KIM TAEHYUNG
— O que te garante que ele vai querer vê-lo? — A voz profunda de Hoseok e o bafo quente em minha nuca me arrepiam da cabeça aos pés.
— Dá pra se afastar um pouco? — Lanço um olhar que o faz recuar instantaneamente. — E ele não tem a opção de não me ver. Essa conversa é para o bem de todos. — Volto minha atenção para a porta gasta à minha frente. O local onde Yoongi agora morava era um subúrbio humilde, e os apartamentos pareciam prestes a desabar a qualquer momento. O dele não era diferente.
Sem porteiro. Sem interfone. Sorte que Hoseok tinha a chave do apartamento — o que facilitava nosso acesso. Era óbvio que Yoongi se recusaria a nos receber se soubesse. Mas, o pegando de surpresa, ele não teria muita escolha.
— Abre logo. — Saio do caminho, observando Hoseok girar a chave na tranca com cautela. O apartamento estava... vazio.
— Yoon? — Hoseok chama, entrando no pequeno cômodo. — Deve ter saído pra comprar mais. — Aponta para uma garrafa de tequila vazia jogada na pia.
— Ótimo. Não é fácil conversar com o Yoongi sóbrio. Bêbado então...
— É totalmente o contrário. — Ele se senta no sofá amarelado com pequenos rasgos. — Ele é outra pessoa quando está bêbado, acredita.
A sala era mais organizada do que eu esperava, mas ainda assim, simples demais. Uma televisão na parede, dois sofás idênticos e uma mesinha de centro que parecia ter mais idade que eu. As paredes cinzentas davam um ar de ausência, de vida suspensa.
A cozinha, separada por uma bancada estreita, era minúscula. Geladeira branca com ferrugem, fogão espremido no canto e a pia entupida de louças. Mas foi o estreito corredor ao lado que me puxou como um ímã. Algo naquele lugar me chamava.
— Onde você vai? — Hoseok se levanta apressado para me seguir.
— Nossa... como um lugar pode lembrar tanto uma pessoa?! — O quarto era um contraste absoluto. Paredes azul-água, móveis de madeira rústica polida e cortinas em tom pastel. Um santuário.
— O quarto é o lugar favorito dele. Disse que precisava de um espaço que o lembrasse de que está vivo. — Hoseok desliza os dedos pela colcha vinho. — Ele sempre gostou de cores vibrantes.
— Vocês se conhecem tão bem... isso parece não ter mudado. — Murmuro, amargo. Há partes de Yoongi que sempre pertenceram ao Hoseok — e essa verdade ainda dói. Mais do que eu gostaria de admitir.
— O que quer dizer com isso? — Hoseok vira-se, confuso, me analisando por um instante antes de se aproximar devagar.
— Sabe, você pode continuar falando daí mesmo, não precisa se aproximar. — Uma risada nervosa escapa, mas ele ignora.
— Do que você tá com medo? — Inclina a cabeça, e uma mecha vermelha cai sobre os olhos escuros e brilhantes. — Você não precisa se esconder tanto, Tae. Tá tudo bem. — A maldita covinha aparece. Uma pedra de gelo se forma na minha garganta. O jeito como ele me olhava... quente, compreensivo.
— O que fizemos com você vai além do imperdoável. Sabemos disso... é só que...
— O que? O que justifica? Por que vocês dois transformaram a minha vida num martírio? Vocês têm ideia do que é crescer acreditando que não merece ser amado? Que não tem valor algum?! — Minha voz quebra. — Eu...
Sou interrompido pelo abraço repentino de Hoseok.
Ele me aperta contra o peito com tanta força que o ar me foge dos pulmões. Seu cheiro me invade como se quisesse me desarmar por completo. Nunca... nunca tinha sido abraçado assim por ele.
Na infância, na adolescência... eu sonhei com esse momento todos os dias. Todos.
E agora, doze anos depois... aconteceu.
— Eu sinto muito... — ele sussurra, com a voz embargada. — Eu nunca quis que você se sentisse assim. A gente estava tão confuso... e descontava tudo em você. — Seu peito sobe e desce contra o meu. — Você tem todo direito de nos odiar.
Ele se afasta só o suficiente para que eu veja os olhos dele — úmidos, vibrando culpa.
— Eu me odiei por cada palavra, cada insulto, cada riso sarcástico, cada silêncio. Me arrependo de tudo. Se eu pudesse voltar no tempo...
— Mas você não pode. — Minha voz sai baixa, rouca. — Não dá pra consertar o que já foi destruído.
— O que diabos vocês estão fazendo no meu quarto?! — A voz cortante de Yoongi nos atinge como uma lâmina.
Me afasto de Hoseok tão rápido que caio desajeitadamente na cama. Yoongi está parado na porta, com o rosto pintado por um vermelho vibrante e os olhos escurecidos de raiva.
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Forbiden Love {Taeyoonseok}
FanfictionTaehyung não conseguia se lembrar do exato momento em que se tornara amigo de Yoongi e Hoseok ou nem de quando começara a nutrir sentimentos por ambos. Mas de uma coisa ele tinha certeza, o sentimento que tomava conta de si a cada dia, o destruía o...
