Mel conhece os Barbosa desde sempre, então se qualquer pessoa perguntar com quantos anos o tal do Gabigol fez o primeiro gol com a perna canhota ela vai saber responder. Isso significa que os dois são amigos? Não, mas é o preço que ela paga por ser...
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𝙼𝙴𝙻 𝟶𝟸 𝚍𝚎 𝚜𝚎𝚝𝚎𝚖𝚋𝚛𝚘 𝚁𝚒𝚘 𝚍𝚎 𝙹𝚊𝚗𝚎𝚒𝚛𝚘 / 𝙱𝚛𝚊𝚜𝚒𝚕
A cozinha toda ficou em silêncio quando chegamos. Eu e ele acordamos há em tempão, mas foi um briga terrível pra ver quem ia descer primeiro. Resultado final: descemos juntos.
Ah... A gente se pegou na festa, todo mundo viu... Sem contar que tenho certeza que todos perceberam que dormimos juntos. Mesmo assim o silêncio tomou conta do lugar até o Tio Valdemir decidir falar.
—Poxa, filha... Eu falei pra não se envolver com um cafajeste — Balançou a cabeça negativamente, segurando uma risadinha.
Eu não segurei, soltei uma risada, dei bom dia e sentei numa das cadeiras vazias. Amei que até a Tia Rose tá tomando café aqui na mesa com a gente então as oito cadeiras estão ocupadas e a Cassiana ainda arrastou outra sabe-se lá de onde pra sentar do lado da Dhio.
—Pai! Seu filho sou eu ou é ela? — Gabriel revira os olhos e ao contrário de mim que vim logo sentar ele sai cumprimentando todo mundo.
Beijinho no rosto da mãe, beijinho do rosto da Tia Rose, beijinho no rosto da minha mãe, beijinho no rosto da Dhiovanna... Pulou a Cassi e o pai, sentou do meu lado, passou o braço pelo meu ombro e deixou um beijinho no meu rosto também.
Vagabundo. Ele sabe como conquistar as pessoas.
—Sabe que eu sempre amei os dois igual, mais a Dhio e a Mel sempre foram minhas princesas, né? — Seu Valdemir diz, todo sorridente enquanto passa manteiga num pão francês.
—Tá ouvindo né, Gabriel? Nada de machucar nossa princesinha — Tia Lindalva avisa.
—Deus ouviu todas as minhas preces de uma vez só. Ainda bem porque meu joelho já tava calejado de tanto pedir pra Deus desencalhar essa garota — Minha mãe completou — Ainda veio logo o pacote completo. Um homem bom, de família e gostoso também, né filho? — Mostra um sorrisinho pro Gabriel.
Pra quê, mãe? Pra quê? A senhora conhece bem o afilhado que tem, pelo amor de Deus.
—Essa parte do gostoso sua filha concorda, tia — Ele diz.
—Gabriel! — Desci um pisão no pé dele.
—Ah agora é “Gabriel”, né? — Sacode as mãos de um jeito dramático — Dois minutos atrás tava bem linda beijando minha boca e me chamando de “Bi”.
—Calado você fica lindo — Resmunguei sentindo minhas bochechas esquentarem.
—Eu sou lindo de qualquer jeito, amor — Ele responde daquele jeitinho engraçado, mostrando um daqueles sorrisinhos pra minha mãe enquanto ela serve ele.