivesse preso num delírio bizarro.

— Você tá ouvindo a si mesmo? Como diabos você se apaixonou só porque me viu desfilar? Tá carente, porra?

— Eu sei tudo sobre você, Tae. Sei a hora e a data de cada desfile. Decorei suas falas em todos os comerciais. Tenho cada foto que você já tirou — até as que você nem lembra. Todo ano eu te mando cartas e presentes dizendo o quanto te amo. Meu mundo gira ao seu redor. E estou disposto a abandonar tudo pra ficar contigo.

— Merda... acho que vou vomitar. — Me apoiei na mesa, sentindo minha cabeça girar. Já lidei com gente obcecada antes, mas esse homem... esse homem era outro nível. Ele namorava meu irmão. Meu irmão.

— Quando sairmos daqui, espere uma ordem de restrição, seu filho da puta doente.

— Tae, por favor...

Ele tentou se aproximar, mas recuou assim que viu meu olhar. Era desprezo. Era nojo.

— Achei que você me entenderia...

— Eu não sou doente como você. Meu caso é completamente diferente. — Respirei fundo. — Agora vai embora. E não se aproxime mais de mim. Nem do meu irmão.

— Ele não vai acordar. — Jin murmurou, sombrio.

— O quê?

— O médico disse que talvez... ele nunca acorde. A pancada foi forte. — Deu de ombros, como se falasse sobre o tempo.

Você fez isso? — Minha voz saiu em um sussurro horrorizado. — Por favor, diz que não foi você...

— Claro que não. Você acha que eu sou esse tipo de pessoa?

Mas, antes que Seokjin pudesse dizer mais alguma coisa, já estava no chão. Meus dedos apertavam seu pescoço com tanta força que suas mãos lutavam para se soltar. A expressão aterradora no meu rosto o fez sorrir.

Ele estava feliz.

Seokjin estava feliz.

Como se aquele fosse o ápice da sua existência.

Como se morrer pelas minhas mãos... fosse a maior prova de amor que ele poderia ter.

Forbiden Love {Taeyoonseok}Histórias para pegar e não largar. Descubra agora