Isabella Bacelar
Levi entrou pela porta, levemente bêbado e isso era novidade. Ele sempre foi controlado com bebida. Levi estava feliz, sorrindo atoa e eu nunca tinha visto essa versão dele, mesmo nos nossos melhores momentos. Ele entrou com o cabelo desarrumado. Com o blazer e a gravata pendurada no braço, a blusa social um pouco aberta. Entrou e fechou a porta, parou na minha frente e se sentou no sofá ao meu lado, me olhou sorrindo. E nesse momento eu estava aliviada, ele estava bem, isso que importava. Ele deve ter saído com os amigos, provavelmente comemorando um novo contrato.
- Isabella. Estou muito feliz sabe porque? Vou ser pai. Eu posso ser pai. Eu vou ser pai. – Ele fala animado.
Senti meu corpo adormecer, eu fiquei paralisada. Eu não estava grávida. Tinha certeza disso, fizemos o último exame e pouco tempo e nada de gravidez. Então como ele seria pai? Ele sorria e falava a palavra pai e eu comecei a sentir uma pressão na nuca. Tentava mexer meu corpo mas não conseguia.
- Você não pode ser mãe e eu.... Eu queria um filho. Fizemos de tudo e não conseguimos. Então eu quero o divórcio. Vou viver com a minha família, com a mulher que pode me dar filhos, que não travou o útero. Quero que arrume as suas coisas. Ela vai se mudar em breve, amanhã na verdade. – Ele termina e levanta.
Levi vai andando até o nosso quarto, do nosso apartamento que naquele momento eu me dei conta de que era dele, apenas dele .. Dele e da nova mulher. Dele como sempre foi. Meu coração estava acelerado, a sala estava encolhendo. Aquelas palavras ecoavam na minha cabeça " você não pode ser mãe " e gritavam na minha mente. Eu puxava o ar mas não vinha, fazia força e não conseguia respirar. Sentia vontade de chorar e não conseguia. " Você não pode ser mãe " " Ela vai se mudar" tentei me levantar do sofá mas não tinha força nas pernas. Tinha um zumbido no meu ouvido que só diminuiu quando eu escutei a voz de Levi.
- Sim meu amor. Cheguei em casa bem. Amanhã nos encontramos. Te amo. – Ele falava ao telefone com alguém de forma carinhosa como nunca falou comigo.
Levi nunca foi carinhoso dessa forma, falava " eu te amo " de maneira fria. Eu sentia o mundo desmoronar e cair sobre a minha cabeça. Me levantei com dificuldade e fui me arrastando até o quarto. Levi estava tomando banho com a porta fechada. Eu me sento na cama para não cair. Olho para o quarto que eu estava morando a um tempo, dois anos e alguns meses e me dói a forma como tudo está acontecendo, como tudo está terminando, ou nunca começou.
Me assusto com Levi saindo do banheiro enrolado na toalha, ele me olha sério sem o sorriso de antes e me questiona se eu já tinha feito minhas malas. Tento responder ou me mexer mas não consigo. Ele já estava vivendo essa vida a um tempo, mas eu tinha acabado de descobrir que meu relacionamento tinha acabado, que meu casamento já tinha acabado a um tempo e eu não sabia. Ele já estava com outra pessoa mas eu ainda estava com ele.
Levi começa arrumar as minhas coisas. E eu ainda estava sentada em choque tentando digerir o que estava acontecendo, enquanto ele estava muito confortável com a situação, como se fosse algo combinado, como se as duas partes já soubessem. Ele terminou de arrumar tudo , colocou todas as minhas roupas e coisas importantes nas minhas malas e nas malas dele de viagem. Jogou tudo e fechou, sem arrumar, sem cuidado.
- Bem... Todas as suas roupas estão aqui. As outras coisas eu mando depois. Pode ficar com as minhas malas. Eu compro outras depois. Vou falar com o nosso advogado sobre o divórcio, vamos organizar tudo através dele. – Ele me olha – Já ligou para o seu pai ?
- Grávida de quantos meses ? – Perguntei automaticamente.
- 11 semanas. Só sei isso. – Ele fala de forma automática – Já ligou para o seu pai vir de buscar?
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Destinada ao Amor
RomanceExiste a possibilidade de encontrar o amor verdadeiro? O amor é Eterno? Alma gêmea existe? O destino realmente existe? As vidas são interligadas. Amores de outras vidas? É possível que almas gêmeas sejam destinadas a não ficar juntas? E final feliz...
