Mel conhece os Barbosa desde sempre, então se qualquer pessoa perguntar com quantos anos o tal do Gabigol fez o primeiro gol com a perna canhota ela vai saber responder. Isso significa que os dois são amigos? Não, mas é o preço que ela paga por ser...
—Ah, agora pronto — Solto uma risada — O mano do Corinthians. DO CORINTHIANS. Tanta gente pra Mel beijar na boca em Santos e ela decide que seria uma boa beijar o mano que joga NO CORINTHIANS — Passo a mão no rosto.
Do lado do Fabinho dá pra ver ela revirando os olhos enquanto cruza os braços em frente ao corpo. Enquanto isso o Fabinho se diverte as minhas custas quando entramos no carro e dá partida.
—Porra, tá por fora. O Yuri era namoradinho da Mel láaaa quando ele subiu pro profissional no Santos — Fabinho cagueta.
—QUÊ?! — Juro que saiu sem querer — Para a porra desse carro agora.
Namoradinho dela? Tá me tirando caralho? O mano que joga no Corinthians. NO CORINTHIANSSSSSSS.
Quer dizer que foi ele que tirou a virgindade dela? O YURI ALBERTO? MEU DEUS DO CÉU.
—Isso Fabinho, para o carro que o dramático vai daqui até a Barra correndo — Ela diz lá de trás.
Mel pra todo mundo... Mel pra todo mundo uma porra. Mel só pra jogador do Corinthians, né? E em Santos ainda.
—Você quer que eu vá correndo? — Soltei uma risada. No auge do meu ódio — Ótimo, da próxima você fica lá e vai embora com ele.
Ela solta uma gargalhada.
Mas não é possível uma coisa dessas, cara.
—Uma hora dessas Gabriel? — Diz ainda rindo — É sério que vai ter crise de ciúmes?
Ciúmes? Não sei nem o que é isso, mas depois daquele papo todo no sofá da sala quando ela voltou tudo que eu menos queria saber era quem foi o filho da puta que deu um “beijinho” nele em Santos. Só isso.
Fabinho chega tá chorando de rir e agora minha cabeça tá doendo porque é óbvio que uma coisa dessas tinha que acontecer justo depois de um jogo importante desses. A gente ganhou? A gente ganhou, mas os pós-jogos... Porra. Os pós-jogos me esmagam pra caralho.
—E fala sério... — Mel continua — Eu não quis ir embora com ele em Santos, até parece que ia me mandar com ele no Rio de Janeiro — Solta uma risada — Não é como se eu não tivesse uma casa aqui, né?
Não é como se não tivesse uma casa aqui...
Solto uma respiração devagar, tentando colocar a cabeça no lugar.
Já devia ter aprendido que falar as coisas, principalmente depois dos jogos, era roubada. Eu sempre acabava falando merda quando tava com raiva. Sempre.