Mel conhece os Barbosa desde sempre, então se qualquer pessoa perguntar com quantos anos o tal do Gabigol fez o primeiro gol com a perna canhota ela vai saber responder. Isso significa que os dois são amigos? Não, mas é o preço que ela paga por ser...
—Quando que isso começa a ficar bom? — Ele pergunta literalmente colocando o livro na cara.
—Só a partir do segundo — Desvio o olhar para a página do meu próprio livro.
Ele parece realmente concentrado.
—Dá pra pular direto pra lá? Qual é, linda... Até agora o morcegão mal apareceu, não gosto desse maluco mascarado não — Revirou os olhos, soltei uma risadinha.
Pelo menos agora parece que ele esqueceu aquele negócio de descer escondido pra piscina porque já é noite, mas tá caindo maior temporal do lado de fora e olha que faz mais de semanas que ele tenta fazer isso da certo, mas a família não vai embora e simplesmente não para de chover então ao invés de irmos viver uma “aventura” na borda da piscina ele tá deitadinho do meu lado, todo embrulhado e lendo um livro. Nessas horas eu realmente começo a acreditar que milagres acontecem.
Gabriel Barbosa lendo um livro? Aposto que ninguém acreditaria se eu contasse.
—Não dá pra pular direto pra lá, né Gabriel? — O cutuquei — Mas olha só... Você tá indo muito bem, tá quase no final já.
—Também, tô lutando com essa coisa desde aquela conversa em Santos. Mais um dia e eu desisto de vez, amor.
Vou superar nunca ele me chamando assim?
—Tem certeza que não dá pra pular só pra parte de tocação de asa? — Fiz depois de mais cinco minutinhos tentando ler.
Quem ele tá querendo enganar? Não vai ler essa série toda nem fudendo e com certeza só tá fazendo isso pra tentar me agradar um pouquinho. E tirar onda com a minha cara quando chegar naquela parte que leu em voz alta quando cheguei aqui.
—No caso você quer que eu toque outra coisa né? — Perguntei brincando.
Ele solta uma risadinha e faz o favor de jogar o edredom pro lado.
—Sim — Me olhou com o semblante mais sereno do mundo — Toca aqui pra mim, linda — Agarra minha mão e tenta levá-la até o moletom, mas consigo me safar antes.
—E essas duas mãos aí você vai usar pra que, hein? — Apertei os olhos assistindo ele pegar o meu livro e o livro dele e colocá-los no espaço vazio da cabeceira.
—Pra tocar você — Solta uma risadinha e sai me puxando do meu lado do colchão até o corpo dele — Pensa bem... Não pode ter sido atoa Deus me dar duas mãos e te dar dois peitos — Enfiou o rosto na dobra do meu pescoço, a risadinha que ele solta sai ecoando pela minha espinha, arrepiando tudo. Acabo rindo também. Olha as bobeiras que esse homem fala...