43. Desentendimento

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Meredith Pov.
Duas semanas depois.

Desde que voltamos de Seattle o Andrew anda estranho comigo, eu não sei exatamente o motivo, visto que estávamos bem até chegarmos em casa. Ele mudou, especialmente nos últimos dias. Nós não brigamos nem nada, mas ele está apático, até mesmo indiferente, e desde que o conheço, ele nunca agiu assim, nem quando discutimos.

-A estrela gosta muito de você, é até engraçado como ela te olha...com os olhinhos brilhando.

Nós estamos no carro voltando pra casa depois de visitar as crianças do orfanato e passar a tarde com elas.

-Ela é incrível.

-É sim.

-Você nunca pensou em adotar uma dessas crianças? Ou a Estrela por exemplo, ela ama tanto você.

-Eu penso nisso todos os dias.

-E o que te impede?

Ele pergunta como se fosse a coisa mais simples do mundo, e isso me incomoda.

-Talvez a parte de ter uma doença autoimune...talvez a parte que eu posso morrer se pegar um resfriado e meu pulmão se encher de infecção... Talvez a parte que eu não vou deixar uma criança sozinha, sofrendo mais do que já sofreu.

Ele fica em silêncio por um tempo e respira fundo.

-Desculpa.

-Trabalhar com crianças em situações vulneráveis e sobretudo órfãs não é fácil, Andrew, e eu nunca disse que seria. Você se prontificou a vir comigo, nós temos que fazer a diferença de algum jeito na vida delas, elas se apegam mas não podemos enche-las de esperanças com relação aos voluntários adota-las, é preciso ter muita certeza ao fazer isso.

-Eu sei.

-Qual o seu problema?

-Nenhum.

-Nenhum? Você está estranho comigo desde que voltamos de viagem, e eu nem sei o que eu fiz. Parece que você tem se forçado a estar comigo.

-Eu? Forçando? Sério, Meredith?

Eu paro o carro em uma rua vazia, solto meu cinto de segurança e olho para ele.

-Chega, eu estou cansada desse seu jeito passivo agressivo...

-Uau, eu não sou passivo agressivo.

-Não é mas está sendo, Andrew. Que tipo de pergunta é essa sobre adotar a Estrela? Você sabe que eu não posso, eu já falei com você sobre isso, você sabe que isso me machuca.

-Eu não tive a intenção, desculpa.

-É, você nunca tem intenção de nada, quer que eu adivinhe o que você pensa.

-Quer que eu dirija?

-Não, eu não quero que você dirija, quero que você me fale o que está acontecendo com você.

-Não acho que conversar dentro do carro na rua seja o momento apropriado.

-É apropriado sim, você pode fazer algo que não seja planejado pelo menos uma vez?

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